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Sabem que está frio?!

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Claro que sabem! Dar novidades sobre o tempo na net é como ter sexo com a Érica do Secret Story: há mais de 100 pessoas que já o fizeram antes de ti.

De entre essas pessoas, estranhamente, a maioria a fazer queixinhas são mulheres. Mulheres. A espécie que finalmente tem a oportunidade de usar o set “botas-de-cano-alto/casaco-com-pelo-na-lapela/luva-de-pele/gorro-com-broche-de-flor” é exatamente a mesma espécie que se vem queixar para a net. “Já viram o frio que está?!” Já, Esquimó da Lanidor. Já vimos.

Sabem ao menos porque é que está tanto frio há vários dias, meu rebanho de Velhas do Centro de Saúde? Eu informo. Há uma frente fria estacionada no Reino Unido. E só não estacionou em Portugal porque ninguém aguenta uma semana a pagar o tarifário da EMEL.

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Não me entendam mal: eu gosto de ouvir pessoas e de falar com pessoas. Queixem-se à vontade. Não gosto é que, ano após ano, as conversas sejam sempre as mesmas:

– “Sabes quantos graus marcava no meu carro?”

– “Sabes quantos edredons tive de por ontem na cama?”

– “Até ganho frieiras nas mãos!”

Se é para nos queixarmos, porque não ser originais?

– “Sabes o que é que apetece com este tempo? Ter um(a) amante.”

– “Sabias que tenho uma estalactite e dois cubos de gelo na genitália?” (só válida para homens e para o Nuno Eiró)

– “E sadomaso com este frio? Fogo! Ainda nem a raquete bateu e já temos o rabo vermelho!”

Sadomasoquismo faz bem para o relacionamento

A sério, pensem nisto com carinho. Se é para nos queixarmos, ao menos que seja com conversas íntimas. Sempre tem mais graça e, se forem solteir@s, é uma boa oportunidade para arranjar um cobertor com pernas. E se isso dá um jeitaço com este frio!

Sabem que está frio, não sabem?

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As reações à vitória na Suécia

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“Hã… a bola, hã, eu não vi tipo, a bola e depois, pum, ela, tipo, pum, e eu, fogo, tipo, ya. Mas é trabalhar.”

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“Desculpe, não consigo falar muito agora, porque ainda tenho um sueco entalado nos dentes.”

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“Estou muito feliz por ter apurado o meu país para a Copa do Mundo do meu país. Agora sei o que nós, portugueses, sentimos no Euro 2004, jogar uma Copa em casa tem outro sabor.”

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“Não foi falta aquilo, c**”#$%? Aquele filho de cem p#$% faz golos porque é em casa dele. A ver se ele fez lá na minha terra. Até lhe fod*#$%& a penca, c#$%*£$! Agora é ir ao Brasil jogar bonito. Ou então dar pau, c*#$*%#, o que interessa é a gente ganhar, f***-se!”

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“Dei o meu melhor, mas tive de sair. Toda a gente viu que eu estava coxo. Menos os adeptos do Real Madrid, que acham que eu sou mesmo assim.”

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“Tive receio quando deixaram a cobertura do estádio aberta, mas felizmente o Ronaldo tem um gel fixador forte e o jogo acabou por decorrer com normalidade. Senti alguma desconcentração na cabeça a meio da segunda parte, mas depois cuspi para a mão e passei-a na franja e a situação voltou a estabilizar.”

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“Acho que fiz o meu trabalho, que era garantir que Portugal tinha sempre um jogador mais esquisito que o nariz do Ibrahimovic. Agora posso finalmente deixar de ter esta crista e barba do Zangief e optar por um visual mais discreto. Estou na dúvida entre os dois fios de cabelo do Homer Simpson e o tufo da Ovelha Choné.”

