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Sr. Geppetto! Venha buscar o seu menino!

Exmo. Sr. Geppetto,

Venho por este meio solicitar o apoio do vosso serviço de pós-venda para recolha de um artigo defeituoso que ultimamente anda a dar má fama ao seu trabalho em todos os meios de comunicação. Não sabemos o número de série nem ninguém lhe viu a etiqueta, mas pelo discurso não engana: é uma obra sua.

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(Junto envio foto para correta identificação do produto)

Atenção: eu sou fã da vossa empresa, não considero que este exemplar seja completamente mau e até acho interessantes alguns upgrades. Por exemplo: gosto que o tenha programado para dizer repetidamente aquela do tipo que está no fundo do poço e acha que a única solução é continuar a escavar. Podia era ter-lhe inserido também aquela do menino que já tem um nariz do tamanho da Torre dos Clérigos e acha que a única solução é continuar a fazê-lo crescer. Isso já nos atormentava um bocadinho menos o já de si atormentado futuro.

Bem sei que deve estar a pensar: “Que exagero! Atormentar o futuro! O meu menino é só uma personagem do faz-de-conta, ninguém vai dar valor político ao rapaz.” Pois isso é muito bonito, sr. Geppetto, mas a lógica das fábulas e contos não se aplica à política portuguesa.

Para começar, as fábulas têm moral.

E, para nós, “contos” é apenas uma unidade monetária da qual se calhar nunca devíamos ter saído.

Não acredita? Eu dou-lhe três exemplos simples:

1. Nas fábulas, o pastor mente sobre o lobo. Um dia está a dizer a verdade e as pessoas não acreditam; em Portugal o político mente. Um dia repete tantas vezes a mentira que as pessoas acreditam;

2. Nas fábulas, o Coelho perde a corrida para a tartaruga; em Portugal ganha a corrida para primeiro-ministro;

3. Nos contos, a Cinderela encontra um príncipe e fica rica e feliz; em Portugal, as irmãs e a madrasta continuam a viver à grande e obrigam a Cinderela a trabalhar o dobro para pagar o défice.

Dito isto, e à falta de um serviço de reboques para levar o seu menino com urgência, pedia-lhe que autorizasse que passemos já para a parte da história em que ele é engolido pela baleia. Não que exista de momento alguma disponível para degustar este exemplar, que até as baleias têm um estômago sensível. Mas temos outro mamífero com uma boca igualmente gigante e que anda há muito tempo cheio de vontade de estraçalhar a sua criação.

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(Junto envio foto para sua aprovação)

 

Fico a aguardar resposta.

 

Cumprimentos,

Cláudio

 

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Larguem o bebé real! Dêem miminhos ao novo governo!

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O português não gosta do que é seu. Está nos genes Eu ainda nem escrevi vinte palavras e já não gosto deste texto. Porque é meu. Estivesse escrito em inglês e já estava a rebolar no chão. “‘Portuguese hate their own stuff.’ Ahahah, estes ingleses é que nos topam, pá!”

Não me surpreende, pois, que achemos muito amoroso o nascimento do bebé real inglês e não tenhamos o mínimo gesto de fofura para com o nascimento do novo governo. Eu acho isso vergonhoso e apresento cinco razões após as quais, se você continuar a achar o bebé real mais fixe que o novo executivo, devia apanhar um escaldão nas virilhas e chover todo o ano à sua porta, seu camone de uma figa.

 

1. A transparência

Ai o CV de Rui Machete não inclui a sua passagem pela SLN? E a notícia do bebé real não inclui que ele nasceu de uma queca entre o William e a Kate! Ah… afinal não é só o Governo que oculta o seu passado pornográfico.

 

2. A produtividade

O bebé real já nasceu e ainda ninguém lhe deu um nome. O novo Governo ainda nem tomou posse e já metade da população lhe chamou todos os nomes e mais alguns.

