Category Archives: André Silva

Novas bandeiras de praia

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A princesa pariu um puto

 

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A fecundidade, neste caso alheia, está definitivamente na ordem do dia. É a tendência deste verão, nascimentos e sinistros com transportes públicos.

Nasceu no Domingo Maria da Luz, a mais recente produção da ministra Assunção Cristas. Segundo um especialista em assuntos monárquicos que também responde ao consultório sentimental da “Maria” e faz as cruzadas no “Diabo”, Maria da Luz é a pretendente número 6.500.934.127 na linha ao trono britânico. Por via das dúvidas, a mãe já comprou todos os DVD com princesas da Disney, nunca se sabe.

A nossa história de encantar começa há muito tempo atrás, num país muito distante, onde vivia uma futura linda princesa e um príncipe de beleza um bocado relativa, fruto de gerações de consanguinidade. Nós por cá vemos os efeitos dela em qualquer edição do Big Brother ou Casa dos Segredos.

Eu tinha uma fézada neste par real, sempre os achei muito modernaços, a cena do ajoelhanço na cerimónia do casamento abria excelentes perspectivas. E aí está, o primeiro fruto da real linha de montagem, Jorge Luis Alexandre. Dom Duarte observou com escárnio o facto de o royal cachopo ter apenas três nomes próprios, parece um plebeuzito ao lado do seu Afonso de Santa Maria João Miguel Gabriel Rafael. Tadito. Na verdade, o nosso rei a fingir nunca encaixou a ideia de não ter sido convidado para o casamento.

Sou um bocado nabo em questões de protocolo, nunca sei se se pode dizer “parir” ou a realeza tem um verbo próprio. O que interessa é que o trajecto da cegonha não foi fácil, deve ter feito várias escalas. A Rainha-Mãe já estava a ficar arreliada com a demora pois queria ir de férias. Compreende-se a sua impaciência, pois já no momento da concepção pediu a William e Kate que se despachassem porque estava aflitinha para ir à casa de banho. Mas ele aí está, como os outros bebés vai sujar fraldas, mas as fraldas têm monograma.

A Austrália ofereceu um crocodilo bebé ao príncipe, é daquelas coisas que faz sempre falta. Vendo bem, para companheiro de brincadeiras sempre é menos perigoso  que a tia Sarah ou o tio Harry. A primeira prenda do tio vai ser um pijaminha beige com uma suástica bordada, ou não fosse ele um grande apreciador da couture nazi.

 

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De resto, vai ser um miúdo como os outros. As suas primeiras palavras, “Para mim é cidreira sem açucar com um farrapinho de leite”. Como qualquer miúdo vai papar a “Rua Sésamo”, só é capaz de confundir a bisavó Isabel II com o “Poupas” dada a sua pancada pelos vestidos amarelos. Vai fazer perguntas como todas as outras crianças, por exemplo “Mamã, posso ir montar os serviçais com um estribo e dar-lhes chicotadas ou tenho de comer a sopa primeiro?” E não, não poderá sair da mesa para brincar enquanto não comer a sopa, apesar de toda a gente saber como é difícil dizer que não a uma criança que faz olhos de Bambi.

Fora isso é um puto,  apenas um puto.

 

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Das ilhas Caimão para o convento

Vale tudo

 

João Vale e Azevedo, autor de frases que se tornaram célebres como “Sejamos sérios” ou “Um escudo é um escudo” foi condenado a (mais) 10 anos de cadeia, desta vez por peculato, um dos poucos crimes que lhe faltavam para fazer bingo. A grande novidade é que JVA foi nomeado sacristão do estabelecimento prisional que frequenta, na Carregueira.

Ele foi eleito, o que significa que houve algum, eventualmente até vários reclusos que acharam que ele seria a pessoa indicada para guardar a caixa das esmolas. Isto sim, é um acto de fé. Mas aquela gente vive em que mundo? Não sabem quem é Vale e Azevedo? A Sara Norte teve aulas de dança na prisão, aqueles desgraçados não têm sequer um rádio a pilhas? Provavelmente até tinham, deixaram de o ter com a chegada de Vale e Azevedo.

Logo agora que a Igreja anda tão preocupada em remodelar a imagem, Vale e Azevedo inicia uma carreira como subchefe no clero. À missa na Carregueira assistem meninos de coro como Isaltino Morais, Carlos Cruz, Jorge Ritto e o violador de Telheiras: parece um livro do Lucky Luke em que na primeira fila estão os irmãos Dalton. Será que é um padre a sério a presidir à eucaristia, ou o papel é interpretado por aquele (outro) burlão que apareceu nas notícias há pouco tempo? Castiço seria ter como celebrante o padre Frederico, mas isso já era pedir demais.