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“Foi mais um dia de trabalho. Ganhei as bolas, engoli o meio campo adversário e fiz assistências a rasgar a defesa. Agora não posso falar mais porque ainda tenho de carregar as bolas, engraxar as chuteiras, pentear o Miguel Veloso e pôr duas máquinas de roupa a lavar, que com este frio eles usam mais peças de roupa.”

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“Fiz um jogo esforçado. Se fui ofuscado pelo Ronaldo? Eu não tento imitar o Ronaldo, isso é mania das pessoas. Eu jogo para a equipa. Estou feliz com o meu jogo porque defendi mais que o Ronaldo, fui mais disciplinado taticamente que o Ronaldo e no sprint para o autocarro ganhei ao Ronaldo.”

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“Melhor do mundo?! Nah, eu não sou o melhor do mundo, eu limito-me a ser o Cristiano Ronaldo. O Cristiano Ronaldo é que é o melhor do mundo, mas isso já é com ele. Queria dedicar a vitória a todos os portugueses e dedicar a noite de hoje a todas as suecas que quiserem passar no quarto 308, que o Cristianinho ficou em Portugal. É na boa.”

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“O mister disse para eu lutar e tentar marcar golo. E foi isso que eu fiz. Lutei, lutei, lutei, e depois quando tinha a baliza aberta para marcar, optei por TENTAR marcar, que foi o que o mister mandou. E eu faço tudo o que o mister manda. Menos a tabuada do 7.”

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“Pressão?! Claro, dá mais medo que jogar no Sporting. Aqui o Ibrahimovic podia me querer bater e eu tinha de me defender, no Sporting eu sei que se alguém nos quiser bater, ainda eles não levantaram a mão, já o nosso presidente saltou do banco e aviou porrada neles todos.”

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“Foi, hã… foi um jogo, um jogo, um jogo, hã… difícil… difícil. Mas nós, hã, com, com, com… hã… portanto, lá, lá, lá, lá, lá… hã…. conseguimos. E agora, agora… agora é, é, é, é, é, é… disfrutar. Já me, hã, ligaram… ligaram, do Brasil, a dar, a dar, a dar, hã… os parabéns e, e a convidarem-me para, para, para, hã… cantar… cantar, aquelas músicas do, do, do, Chu, Chu, Chu, hã, Chá, Chá, Chá, porque eles, eles ouvem-me… ouvem-me a, a, a, a, falar e acham… e acham… que eu sou… que eu sou, hã… bom para, para, hã, repetir… repetir palavras até, até, até… à exaustão.

 

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Sr. Geppetto! Venha buscar o seu menino!

Exmo. Sr. Geppetto,

Venho por este meio solicitar o apoio do vosso serviço de pós-venda para recolha de um artigo defeituoso que ultimamente anda a dar má fama ao seu trabalho em todos os meios de comunicação. Não sabemos o número de série nem ninguém lhe viu a etiqueta, mas pelo discurso não engana: é uma obra sua.

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(Junto envio foto para correta identificação do produto)

Atenção: eu sou fã da vossa empresa, não considero que este exemplar seja completamente mau e até acho interessantes alguns upgrades. Por exemplo: gosto que o tenha programado para dizer repetidamente aquela do tipo que está no fundo do poço e acha que a única solução é continuar a escavar. Podia era ter-lhe inserido também aquela do menino que já tem um nariz do tamanho da Torre dos Clérigos e acha que a única solução é continuar a fazê-lo crescer. Isso já nos atormentava um bocadinho menos o já de si atormentado futuro.

Bem sei que deve estar a pensar: “Que exagero! Atormentar o futuro! O meu menino é só uma personagem do faz-de-conta, ninguém vai dar valor político ao rapaz.” Pois isso é muito bonito, sr. Geppetto, mas a lógica das fábulas e contos não se aplica à política portuguesa.

Para começar, as fábulas têm moral.

E, para nós, “contos” é apenas uma unidade monetária da qual se calhar nunca devíamos ter saído.