 

3. O efeito no país

O bebé real só daqui a uns 20 anos é que vai contribuir com algo para o país. O novo governo vai já fazer algo de positivo para Portugal em 2015, nomeadamente sair.

 

4. A modernidade

O bebe real é chato e tradicional: foi concebido naturalmente por uma homem e uma mulher. O novo governo é vanguardista: toda a gente vê que é artificial e resulta da união de dois homens, em que um usa camisas abertas até ao peito.

 

5. O esforço

Para parirem este novo governo, Passos e Portas tiveram de ouvir o Presidente da República e levaram uma semana com o António José Seguro. Isso era o mesmo que obrigar o William e a Kate a ter aulas de educação sexual com a Isabel II e a conceber o bebé numa mènage a trois com a Camila Parker Bowles.

Aí sim, dava-lhes valor.


It’s alive!

Cavaco-SilvaGoverno de Salvação Nacional, consenso entre os três partidos que assinaram o memorando e uma viagem a Cabo Verde, eis os desejos de Cavaco Silva para 2013.

Pois é, ontem o nosso Presidente deixou a sua cripta e veio falar à nação, mas só porque conseguiu marcar a conferência para a hora do telejornal, que é coisa que ele não vê. Fosse à hora da novela e tinha ficado em casa de robe, pantufas e fralda já posta.

E o que disse o Cavaco? Sinceramente, não sei. Emprestei o meu dicionário de Latim-Português ao meu irmão e não consegui traduzir tudo. Mas daquilo que percebi, o nosso excelso Presidente aproveitou a oportunidade para: dar um tiro no Coelho, mandar o submarino do Portas ao fundo e assegurar-se de que o Seguro se deitaria inseguro.

Sim, ao contrário do que todos pensávamos, o Sr. Silva está vivo e com uma declaração conseguiu entalar os 3 líderes dos 3 maiores partidos do país e reduzir à insignificância os outros 3 com assento parlamentar.  Cavaco não aceitou este “novo” governo, mostrando a Portas que nem sempre as mulheres conseguem tudo o que querem com os seus jogos mentais; afirmou que o governo não vai chegar ao fim do mandato, mostrando ao Passos que por mais que ossorriso-de-vaca pais amem os filhos, chega a um ponto em que têm de parar de lhes pagar a fiança e de os ir buscar à esquadra; e meteu o Seguro entre a espada e a parede, prometendo eleições antecipadas, mas não agora, só daqui a um ano e desde que ele aceite um compromisso com CDS e o PSD que faça o PS cair a pique na opinião pública. Nada mau para alguém que há pouco tempo falava no sorriso das vacas e em sinais da Nossa Senhora.

Aliás, eu começo a pensar que o Sr. Silva é mais esperto do que julgamos. Eu vou passar a vê-lo com outra atenção. É que agora não sei se ele não é aquele avô que se faz de tolo e surdo para ouvir o que toda a gente diz e saber quem tira do testamento.

E digo “não sei” porque, apesar de tudo, ainda vejo no nosso Presidente alguns tiques de demência. Tudo bem que a jogada política é boa, mas falar num governo de salvação nacional com Portas, Passos e Seguro é coisa que só se ouve às 4 da manhã, num beco, e gritado por um sem-abrigo que, de seguida, diz que se chama Napoleão e que o Polifemo lhe barrou os sapatos com papas de aveia. Um governo de salvação nacional com Portas, Passos e Seguro é como meter os Three Stooges a protagonizarem o “Desaparecido em Combate”.

