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Ideias pós-autárquicas para tornar o país mais interessante

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As  eleições mais divertidas de Portugal acabaram, deixando em nós uma depressão pós-autárquicas. E agora, caramba? Onde é que eu vou ouvir músicas foleiras com letras horrendas? Tenho de esperar pelo próximo single da Fanny? E onde é que eu vou ver pessoas feias a dar calinadas, para além do Quem Quer Ser Milionário? Não sei, são muitas questões. Sinto-me triste.

Ora, é por saber que vocês padecem do mesmo mal que vos trago 11 ideias (não confundir com 11 jogadores sem ideias, isso foi ontem) para aproveitar os ensinamentos das autárquicas e tornar este país mais interessante.

1. Formar Ninjas em Gaia para negociar um 2º resgate. Acho que conseguimos sacar o dinheiro à gorda sem ela dar por isso.

2. Substituir a lenda de D. Sebastião pela lenda do Francisco Louçã. Já ninguém acredita que o puto volte de África, e sempre era giro ver os militantes do Bloco em dias de nevoeiro a agarrar tudo o que é gigantone com óculos de 1990 e a dizer “Voltaste! Voltaste!”

3. Colocar um Carlos Abreu Amorim em cada casa, virado de costas. Os chineses dizem que dá sorte.

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4, Lançar um livro de auto-ajuda a políticos do PSD, baseado no case study do CDS: “Como aumentar o número de câmaras à velocidade com que se aumenta a dívida pública”

5. Organizar excursões de fãs da série “Modern Family” ao Porto, para verem o Phil Dunphy a governar uma cidade.

6. Usar a cara de derrota do Luís Filipe Menezes em campanhas de Associações de Apoio à Vítima.

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7. Construir um Kremlin no Alentejo.

8. Aproveitar a vitória de Recto no concelho do Redondo e fazer uma mega produção porno, em que a Erica Fontes come um presidente da câmara que também é vampiro: “Recto no Redondo: fornicada na urna.”

9. Organizar um mega evento de boxe entre o Floyd Mayweather e o Fernando Seara. Não se preocupem com o Seara: quem levou aquela coça do António Costa aguenta tudo.

10. Renomear Odivelas para “Loures do Sul” e arranjar uma guerra contra “Loures do Norte” e o seu líder, Bernardin Jong-Un.

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11. Criar o movimento “Carregueira Mais à Frente” e vê-los ganhar as próximas legislativas. Se calhar isto só lá vai com Isaltino Morais a Ministro das Finanças, Vale e Azevedo nos Negócios Estrangeiros e Carlos Cruz com a pasta da Juventude.

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Lisboa desonesta?!

soutienPois é, parece que Lisboa foi considerada a cidade mais desonesta do mundo. Não digo que não seja, até porque é cá que está a Assembleia da República, a sede do BPN e o maior número de gajas com soutiens push up, mas o que levou a Reader’s Digest a chegar a essa conclusão é que me está a chatear.

Segundo a Reader’s Digest, Lisboa é a cidade mais desonesta porque das 12 carteiras deixadas pelos seus repórteres em locais públicos, só uma foi devolvida e por um casal de turistas holandês. Ora isto, meus amigos, é uma injustiça! As carteiras não foram devolvidas porque os lisboetas são desonestos, as carteiras não foram devolvidas porque já quase nenhum português sabe o que é uma carteira! Isto é a mesma coisa que deixar gel de banho no Andanças! O pessoal olha, fica curioso, não sabe o que é e acaba por fugir com medo. Se há coisa que toda a gente sabe é que não se mexe naquilo que não se conhece! Sabe-se lá se aquilo é venenoso, ou se morde, ou pior, se é umcarteira produto financeiro “seguro” do BCP!

Além disso, os repórteres ainda deixaram as carteiras com dinheiro. 37 euros! Então querem o quê, milagres?! Quem é que, hoje em dia, apanha dinheiro na rua? E depois, passa-se factura a quem? E o IVA? E o IRS? Hoje em dia ter dinheiro na mão é ter o Passos a aparecer de trás dos cortinados, acompanhado do Cavaco vestido de Nosferatu, à noite, enquanto estás a dormir e a sonhar com os tempos em que comias dois pães com banha de porco como um rei, ao almoço. Quer dizer, dinheiro, mas pouco, que se for muito o Passos aparece mas é de dia, para te arranjar um negócio com o estado ou para saber se pode ir passar férias à tua casa em Cabo Verde.

Por isso digo: Lisboa pode ser desonesta, que é, mas não é mais desonesta que este estudo da  Reader’s Digest. Se querem catalogar Lisboa como a cidade mais desonesta do mundo, façam-no, mas comecem onde realmente interessa: nos que nos põem tão pobres, famintos e desesperados ao ponto de 37 euros comprarem a nossa integridade.

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Woo-hoo! Metro no Aeroporto!