Não acredita? Eu dou-lhe três exemplos simples:

1. Nas fábulas, o pastor mente sobre o lobo. Um dia está a dizer a verdade e as pessoas não acreditam; em Portugal o político mente. Um dia repete tantas vezes a mentira que as pessoas acreditam;

2. Nas fábulas, o Coelho perde a corrida para a tartaruga; em Portugal ganha a corrida para primeiro-ministro;

3. Nos contos, a Cinderela encontra um príncipe e fica rica e feliz; em Portugal, as irmãs e a madrasta continuam a viver à grande e obrigam a Cinderela a trabalhar o dobro para pagar o défice.

Dito isto, e à falta de um serviço de reboques para levar o seu menino com urgência, pedia-lhe que autorizasse que passemos já para a parte da história em que ele é engolido pela baleia. Não que exista de momento alguma disponível para degustar este exemplar, que até as baleias têm um estômago sensível. Mas temos outro mamífero com uma boca igualmente gigante e que anda há muito tempo cheio de vontade de estraçalhar a sua criação.

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(Junto envio foto para sua aprovação)

 

Fico a aguardar resposta.

 

Cumprimentos,

Cláudio

 

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Então, Sr. Presidente de Angola?!

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Exmo. Sr. Presidente da República de Angola,

O meu nome é Cláudio Almeida. Logo, por consequência, o meu nome não é Rui Machete. É bom esclarecer isto, não vá V.Exa. andar a carta toda à procura de pedidos de desculpas e eu cá sou como o meu primeiro-ministro, não gosto de criar falsas expetativas. Ou QUASE como o meu primeiro-ministro, porque esse não cria mesmo expetativas nenhumas. Eu, por enquanto, ainda é só as falsas.

Escrevo-lhe com sincera preocupação. Então que raio de coisa é essa de cancelar a parceria estratégica com um povo irmão como Portugal?!

Em primeiro: é feio cancelar uma coisa que ainda não existe. É como eu ligar para a ZON a dizer “Boa tarde, eu queria cancelar o meu contrato convosco.” e a operadora “Com certeza, qual é o seu número de cliente?” e eu “Não tenho, sou Meo.” Uma pessoa fica baralhada, senhor Presidente.

Em segundo, e desculpe a sinceridade (vê, afinal tinha um pedido de desculpas. Enganei-o, seu malandro!): soa um bocado a pieguice cancelar uma parceria estratégica só porque V.Exa. está chateada com o Governo português. Eu também estou, há vários anos e não é por isso que não continuo estrategicamente a dar-lhes uma boa parte daquilo que ganho. “Ah, mas eu sinto-me roubado pelo Estado e pelas grandes empresas portuguesas!” Também nós, isso não é desculpa. Bem sei que é duro ver um país onde há poucos com muito e muitos com pouco. Deve ter sido um choque para V.Exa. Mas faça como nós: vá a uns festivais de verão e veja a Casa dos Segredos, que isso passa. Ou se está mesmo, mas mesmo chateado com o Passos Coelho, pronto, vá: faça uma manif. Se tiver problemas em escolher o local, ligue para a agência de manifs “CGTP” e peça para falar com o Sr. Arménio. Ele tem um pacote de sítios exóticos que o vai pôr de boca aberta. Senão, faça a típica Avenida da Liberdade. É aquela da Louis Vuitton e da Cartier, pergunte por aí que a malta conhece.

Agora, cancelar acordos com Portugal é que não. Assim de repente, dá ideia de que vocês não querem pagar a nossa dívida!  Onde é que se já se viu isso?! Cheira até um bocado a Bloco de Esquerda. E olhe que nós ainda agora demos uma coça eleitoral ao Bloco de Esquerda. Ainda bem que V.Exa. não participa em eleições livres em Portugal. (e segundo algumas más línguas, em mais lado nenhum no mundo).