The-Human-Centipede.avi_snapshot_00.30.28_2010.06.01_19.55.00Além disso, Cavaco diz que é preciso uma figura consensual em Portugal para fazer a ligação entre partidos! Enfim… Uma figura consensual… Para fazer a ligação entre partidos não é preciso uma figura consensual, Aníbal, é preciso é uma empresa grande o suficiente para empregar gente desses 3 partidos. Ou então alguém que goste do “The Human Centipede”… E depois, consensual em Portugal, neste momento, só mesmo o rabo da Carolina Torres. No entanto, tenho a certeza que hoje de manhã, quando acordou, o Cavaco tinha à sua espera um ramo de flores e uma caixa de vinhos enviada pelo José Gomes Ferreira…

No meio disto tudo, ainda não se sabe bem o que se vai passar. Aliás, neste momento só tenho certeza de uma coisa: já nenhum pai quer que o seu filho seja médico. Hoje em dia, toda a gente sabe que a profissão com mais saída em Portugal é Comentador Político.

comentadores


Carta de Demissão do Ministro da Contribuição Obediente

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Exmo. Sr. Primeiro Ministro,

1. Venho por este meio apresentar a minha demissão de Ministro da Contribuição Obediente.

2. Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável até as Finanças me virem tentar ficar com a casa, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.

3. São conhecidas as diferenças que tive com o ministro das Finanças, ao ponto de ele só começar a ir ao Pingo Doce sem segurança quando soube que eu comecei a fazer compras no Jumbo Online. Infelizmente para ele, outros colegas contribuintes continuaram a fazer compras no Pingo Doce.

4. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo de prosperidade onde poderia voltar a levar a família ao McDonals ou até, quem sabe, ir ao cinema. O céu era o limite.

5. Contudo, o primeiro-ministro entendeu que era uma vergonha para Portugal ter uma secretária de Estado suspeita de contratos onerosos para o país. Vai daí, promoveu-a a ministra, porque a ministros suspeitos já estamos nós habituados. Respeito mas discordo.

6. Paguei, atempadamente, os meus impostos e taxas sem esboçar um gesto de altercação, sem verter uma lágrima. A exceção foi aquando daquela ideia peregrina da TSU. Mas aí o meu ânus falou mais alto e disse “Psht, eh! A dor tem limites!”. Mesmo assim, a minha opinião nunca foi tida em conta e o senhor primeiro ministro optou pela continuidade desta tirana austeridade.

7. Em consequência destes eventos, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério da Contribuição Obediente, continuar a pagar este circo seria um ato de dissimulação. Não é financeiramente sustentável, nem é pessoalmente exigível.

8. Ao longo destes dois anos protegi até ao limite da minha carteira o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, esse esforço é deitado para o lixo pelo Governo torna, efetivamente, dispensável o meu contributo.

9. Agradeço a todos os meus colegas do Ministério da Contribuição Obediente o seu espírito de sacrifício inestimável que não esquecerei. Agradeço aos membros deste Governo a oportunidade que me deram de estar na linha da frente deste grande projeto de empobrecimento nacional.

 

Com os melhores cumprimentos ,

Cláudio Almeida

 

PS: Como prova de que não fico com ressentimentos, junto envio uma foto que recorda os nossos bons velhos tempos de coligação.

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I’m in love with a Political Star

passos-coelhoPronto, não há volta a dar, vou ter mesmo de o admitir: o Passos conquistou-me!

É verdade. Eu que durante meses o critiquei, hoje tenho de estar do seu lado. E porquê, pergunta o leitor a tresandar a sardinha com pimento e bedum de duas semanas? Porque, tal como todo o bom português, derreto-me quando vejo alguém com patologias graves a falar das suas conquistas.

Passos Coelho veio hoje dizer que se orgulha do trabalho do governo. Sinceramente, eu também. Não é todos os dias que vemos um autista preso no seu mundo de austeridade a conseguir bater o record de desemprego, a aumentar a dívida pública para números superiores a 117% do PIB, a proporcionar recuos na economia na base dos 4% por trimestre, aImagem Dia Mundial Trissomia 21 - Rafael levar milhares de pessoas a preferirem passar tardes em manifestações do que na praia ou com a família, a dar-nos pérolas como Miguel Relvas, Nuno Crato ou Vítor Gaspar, etc. Aliás, são tantas as vitórias do Passos que, para mim, já merecia aparecer num daqueles cartazes com os miúdos com Trissomia 21 a dizer “Acredita, eu consigo… acabar com Portugal”.

