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“O doce sabor das férias”

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Sou como abelhas que picam
E repicam a carcaça,
Sempre a meter pirraça
Aos meus colegas que ficam.

“Ah! Nunca mais era Agosto!”
– grito aos ouvidos do chefe;
Faço um manguito, ao de leve,
Enquanto arrumo o meu posto.

Chupem, que vou para as Seychelles!
Ou ia, se fosse rica.
Não sou; vou p’rá Caparica
Gramar ‘avec’ e ‘poubelle’s

Levo uma hora para ir
E duas a vir p’la ponte,
Já bufo como um bisonte,
E os putos a ganir!

A casa ’tá intragável
Enquanto o Pedro, qual morto,
Jaz na cama a ver o Porto,
Seja Liga ou amigável.

“Ah, nunca mais é Setembro!”
– grito p’ra toda a família;
Depois de um mês em quezília,
Quero voltar p’ró emprego!

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A greve dos outros

greveProtestos no Brasil com um morto em Belo Horizonte; Nelson Mandela em estado grave enquanto se discute onde vai ser enterrado e as pessoas começam a armazenar fotos e citações para meterem no Facebook no segundo em que ele morrer; a vitória da Michelle Brito frente à Sharapova; o facto de ter rasgado a minha t-shirt favorita… Hoje tinha vários temas de relevância mundial para falar, no entanto, como estou de greve, não vai dar.

Pois é, hoje faço parte dos 90% de portugueses, segundo os números dos sindicatos, ou dos 4 indivíduos, segundo os números do governo, que aderiram à greve geral. Infelizmente estou na serra, o que faz com que não possa tirar uma foto aos meus pés na praia para o provar, por isso peço que acreditem na minha palavra. E realmente, hoje está um óptimo dia para uma greve, não é? Solzinho, calor… Está mesmo aquele tempinho porreiro para estar refastelado numa esplanada a beber umas imperiais e a comer uns caracóis. Só é pena que aqueles preguiçosos do café tenham feito greve. Enfim… em vez de aproveitarem hoje para fazer uns dinheiros, preferiram fechar isto e ir para a manifestação em Lisboa. Vê-se logo que este pessoal não quer é trabalhar. Depois queixam-se…

São os do café e os gajos dos autocarros. Quer dizer, está aqui um gajo de greve, a querer ir mandar um mergulho ao rio, já que a esplanada está fechada, e não tem autocarros! Por isso é que este país não vai para a frente… E o pior é que nem uma sardinhada se pode fazer com meus amigos que também fizeram greve, porque o pessoal da peixaria está com os pescadores que fecharam as lotas.

Isto assim não dá! Estou eu aqui a fazer greve e está tudo fechado!  Nem esplanada, nem rio, nem sardinhas e nem sequer os DVDs que encomendei da Amazon recebi, porque o calão do carteiro decidiu que hoje ia com a CGTP passear cartazes! Nem passar a greve a ver filmes posso…

Olhem, se soubesse o que sei hoje tinha era ido trabalhar. É que hoje em dia já ninguém respeita quem quer gozar uma greve sem ser incomodado pela greve dos outros…


A história de Carlos, o Sábio

Esta é a história de Carlos, o mais fantástico de todos os homens sábios.

 Carlos nasceu a 4 de Novembro de 1974, com três quilos e seiscentos e dois anos e meio. Foi o dia mais feliz da vida dos seus pais, pelo menos até os médicos lhes terem dito que o que seguravam nos braços não era Carlos, mas sim um prato de pernil de porco que a enfermeira tinha trazido para almoçar.

Carlos desde cedo percebeu que era diferente dos outros. As suas três narinas confirmavam-no sempre que se olhava ao espelho. Muitos dizem que tem um feitio complicado e que se comporta como um verdadeiro Escorpião, isto é, arrasta-se na areia com o rabo levantado. Não poucas vezes, Carlos tentou mesmo eliminar os seus inimigos encostando o seu rabo às pernas destes. Nunca resultou, embora uma vez tenha conseguido fazer com que um deles decidisse ter lições de sapateado que, posteriormente, o levaram à ruína, quando se descobriu que o seu professor era um gambá foragido do Jardim Zoológico.

Aos 15 anos amou pela primeira e única vez. Um amor louco e proibido. Ela era mais velha, muito mais velha. Apesar da paixão intensa, o relacionamento terminou pouco tempo depois. Não havia comunicação, terá dito Carlos posteriormente a Jorge, o seu melhor amigo imaginário, “é muito difícil manter uma conversa com alguém que está morto há mais de cento e trinta anos”. Magoado com fim do seu relacionamento, Carlos jurou só voltar a tocar numa mulher se esta estiver a fazer um dueto com um espadarte.

Foi na Universidade que Carlos revelou o seu génio ao mundo. Trazia-o numa garrafa que encontrou enquanto apanhava malmequeres na praia. Apesar de todas as lendas, o génio não lhe realizou nenhum desejo e quando Carlos abriu a garrafa a única coisa a que teve direito foi a uma intoxicação alimentar e um processo por fraude fiscal, devido a um esquema piramidal em que se tinha metido por causa da sua admiração pelo povo egípcio.

Desgostoso, Carlos pensou em pôr termo à vida. Chegou mesmo a comprar uma fisga, mas, no último momento, faltou-lhe a coragem. Foi então que decidiu fugir e refugiar-se numa cabana na floresta para finalmente realizar o seu sonho: terminar um jogo de Cluedo. Numa estranha partida do cosmos, Carlos nunca conseguiu acabar o jogo, mas descobriu o sentido da vida: “A Morte pode ser assustadora, mas não mais que um jantar de família.”


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