Em resumo: não percebo este cancelamento da parceria com Portugal – principalmente se for uma Parceria Público-Privada: quem faz PPP com Portugal fica sempre a ganhar. A menos que o Presidente me diga que a Isabel se portou mal e o senhor pô-la de castigo e proibiu-a de jogar ao Monopólio. Aí já não me meto, que cada um trata dos seus filhos da melhor forma que pode. Olhe, o meu ainda a semana passada portou-se mal numa aula e eu proibi-o de jogar Wii durante uma semana. Portanto, não se preocupe: castigue a sua filha à vontade, que nós ainda vamos cá estar quando ela aprender a lição. E é possível que ainda nem tenhamos vendido a Rua Augusta.

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Cumprimentos,

Cláudio

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Nossa Senhora dos Exames

A aprovação da sétima avaliação da Troika “foi uma inspiração divina de Nossa Senhora de Fátima” – Cavaco Silva, 15/5/2013

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Ao contrário da maioria, não me choca que Cavaco Silva atribua resultados políticos a intervenção divina. As pessoas à beira da morte política têm tendência a ver a luz. Choca-me é a dualidade de critérios com que se tratam as pessoas. Quer dizer: o Sócrates tira uma licenciatura com exames feitos em restaurantes – é vexado. O Relvas faz uma licenciatura com equivalências manhosas – é posto na rua. O Passos Coelho faz uma avaliação com cábulas divinas – é de agradecer.

Atenção: pessoalmente, não fiquei chateado com o Passos Coelho, que fique bem claro. Um indivíduo quando precisa de dinheiro faz coisas impensáveis, e como dizem os pedintes do Metro, “mais vale andar a pedir do que ir roubar”. Como português, concordo: prefiro ouvir o Cavaco a dizer que se pediu ajuda à Santa do que ler na capa do Correio da Manhã: “Passos rouba Nossa Senhora de Fátima por esticão”.

Até percebo o desinvestimento na área da educação: para quê sustentar imensos professores, auxiliares e salas de aula, quando podemos juntar os putos numa capela de braços para o ar e eles passam à mesma? Dinheiro mal gasto. É por isso que nunca dou valor ao facto de a Universidade Católica ser a universidade portuguesa mais bem cotada a nível mundial. Pff, grande coisa, com cruzes na sala toda a gente é boa.

Só queria deixar uma questão que, no meio disto tudo, não me encaixa no cérebro: temos um país pobre, o Benfica numa final europeia em Amsterdão e o Presidente da República a falar na N.Sra… então porque é que fecharam as smartshops, logo agora que estamos a entrar nos anos 60?


“Acreditem no futuro, que este ano não há presente” – Carta do Pai Natal aos portugueses

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Como sabem, eu entrego presentes com base nas cartas que os meninos me enviam. Por isso, este ano informo que NÃO vai haver presentes para ninguém em Portugal. Passo a explicar: 

Recebi uma carta da menina Isabel Jonet a dizer que os meninos portugueses não merecem nada porque vão a concertos e lavam os dentes com muita água, e que além disso eu devia ponderar muito bem se queria gastar o meu orçamento a fazer presentes e depois habilitar-me a cair de uma chaminé e não ter dinheiro para fazer um raio-x.

Mesmo assim resolvi ser radical e arriscar a minha ossada. Mas depois recebi uma carta do menino Vítor Gaspar a garantir que me cortava as prendas ao meio com um imposto afiado mal eu entrasse no espaço aéreo português. A menos que eu andasse sempre junto à fronteira até à Guarda, que aí os aviões portugueses não apanham ninguém.

“Que se lixe, Nicolau, que isto dos presentes são como os subsídio. Mais vale metade na mão do que um inteiro a voar.” E resolvi dar meio presente a todos os meninos portugueses!