Passos sente orgulho no que fez pelo país e bem. Aliás, devia ter orgulho em mais coisas, como por exemplo naquilo que fez pela Tecnoforma, ou naquilo que fez por António Borges depois de este ter sido corrido da troika por falta de competências, ou mesmo naquilo que fez pela Parpública. Passos realmente fez muitas coisas de que se pode orgulhar. Infelizmente, correr a Maratona de Boston não foi uma delas.

E se ainda não estão convencidos, Passos conseguiu com que os portugueses sejam hoje vistos lá fora como “gente trabalhadora, cumpridora e honrada”. Estão a ver? Pois é, escravos deste gabarito não encontram em mais lado nenhum.

jsdAlém disso, Passos mostrou que é mais do que um primeiro-ministro brilhante, um profissional exemplar e um tenor de excepção, Passos é também um humanitário, uma alma caridosa, um amigo… principalmente para quem está na JSD. Com Passos vimos entrarem para cargos ligados ao governo perto de 4500 “boys” (sendo que alguns são “girls”, o que segundo consta não terá sido do agrado de alguns membros da coligação) e isto é de louvar, pois toda a gente sabe como está difícil aos jovens arranjarem trabalho, principalmente um daqueles trabalhos onde paguem perto de 3000 euros.

E é por isto que eu digo sem vergonha: Passos Coelho conquistou-me! E sinceramente estou bem mais feliz assim. É que se é para continuar a ser comido, mais vale estar apaixonado. Dói menos.
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Nossa Senhora dos Exames

A aprovação da sétima avaliação da Troika “foi uma inspiração divina de Nossa Senhora de Fátima” – Cavaco Silva, 15/5/2013

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Ao contrário da maioria, não me choca que Cavaco Silva atribua resultados políticos a intervenção divina. As pessoas à beira da morte política têm tendência a ver a luz. Choca-me é a dualidade de critérios com que se tratam as pessoas. Quer dizer: o Sócrates tira uma licenciatura com exames feitos em restaurantes – é vexado. O Relvas faz uma licenciatura com equivalências manhosas – é posto na rua. O Passos Coelho faz uma avaliação com cábulas divinas – é de agradecer.

Atenção: pessoalmente, não fiquei chateado com o Passos Coelho, que fique bem claro. Um indivíduo quando precisa de dinheiro faz coisas impensáveis, e como dizem os pedintes do Metro, “mais vale andar a pedir do que ir roubar”. Como português, concordo: prefiro ouvir o Cavaco a dizer que se pediu ajuda à Santa do que ler na capa do Correio da Manhã: “Passos rouba Nossa Senhora de Fátima por esticão”.

Até percebo o desinvestimento na área da educação: para quê sustentar imensos professores, auxiliares e salas de aula, quando podemos juntar os putos numa capela de braços para o ar e eles passam à mesma? Dinheiro mal gasto. É por isso que nunca dou valor ao facto de a Universidade Católica ser a universidade portuguesa mais bem cotada a nível mundial. Pff, grande coisa, com cruzes na sala toda a gente é boa.

Só queria deixar uma questão que, no meio disto tudo, não me encaixa no cérebro: temos um país pobre, o Benfica numa final europeia em Amsterdão e o Presidente da República a falar na N.Sra… então porque é que fecharam as smartshops, logo agora que estamos a entrar nos anos 60?


Auditoria aos cortes nos Ministérios

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Exmo. Sr. Ministro das Finanças,

Após uma extensa auditoria aos serviços que sofreram cortes promovidos por V.Exa., congratulamo-nos por verificar o acerto da medida por V.Exa. tomada, quase tanto como nos congratulamos por V.Exa. ter pedido mais esta auditoria e ter aceitado o aumento de 40% no custo dos nossos serviços, face à auditoria da semana passada à qualidade dos piaçabas dos WC da Assembleia.