17 de Julho de 2012: grande dia na História dos transportes longos em Portugal. Comprei umas sapatilhas tamanho 47 para correr!
Ah, e temos finalmente Metro até ao Aeroporto de Lisboa.

Sim, bem sei que o Metro levou 53 anos até chegar ao aeroporto. Mesmo assim, menos 1 ano e 37 dias do que eu levo em hora de ponta. E sem chamar nomes e estender o dedo do meio a ninguém. Classe.

 

Ao contrário do que se diz por aí, o Metro não vai fazer assim tanta concorrência aos taxistas ao nível do turista estrangeiro. Pelo menos enquanto a Linha Vermelha não der a volta por Alcochete. Nós não damos por isso porque já estamos habituados às vistas, mas garanto que fazer Aeroporto-Rossio via Freeport é uma experiência do catano.

 

Já ao nível do turista português pode fazer mossa, porque nós temos aquele sentimento de “estou em casa, acabaram-se as férias”. Estou de férias? Então toca a pagar 50 ou 60 euros para andar de táxi, bicicleta, triciclo, buggy, carrinho de rolamentos. Porquê? Porque estamos de férias há aqueles senhores exóticos que falam estrangeiro e tudo. Mesmo que o estrangeiro seja “Vamu imbora, sênhô?”

Caramba, sou capaz de pagar para andar a pé se for preciso! Porque a bem dizer isto não é andar a pé. É andar a pé no estrangeiro.

Assim que chego a Portugal, andor! Toca a alancar com as malas para o Metro, que acabaram-se as férias e eu tenho mais que fazer que dar 20 euros a um fogareiro!

 

Mais do que um meio de transporte, o Metro também é uma forma de proporcionar uma experiência bem portuguesa mal os turistas saiam do avião. A primeira coisa que irão ver são as galerias da estação, com mais de 50 caricaturas de personalidades portuguesas, de várias áreas, como Medicina, Artes e Música, o que lhes dá um cheirinho da nossa cultura. A segunda coisa que irão ver é um buraco, o que lhes dá um cheirinho da nossa economia.

 

Pessoalmente, estou contente e acho que já era altura de termos um Metro no Aeroporto como em qualquer grande cidade europeia. E tenciono usar o Metro para chegar ao aeroporto, não pelo preço, mas pela garantia de encontrar beleza nas novas vistas.

Sempre aprendi que todos os locais têm algo de bonito. Conhecendo Moscavide e a Encarnação como conheço, essa beleza só pode estar debaixo de terra.


Sismo na cabeça

Quando estava a decidir se me mudava para Lisboa, fiz uma lista de prós e contras. A lista de prós começava com “Pastéis de Belém” e era longa. A lista de contras começava com “Terramotos” e parava por aí. Com um item destes, era desnecessário acrescentar qualquer outro ponto negativo à argumentação. Seria como chamar um bando de miúdos para ajudarem o Mike Tyson a bater em alguém. Terminada assim a lista, ponderei a questão da forma como nós, seres dotados de intelecto e racionalidade, costumamos fazer:

“Não vou pensar sobre isto!!!”

E mudei-me para Lisboa.

Mas como não pensar sobre terramotos se, no dia da mudança, ao abrir pela primeira vez a caixa do correio de meu novo lar alfacinha, a primeira correspondência que me cai nas mãos é um folheto da Câmara de Lisboa entitulado: Conhecer para prevenir – o risco sísmico na cidade de Lisboa?

Depois de passar longos minutos acometida de intensa tremedeira (o que não deixa de ser um belo exercício de simulação de um evento sísmico), respirei fundo, enchi-me de coragem e li o folheto. Aprendi algumas coisas interessantes.

Em primeiro lugar, pela ilustração da capa concluí que um terramoto pode ser uma experiência agradável.

Vejam o ar de satisfação com que o pai consulta o folheto. Reparem na serenidade da mãe ao apontar a frase que consta no texto, Quando irá se verificar um sismo com características destruidoras? A ciência ainda não é capaz de responder. Notem como o filho mais velho olha embevecido para os pais como quem pensa: “Já sou crescido como eles, já não tenho mais medo do escuro, nem do Papão, nem dos sismos.”

Já a filhinha caçula, que pouco conhece da vida, está com a mão na cabeça como que a dizer: “Se acontece um terramoto, estamos lixados!” As crianças imaginam cada coisa…

O folheto traz vários outros desenhos. Eu particularmente identifico-me muito com este aqui, que acompanha a parte do texto que nos aconselha a sair dos edifícios com calma. Caso aconteça um terramoto, vou agir exatamente como na ilustração. Por mais que o texto diga o contrário.

Mas, definitivamente, a parte do folheto mais elucidativa para mim é o trecho que diz:

Um sismo é uma libertação súbita de energia acumulada na crosta terrestre, que se manifesta pela propagação de ondas sísmicas, provocando movimentos vibratórios no solo.

Ah, então é isso. Um sismo é a Terra a ter um orgasmo, enquanto a humanidade se fode.


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