Foi então que recebi uma carta do menino Pinto da Costa a dizer para não dar meio presente a meninos que vivam no Sul, porque eles são marroquinos, nem a meninos árbitros, que ele próprio já providencia essa parte. E pensei “OK, mas pelo menos dou a este menino Costa, que é altruísta.” Mas logo em seguida recebi uma carta do menino Luís Filipe Vieira a dizer para não ligar ao menino Pinto da Costa, que ele é feio. E dá puns na tribuna presidencial. E pensei “Porra! Nem no Natal esta gente deixa de ser ignorante, fuinha, aldrabona e queixinhas!”

E portanto, Portugal: que tenham um Feliz Natal, mas não contem comigo para fazer 5.000km para nada. Ainda por cima porque tenho de abastecer quando aí chego e só um depósito de gasóleo na GALP dá para oferecer presentes a metade do Botswana.

 

Com carinho, 

Nico


A culpa é vossa, gastadores!

Pois é, meus amigos, a culpa é vossa. E não venham com desculpas porque já foram desmascarados. A culpa é toda vossa! A culpa de quê? Do estado degradante do país, obviamente!

Sim, agora finalmente abriram-me os olhos para a realidade. Durante muito tempo apontei os gastos excessivos dos governos, as fraudes da Banca, a especulação criminosa da Bolsa, a incompetência dos organismos de fiscalização da economia, o caso BPN, o caso Madoff, os negócios em offshore, os investimentos fantasma e a incompetência de quem actualmente se encontra à frente dos destinos do país como os responsáveis pelo empobrecimento gradual de Portugal, mas agora, graças a Isabel Jonet, percebi que estava errado.

A culpa é vossa, seus gastadores compulsivos! Escusam de estar a abanar a cabeça, a Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome já vos topou há tempos, seus bandidos. Vocês que andaram anos a viver acima das vossas possibilidades é que afundaram isto. Vocês e a vossa mania de pegarem no vosso salário, ganho com o vosso trabalho, e gastarem-no como bem entenderem deram cabo deste paraíso.

Eu, no fundo no fundo, já desconfiava. Bem via o meu avô com os seus 200€ de reforma a pagar 125€ de renda de casa e a comer a sopa a seguir e pensava para mim: “olha o velho, ãh?! A querer parecer rico a viver numa casa. Isto assim qualquer dia tem de rebentar. Com o dinheiro que ele ganha, viver numa coisa que não seja um cartão velho de um frigorífico é viver claramente acima das suas possibilidades!”

Até eu, confesso, tenho a minha quota parte de responsabilidade nisto. É verdade! Ainda me lembro dos meses que andei a juntar dinheiro para comprar um amplificador de guitarra e para ir ao Fringe Festival em Edimburgo. Isto realmente não há outra forma de dizer: fui um irresponsável consumista! É que se calha eu cair quando fui buscar o amplificador, já não podia fazer uma radiografia!

Mas o pior é mesmo aquela gente que pensa que o país é uma caixa multibanco gratuita gigante e grátis e se mete a lavar os dentes com água a correr. Esses é que me tiram do sério! Isto era gente para ir presa, que estes é que são os principais culpados disto tudo. E há muitos que, para além da água a correr, ainda usam pasta e escova de dentes! Enfim… É um fartar vilanagem. Eu, depois de ouvir a corajosa Jonet, comecei logo a fazer a minha parte e hoje lavei os dentes com água da chuva e a esponja de lavar a loiça. E não, não gastei pasta de dentes, pois usei os restos do detergente que estavam na esponja. O truque é usar a parte verde para à frente e a amarela para os lados. Para além disso, hoje almocei sola de sapato velho, mas daqueles irrecuperáveis, grelhadinha como se fosse bife acompanhada com umas folhas do jornal Metro, que é grátis, fritas em rodelas. Agora sim, posso dizer que estou a viver de acordo com as minhas possibilidades.