Segue-se um resumo do ponto de situação e das oportunidades de melhoria detetadas pela nossa equipa de auditores:

  1. Na Saúde provou-se ser um mito que o corte de despesas levasse a mais mortos. Na verdade, no último mês só 10% das mortes foram por falta de medicação. Os outros 90% morreram, mas deram-lhes uma aspirina;
  2. Os professores não têm recebido e a moral anda em baixo. É preocupante, porque já temos mais professores a pedir baixa psiquiátrica por falta de ordenado do que por levarem porrada dos alunos. Só para ver a dimensão. No entanto, está tudo controlado. Já chamámos o sr. Bruno de Carvalho para se sentar nas aulas ao lado dos professores afetados, porque o presidente do Sporting já deu provas de saber motivar pessoas com ordenados em atraso;
  3. A Segurança Social, após V/ medida de contenção, está um caos. A Segurança Social, antes da V/ medida de contenção, estava um caos. Concluímos que a V/ medida não afetou o estado da Segurança Social;
  4. A Assembleia é o único ponto onde encontramos claras insuficiências e oportunidades de melhoria. Detetámos na cantina pratos como Bacalhau com Natas, Carne de Porco à Alentejana e Grelhada Mista. Os deputados de direita estão prestes a iniciar um motim, porque reclamam que aquilo não é uma Assembleia, é um jantar de grupo no Bairro Alto. Os deputados de esquerda estão prestes a iniciar um motim, porque reclamam que, se aquilo é o Bairro Alto, então falta a droga.

Dispomo-nos para nos deslocar à Assembleia para quaisquer esclarecimentos, ao custo de 750 euros por deslocação, mas só até à próxima sexta feira. Na segunda já estaremos no novo projeto de auditoria a esta auditoria e, como tal, não nos poderemos pronunciar sobre esta auditoria visto sermos os auditores que estão a auditá-la.

Com os melhores cumprimentos,

M.R.

Relvas Auditing Company


Voltei, voltei…

José-SócratesSócrates está de volta, vai ser comentador da RTP e Portugal ficou mais histérico que o Pedro Granger depois de descobrir que já há dildos do Justin Bieber.

Antes de mais, tenho de dar a mão à palmatória e também ao juiz desembargador que me paga as contas: para alguém com um nível de escolaridade tão baixo, o Relvas é brilhante!  Esta jogada de meter a RTP a contratar o Sócrates, digam o que disserem, é de génio! É que com uma só decisão consegue: abafar o facto de também terem contratado Morais Sarmento (o ex- Ministro da Presidência dos “governos” de Durão e Santana), meter as pessoas a falar no antigo primeiro-ministro em vez de falarem nas críticas que a troika fez ao governo na 7ª avaliação e nas habituais previsões erradas do Gaspar, destabilizar o Seguro, que já andava de peito feito e meter milhares de pessoas a favor da privatização da RTP. Brilhante, senhor Ministro! No entanto, apesar de genial, esta é também uma jogada de risco. Sócrates garante audiências, é carismático e, apesar de não ser um cantor do gabarito do Passos, atrai tanto a mulherada como o pessoal que vai beber Safari Cola ao Finalmente. Numa altura em que o governo está mais fragilizado do que a Elisabeth Fritzl, pode correr mal dar tempo de antena a alguém assim, principalmente quando esse alguém consegue meter mais gente a ver a RTP do que o Fernando Mendes a apresentar o Preço Certo com uma farinheira e três chispes a sair-lhe da boca.