Podiam fazer um reality show tipo Big Brother, sempre têm lá mais famosos do que os da TVI que ninguém conhece. O confessionário ia estar sempre cheio. O único problema é que não podia haver expulsões, mas por exemplo iam até ao pátio levantar ferro ou fazer uma tatuagem cheia de swag. Quem sabe se aquelas pobres almas não vão alcançar a redenção? O Senhor move-se por caminhos misteriosos, é bem possível que passe ali perto do Cacém.

Mas as notícias recentes do mundo do crime não se confinaram apenas a Vale e Azevedo. Também com o aspecto de gordo mafioso careca mas substancialmente menos aldrabão, fiquei muito triste com a morte recente de James Gandolfini, ou Tony Soprano. Agora só nos resta o outro Tony, o intérprete de “Sonhos de menino”, mas não é a mesma coisa. O mundo do crime fascina-me, principalmente a Máfia. Dá gosto ver aquela gente trabalhar, porque vê-se que fazem as coisas com brio: homicídio em primeiro grau, burla qualificada, crime organizado. Aposto que se entrarem no quarto de um desses chefes da mafia têm as meias e os boxers em gavetas diferentes e impecavelmente arrumadinhos por cores. Têm tanto de design italiano como eficiência alemã.

Calabresa, napolitana, siciliana. A Máfia só não é muito original a baptizar as suas sucursais, arranja sempre nomes de pizza. Mais valia criarem também uma “Máfia Bacana”, o que seria excelente para as relações públicas e podia ajudar a tirar alguma carga negativa à instituição. O mote da campanha: “Miúdos, a Máfia também pode ser fixe!!”

 

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O Banquinho do Acompanhante: segunda parte (e última, que a minha vida não é isto)

Banquinho - parte II

Quando embrenhadas numa selva de roupa, as senhoras usam a expressão “É só mais um minuto” ou “É só mais este vestido” com menos convicção que um agarrado jurando a pés juntos que é a última dose. Nestes casos, a salvação e melhor amigo do homem numa loja de roupa feminina é o “Banquinho do Acompanhante”.

Sou um gourmet dos banquinhos de acompanhante, dedico-me a avaliar detalhadamente os banquinhos em cada loja de roupa feminina que visito, leia-se, para onde sou arrastado. Se por norma não comprometem em parâmetros como “Conforto” ou “Proximidade do WC”, inexplicavelmente é raro dar boas notas em “Base para Copos” ou “Vista para Sport TV”. Das várias possíveis localizações para o Banquinho, é sem dúvida a zona dos Provadores que propicia as experiências mais intensas.

Os Provadores. Apesar de levarem no regaço um atrelado de roupa que exige carta de pesados, as senhoras falam sempre com desdém da limitação de peças que podem levar para o Provador. “O quê?? Só posso levar vinte e cinco de cada vez!??”

“A roupa é que não tem bom corte, o meu corpo é perfeito.” Isto é dito na primeira das cinco fases da negação. Nas outras quatro repetem exactamente a mesma coisa, só que mais alto. As senhoras levam sempre pelo menos duas peças para o provador: aquela que corresponde ao seu real tamanho e um outro exemplar do tamanho abaixo, num bonito exercício de esperança. Em relação à política de limitações nos provadores, só acho mal essa ideia de não poderem lá entrar mais de duas pessoas ao mesmo tempo, dada a abundância de recursos humanos para empreender rebaldaria de fino gosto.

Situação complicada de gerir, quando uma cliente faz passagem de modelos no espelho  e pergunta à amiga “Achas que me fica bem esta saia?” Vejamos, nestes casos a reacção natural de um tipo é opinar “Chiça! Com uma tranca dessas…” É compreensível, mas é também de evitar, convém usar de alguma discrição:  muito cuidado para não ser apanhado a avaliar botija alheia, nesta Disneylândia é proibido olhar para o Mickey.

Aqui, a primeira parte do texto. Siga-nos no facebook.


O Banquinho do Acompanhante – parte I

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Herdámos dos nossos antepassados um medo terrível de cobras e aranhas. Ao ver essa bicharada dispara um mecanismo escondido lá para a arrecadação do cérebro: suores frios, tensão muscular, batimento cardíaco desenfreado. Além da cena das cobras, há outras duas situações em que tenho a mesma reacção: ao ver José Castelo Branco saltitar para a piscina e quando ouço a minha namorada dizer “Amanhã temos uma festa e não tenho nada para vestir!”.

Sem entrar em grandes reflexões existenciais, devo dizer que este conceito de “nada” é muito relativo, a frase vem de alguém que tem um armário de roupa onde viveria desafogada uma família de romenos.