E quem se queixa de que isto é miséria, não sabe do que fala. Eu antes também enchia a boca a dizer que o país estava na miséria, mas isso foi na época AJ (antes de Jonet), pois desde que entrámos em DJ (depois de Jonet) percebi que se há coisa que ainda não existe em Portugal é miséria. Aliás, aquele pessoal que está a dormir ao lado de Santa Apolónia não são sem-abrigo, não pensem nisso! São sim pessoal com insónias que segue os ensinamentos de Jonet, pois em vez de gastarem dinheiro em comprimidos para dormir, vêm ouvir o som constante dos comboios, que dá sono, e sonhar que estão dentro de um que os tire daqui para fora de vez…

Por isso, meus amigos, vamos ver se deixam agora o governo trabalhar em paz e se, em vez de se manifestarem por estarem mal, começam mas é a contribuir com a vossa poupança. Hoje podem começar por saltar o banho e jantar o animal de estimação que tiverem e amanhã é saltar o pequeno almoço e virar a roupa interior do avesso que ainda aguenta um dias.

E vocês, desempregados, mantenham-se calmos, que poupam nos medicamentos para o coração e assim não nos assustam a nós, pessoas.


Ai aguenta, aguenta!

Os Aristocratas captaram uma conversa entre o Governo e o Povo.
Não aconselhável a menores de 18 anos.
O vídeo. O Governo não é aconselhável a ninguém.


Erros de cálculo

Ora então parece que temos de aguentar com mais austeridade.

Ele há erros de cálculo tramados, não é? Logo a começar pela data escolhida para o anúncio das novas medidas. O Governo até pensou bem, “vamos lá dizer ao pessoal que lhes vamos aumentar a contribuição para a Segurança Social mesmo antes do jogo da selecção, que depois damos uns 5 ou 6 lá aos amadores do Luxemburgo e ninguém se lembra mais do assunto”. O que o Passos não estava à espera era de um 2-1 à rasca. Ainda por cima, o golo dos luxemburgueses foi marcado por um contabilista que até é português. E ainda dizem que Deus não tem sentido de humor…

Mas este governo é um verdadeiro prodígio no que toca a erros de cálculo, como se pode ver pela derrapagem de 3 mil milhões de euros na receita fiscal prevista no Orçamento Rectificativo. É nisto que dá o Primeiro-Ministro mais africano fazer orçamentos tendo como base apenas as previsões do Mestre Bambo.

Mesmo o timing do post do Passos, perdão, do Pedro no Facebook parece inspirado no tempo de entrada à bola de um João Pereira. No entanto, com isto ficámos a saber que os assessores de imprensa do nosso Primeiro-Ministro também devem ter concluído o curso com equivalências, de certeza, o que demonstra uma certa coerência. E nem tudo foi mau neste post. Por exemplo, hoje posso esfregar na cara da minha família que mesmo tendo cabelo comprido e vestindo calças à boca-de-sino pretas, o Primeiro-Ministro trata-me por “amigo”, apesar de nunca me ter convidado para uma moambada ou de não me ter arranjado nenhuma nomeação para a EDP ou para RTP… (Que rico amigo, óh Pedro…)

Contudo, o maior erro de cálculo do Governo foi acreditar que, apesar de a curto prazo ganharem dinheiro com estas medidas, os empresários iam estar calados ou, não estando calados, iam defender o infalível plano governamental. É no que dá ter um governo maioritariamente de crentes… O problema é que nenhum dos empresários gosta de subir a azinheiras e o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal já veio dizer que a redução da taxa social única para as empresas não vai diminuir o desemprego coisa nenhuma. E o pior é que o Marcelo Rebelo de Sousa só volta a falar no próximo Domingo e, com uma semana de intervalo, mesmo o melhor detergente tem dificuldades em disfarçar as nódoas…

A coisa boa disto tudo é que ainda sou capaz de recuperar o dinheiro que perdi quando, contagiado por este executivo, também cometi um erro de cálculo e apostei que as novas medidas de austeridade iam envolver o aumento do IVA.  É que desta vez vou ser eu a organizar o jogo. Já agora, alguém quer entrar no bolo? A aposta na queda do Governo antes do final do mês está em 9 para 1…


Eventos improváveis: Fim do Mundo vs. Retoma Económica

 VS. 