Se Sócrates tem legitimidade para ser comentador político depois da sua governação? Na minha opinião, tem. Não pornuno ter sido um bom primeiro-ministro, atenção! Mas sim porque quando temos gente como o Nuno Rogeiro, o Pacheco Pereira ou o Nuno Melo como comentadores, qualquer um o pode ser, desde que tenha um cabelo grisalho e que use frases como: “antes de mais, convém fazer um ponto prévio”, “essa não é a questão essencial” e “a culpa, toda a gente sabe, vem do anterior governo”. Aliás, tendo em conta o actual painel de comentadores nacionais, pode mesmo dizer-se que Sócrates será dos poucos que saberá do que fala, pois foi um dos responsáveis por estarmos onde estamos.

cinhaNo entanto, toda esta agitação em torno do regresso de Sócrates à vida pública me parece exagerada. Sócrates foi 3 vezes a eleições, venceu duas e perdeu uma. Foi um primeiro-ministro eleito pelo povo. Foi bom? Na minha opinião, não. Mas e Santana Lopes? Foi um primeiro-ministro não eleito, teve mandatos desastrados à frente de duas autarquias, foi presidente de um clube de futebol que não venceu nada e, pior que tudo isto, andou a papar a Cinha Jardim! No entanto, é hoje um comentador respeitado da nossa praça e não vejo ninguém indignado com isso.

Sócrates vai ser comentador da RTP, está decidido, não vai cobrar nada, até porque não precisa, uma vez que as roupas no Freeport são baratas, e vai dar audiências, o que é positivo para um canal que tem menos espectadores do que dois cães a pinar no Youtube. Se é uma vergonha ou não, as opiniões dividem-se. Agora, uma coisa é certa: tanto eu como vocês vamos ver, quanto mais não seja para podermos treinar os insultos para os jogos finais do campeonato.

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Eu tenho a coragem de o dizer: o Primeiro Ministro é brilhante.

Na interpretação deste texto tenham em conta uma premissa que devia ser óbvia para todos mas que eu realço, não vá alguém ter dúvidas.

O povo é estúpido. O Primeiro Ministro é brilhante.

Pronto. Irei ressalvar esta ideia ao longo do texto, não vá o leitor se esquecer. Porque o leitor é do povo. E o povo é estúpido. O PM é brilhante.

 

Sr. Primeiro Ministro, foi com grande júbilo que vi a sua entrevista de ontem à noite. Já a minha esposa, infelizmente, retirou-se da sala para os seus aposentos por considerar que o seu penteado não era digno de assistir à entrevista da Judite de Sousa. Posto isto, cabe-me elucidar este povo estúpido do quão V.Exa. é brilhante, ressalvando algumas das suas ideias brilhantes que asseveram a este povo estúpido um futuro imerecidamente brilhante.

 

Não é preciso mais tempo nem mais dinheiro.

Eu sempre disse aos meus amigos estúpidos que o sr. PM sabe o que faz. Gostei que tenha elucidado que não temos mais tempo para políticos com deslocamento testicular. E que também vai parar de nos pedir mais dinheiro só porque sim. Eu sou seu conterrâneo, não sou seu pai. Brilhante conclusão, sr. PM.

 

“Tivemos uma surpresa: Tivemos menos receita do que o previsto.”

Há coisas do arco da velha, sr. PM. Então eu na semana passada também não me convenci de que ganhava o Euromilhões e depois saem-me os números todos ao lado?!

 

“(…) os resultados têm aparecido. Por exemplo no equilíbrio externo. Atingimos as metas em 2013 que tínhamos de atingir em 2016.”

Só no equilíbrio externo?! Então e no desemprego? Atingimos metas em 2012 que devíamos atingir em infinitos e mais além. Não seja tão modesto, sr. PM. Quando um tipo é brilhante, um tipo é brilhante.

 

“Número dois do Governo é o ministro das Finanças, evidentemente. O número três é o ministro dos Negócios Estrangeiros.”

Ótima ideia dizer o onze inicial do Governo, sr. PM. Agora só falta saber quem é o número 10, porque dava-nos jeito um estratega.

 

“Desvio da receita não é um erro de previsão.”

Claro que não, sr. PM! É a estúpida da realidade que nunca faz nada do que a gente lhe manda.

