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Anos Dourados

 

Às vezes as aparências iludem. Na verdade, atrás desta minha capa de aparente superficialidade, também me interrogo sobre questões existenciais como o envelhecimento no caminho inexorável para a mortalidade. Ainda ontem dei por mim a pensar, será que vou envelhecer num grisalho charmoso assim tipo George Clooney ou será uma cena mais Richard Gere? Foi uma noite em branco à conta disto, mas acabei por não chegar a nenhuma conclusão.

Há uma altura na vida em que o relógio biológico desperta à bruta e impele um indivíduo a consumir o programa do Goucha com maior sofreguidão que uma melga numa loja de lâmpadas: a Terceira Idade. Esta fase da vida é caracterizada por impotência sexual, deterioração das funções cognitivas, dificuldade de locomoção, estômago sensível e incapacidade de tolerar mais de 30 segundos numa fila sem criticar violentamente a organização no supermercado. Ora, ”Anos Dourados”…? Que raio de ideia. Quer-me parecer que baptizar a velhice como “Anos Dourados” faz tanto sentido como chamar “anafadinha” a uma senhora com o cabedal de uma morsa.

A gerontologia é a ciência que estuda os velhos. No caso específico de Manoel de Oliveira, aí já entramos no domínio da arqueologia. Em relação à idade do senhor, eu cá não confiava no BI, acho que era melhor recorrer à datação por Carbono-14. Pouca gente sabe, mas Manoel de Oliveira chegou inclusivamente a levar a Rainha Victoria pela mão à escola. Victoria ou Isabel I, foi uma dessas. Quando ouço Manuel de Oliveira falar do seu novo projecto, penso sempre que se está a referir à vida no Além, mas não, afinal o velhote está mesmo a pensar sacar mais um filme. Um grande senhor.

Há pessoas que não valorizam os velhos, o que é cruel e profundamente irracional, pois cumprem uma função social muito importante, precisamente a de nos lembrar o quão bom é não o sermos. Por outro lado, dá sempre jeito ter um velhote ao lado no banco do autocarro, porque se um tipo tiver um ataque agudo de flatulência e ficar convenientemente calado, toda a gente vai culpar  secretamente o idoso. Sabe Deus quantas vezes já tive de recorrer a esse expediente, e agradeço com ternura ao simpático velhote anónimo que sempre lá esteve ao meu lado, fiel escudeiro pronto a fazer de cordeiro sacrificial. Outra: a figura do velhote simpático que se abanca ao lado das passadeiras. Quando o automobilista vai na sua vidinha e imobiliza a viatura para lhe dar passagem, o velhote sorri gentilmente, agradece o gesto, mas explica que está ali a desempenhar funções de pura monitorização para ajudar a escoar o trânsito, acenando com o braço e incitando o automobilista a prosseguir a marcha. Alguns condutores, lamentavelmente, não valorizam este contributo, chegando inclusivamente a injuriar o pobre ancião.

Quem acha que um jogo de sueca entre velhotes é qualquer coisa de bucólico e pachorrento, é porque nunca assistiu a nenhum, pois já se viu maior fraternidade entre cristãos e leões no Coliseu de Roma. Quando algum jogador tem o azar de cometer um faux pas é olhado como se tivesse lepra, sendo insultado abundantemente pelo parceiro e pelos adversários. ” – Ó seu azelha do cxxxxx!!!!! Eh pá, lá que andes a fazer olhinhos à minha senhora, isso ainda vai. Agora, destrunfares-me e deixas-me a manilha seca é que não, ó seu filho de um grandessíssimo cxxxxx do cxxxxxx!!!!”. Emoções fortes. Depois da catarse da injúria e sentindo a pulsação regressar lentamente ao normal, o parceiro do jogador azelha pensa para os seus botões, “Caramba! Não me sentia tão vivo desde que a enfermeira se enganou e me pôs duas pedras de sal na sopa de nabiças.”

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Se isto aqui fosse a Suécia

E se Portugal fosse como a Suécia? Isto é que era! Nestes tempos que correm é cada vez mais recorrente sonharmos com a vida da malta lá de cima. Na internet há uma ferramenta que torna este exercício de evasão ainda mais fácil. Trata-se de um site popularmente conhecido como Ikea Name Generator. Mete lá qualquer nome que o site gera uma versão suecóide dele, perfeita para batizar um móvel. Não, não vou dar o link agora senão vais abandonar este blog e pular para lá a ver como te chamarias se fosses uma estante da Ikea. Ou, mais provavelmente, um personagem do Stieg Larrson.

Calma, que vou ser breve. Apenas vou expor, numa pequena lista, como penso que seriam algumas personalidades, instituições e locais portugueses em versão sueca:

Håt Göld seria uma exportadora mundial de filmes porno.

Päços d Sferreyrke seria a capital do móvel no mundo e daria cabo da Ikea.

Käti da Casa dos Segredos saberia o que é a África, onde fica a África, a população da África, a área total da África, aliás Käti não estaria na Casa dos Segredos porque este reality show não chegaria à segunda edição por falta de audiência.

Krystiåno Ronnålddo gastaria bem menos cera para ficar completamente depilado.

Sluki Mönniz teria ganho o Eurovisão.

No Pärkwy däs Nåkoes não haveria cocós de cães no chão, nem resmungaríamos merdda! ao pisá-los.

Se Pynnto da Köjsta falasse sobre frutas ao telefone, seria para pedir à Fjernånta que comprasse lingonberries.

Manoel de Oliveira não precisaria ter um nome sueco para ser um realizador tão soporífero quanto Ingmar Bergman.

Sinha Jarddymke teria muita sinceridade capilar.

Sfé Pöfynho teria se suicidado após ouvir o último discurso à nação de Peddro Pasjsvös Kåellho.

Agora é contigo, vai ao Ikea Name Generator e converte quantos mais nomes achares necessário para transformar Portugal numa utopia nórdica: http://www.blogadilla.com/swedishFurniture/swedishFurniture.html


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