Até esta semana tinha para mim que o Fim do Mundo em 2012 era de longe a profecia mais pateta que já tinha ouvido em toda a minha vida. Depois o Primeiro Ministro disse que a Retoma Económica vinha em 2013 e pensei “Eh lá, temos aqui rivalidade à séria!”

Passos Coelho pôs em causa a minha ideologia, o que me deixa deveras aliviado: depois de pôr em causa o meu emprego, a minha saúde, as minhas poupanças e a educação dos meus filhos, confesso que a minha ideologia se estava a sentir um bocado deixada de parte pelo sr. Primeiro-Ministro.

Posto isto, elaborei um questionário científico de meia dúzia de perguntas para aquilatar de uma vez por todas qual dos dois é o acontecimento mais provável – Fim do Mundo em 2012 ou Retoma Económica em 2013?

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Q1 – QUAL O EVENTO QUE DESPOLETA A SITUAÇÃO?

Fim do Mundo: Inversão de polaridade provoca cenas astrológicas mais esquisitas que as previsões da Maya e uma onda de energia e/ou um asteróide embatem com a Terra e matam toda a gente.

Retoma Económica: Inversão de política provoca crescimento económico mais esquisito que as previsões do Banco de Portugal e produtividade embate num nível recorde e mata o défice.

PONTO PARA O FIM DO MUNDO

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Q2 – QUEM O ANUNCIOU?

Fim do Mundo: Os Mayas, um povo que fazia previsões com métodos de há milhares de anos atrás

Retoma Económica: Passos Coelho, um tipo que faz política com tiques de há 50 anos atrás.

PONTO PARA O FIM DO MUNDO

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Q3 – QUEM MAIS ACREDITA NISSO?

Fim do Mundo: Malucos, cientistas do apocalipse e demais profetas da desgraça.

Retoma Económica: Vítor Gaspar.

EMPATE TÉCNICO

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Q4 – QUAL O GRAU DE EXATIDÃO NA PREVISÃO DO EVENTO?

Fim do Mundo: Exatamente a 21 de Dezembro de 2012. No limite mais um dia.

Retoma Económica: Exatamente em 2013. No limite mais uma década.

PONTO PARA O FIM DO MUNDO

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Q5 – QUAIS OS ATUAIS SINTOMAS DO POSSÍVEL EVENTO?

Fim do Mundo: Fanny lançou uma música.

Retoma Económica: Há portugueses a comprar a música da Fanny.

PONTO PARA A RETOMA ECONÓMICA

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Q6 – QUE VANTAGENS TRAZEM PARA OS PORTUGUESES?

Fim do Mundo: Deixo de ficar a dever a casa ao Banco.

Retoma Económica:

Voltam o emprego e a prosperidade, pela seguinte ordem: políticos, filhos de políticos, sobrinhos de políticos, gente com afinidade próxima a políticos, boys dos políticos, amigos dos boys dos políticos.

Aumenta também o trabalho mal pago, pelas seguintes prioridades: Povo, Povão, Pobre, Pé Descalço, Zé-Povinho, Zé-Ninguém, Zé-Sem-Cunhas, Zé-Que-Até-Conhece-Pessoas-Mas-Quer-Subir-Em-Função-Do-Seu-Talento-És-Pouco-Estúpido-És.

PONTO PARA O FIM DO MUNDO

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RESULTADO FINAL: FIM DO MUNDO 4 – RETOMA ECONÓMICA 1

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E pronto, parece que vem aí o fim do Mundo. Pelo menos agora percebo porque o Governo diz à boca cheia que estamos bem e não precisamos de renegociar a dívida. Caramba! Dinheiro para 4 meses temos nós que chegue.

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Nota: este trabalho de grande rigor científico foi elaborado na Silly Season e inspira tanta confiança como António José Seguro.


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