 

“Prefiro concentrar-me nas chaves do sucesso e não nas do insucesso.”

É evidente. É mais fácil decorar zero coisas do que quatrocentas e cinquenta e três mil e catorze. Simples e – não sei se já referi isto – brilhante.

 

[Para Judite de Sousa] “Ó srª drª, a senhora quer sol na eira e chuva no nabal!”.

Ah, seu malandreco! A responder com provérbios para piscar o olho ao eleitorado comunista. Eleitoralmente brilhante, sr. PM.

 

“Devo ter um problema de comunicação”

Ó sr. PM, por quem é?! (Pelos seus amigos) É claríssimo que o povo é que tem problemas de interpretação. Em consequência de ser estúpido.

Dou-lhe um simples exemplo: o sr. PM projeta um país com base no corte desmesurado e sem quaisquer ideias decentes para relançar a economia. Como é que comunica isto? “Chegaremos lá vivos. Mas vai custar muito.” Isto é brilhante, caramba. E não é mentira nenhuma, até porque a definição de vivo é muito lata.

Por exemplo, os paraplégicos estão vivos. Agora imagine que um jovem tem um acidente de carro e fica paraplégico. Um médico dirá aos pais “O seu filho não vai voltar a andar”. Porque é estúpido. O sr. PM dirá “O seu filho vai chegar a todo o lado vivo! Vai é custar muito.” Porque é brilhante.

 

“O Governo não está em crise, o Governo não está para cair (…) Posso dizer que tem o cimento suficiente.”

Cimento e mão-de-obra, sr. PM. Basta ver as ideias do seu Governo e percebe-se que os srs. estão pejados de trolhas. O sr. só tem de enfatizar isto porque o povo é estúpido.

 

“[A coligação está a] cumprir a sua missão. Que é uma missão histórica (…)”

Só um povo estúpido é que não concorda. Eu até já recortei uma foto do seu executivo e colei-a no livro de história do meu filho. Mesmo ao lado de Chernobyl e Hiroshima.

 

“Não podemos também deixar de olhar para as despesas de soberania.”

Concordo a 100% mais uma vez, sr. PM! Então faz algum sentido ter despesas com uma coisa que não existe?

 

“Podemos ser mais eficientes no sistema de Saúde, porque há mais desperdício.”

Claro que sim! Olhe, ainda no outro dia li que num cancro com probabilidade de sobrevivência de 50% estávamos a curar quase 70% das pessoas! Isto faz algum sentido?! Então se o cancro diz lá “50%” porque é que nos temos de armar em chicos-espertos? Tipicamente português. Povo cientificamente estúpido. Sempre a investir na saúde só para ser mais espertinho que os outros.

 

Temos mais margem na Educação para ter um financiamento mais repartido entre os cidadãos e o Estado.”

Oi… cuidado, sr. PM! Aqui confesso que fico na dúvida sobre o seu brilhantismo. Não em cortar nas escolas, claro, que essas estão cheias de povo e o povo é estúpido. Estou preocupado com o desinvestimento em educação na Assembleia de República, porque desinvestir em educação num sítio onde o nível de labreguice já rasa o surreal pode levar a que todas as decisões futuras sejam votadas com base em democráticas matinés de pancadaria. E isso tem duas consequências gravíssimas:

1. V.Exa. deixa de ter maioria, porque já é difícil convencer o CDS em votações pacíficas, imagine tentar convencer um grupo de betos a andar à porrada;

2. Ficaremos mal vistos aos olhos dos mercados. E sr. PM: eu ver os meus filhos sem educação e subnutridos ainda aguento, que eles são estúpidos. Mas ver um PM tão brilhante ficar mal visto pelos mercados é uma vergonha que não estou preparado para suportar.


Ai aguenta, aguenta!

Os Aristocratas captaram uma conversa entre o Governo e o Povo.
Não aconselhável a menores de 18 anos.
O vídeo. O Governo não é aconselhável a ninguém.


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