Fenómeno comum mas difícil de compreender, a questão da roupa desenvolve nas senhoras uma inexplicável pulsão de urgência. Por exemplo “Temos um casamento em Setembro e ainda não sei o que vou levar”. Ora, qualquer indivíduo do sexo masculino pensa com naturalidade que isso é coisa para tratar, vá, no fim de semana anterior, e isto para os mais betinhos. Um homem a sério trata disso no próprio dia de manhã e compra a primeira coisa que aparecer. Porquê a preocupação com a indumentária num evento que vai acontecer daí a 6 meses? É para mim um mistério tão grande como os buracos negros ou o poder de sedução de Zezé Camarinha.

Mas que elas se ralem com isso e adorem passear em lojas de roupa, até aqui tudo bem. O pior é quando isso resulta, recorrendo a linguagem militar, em “danos colaterais”. Isto é, “Também tens de vir comigo. Pá.” Nenhum homem aceita este facto de ânimo leve, a mulher tem frequentemente que sacar das letrinhas miúdas do contrato de casamento: para o melhor e pior, na saúde e doença, na alegria e na secção de bijuterias da H&M.

Usando o ardil “Vamos beber café à Baixa” lançam um engodo que até um girino punha na borda do prato. Percebendo demasiado tarde que está à porta do estabelecimento e que a resistência é inútil, o corpo masculino desenvolve uma extraordinária reacção química defensiva: faz cara de frete, fecha a torneira da adrenalina e a pulsação desce progressivamente até um estado de torpor que resulta num sonoro bocejo. O homem está agora preparado para ir às compras.
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O Artista anteriormente conhecido como Winnie the Pooh

 

Há duas coisas que tenho dificuldade em acompanhar: os números do desemprego e as mudanças de nome de Puff Diddy.  Puff Daddy, P. Diddy , Puffy, Sean John, Sean Combs, Winnie the Pooh, não sei qual é o desta semana, tenho visto pouca televisão.

Os artistas mudam muito de nome. Suponho que se trate da necessidade de deixar uma denominação vulgar e abraçar outra mais vistosa que permita sobressair da mediania. Ninguém baptizado Maria Isabel Lopes poderá aspirar a uma ascensão fulgurante na indústria pornográfica. “Maria Isabel Lopes louca de luxúria no quartel dos bombeiros”. Não puxa. No outro lado da barricada, se um dia Lyonce Viktóoria  quiser chamar a atenção com uma mudança de nome, terá de o fazer aí para Maria da Encarnação, ou perto.

No entanto, nem sempre as mudanças são tão radicais. Portugal orgulha-se de ter um recorde do Guiness nesta área,  a alteração de “Fátima Matos Lima” para “Fátima Campos Ferreira” está certificada como a mudança de nome mais aborrecida da História.

 

Fátima

 

Há outras áreas, não necessariamente no campo artístico, em que por vezes é necessária a mudança de nome, sob pena de o indivíduo ficar limitado a um leque restrito de futuras profissões: um indivíduo chamado Florival dificilmente poderá criar grandes expectativas em relação a uma carreira militar. Outro exemplo pouco provável: “Tem a palavra o senhor deputado Crestiano Rónáldo”. O coitado foi condenado à nascença a jogar à bola. O nome permite perceber facilmente se um filho foi desejado, é por isso que ainda hoje se apelidam crianças de “Flávia Alexandra”.

Flávia

 

O fenómeno da nomenclatura alternativa começa com as alcunhas na escola primária, onde um puto sonha ser apelidado de algo tão estiloso como “Poderoso Thor” ou “Incrível Hulk”, mas na triste realidade da sua tenra vida académica tem que lidar com um “Piolhoso” ou  “Badocha”, frequentemente acumulando cargos.

A partir de certas dimensões a nomenclatura já pisa os domínios da toponímia:  Jô Soares, por exemplo, poderia ser considerado uma pequena aldeia. Por outro lado há nomes que podem induzir as pessoas em erro,  como é o caso de “Eduardo Beauté” ou “Lúcia  Piloto”.

Finalmente, importa referir uma situação complexa em que uma pessoa solicita a um terceiro que a enderece com um vasto leque de nomenclaturas  injuriosas,  por um período limitado de tempo. A psicologia chama a este fenómeno “Paradoxo de Ai querido, chama-me pxxx!!!”.


Nunca entregues o coração a um robô de cozinha

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Até relativamente tarde na vida, as minhas referências no mundo da robótica eram na melhor das hipóteses pouco promissoras: C3PO, o primeiro robot assumidamente gay e R2D2, com a sua mania de assobiar, o primeiro andróide da classe “Robotrolha”.  Pelo caminho conheci os autómatos das fábricas japonesas de automóveis, muito certinhos em branco celeste e risco ao lado. Nunca fiquei verdadeiramente impressionado pois há competências humanas únicas que uma máquina dificilmente conseguirá reproduzir: ainda estou à espera de um robô capaz de fazer lá as coisas dele mas simultaneamente aviar “A Bola”, “O Jogo” e “O Record” enquanto analisa a jornada à segunda de manhã, tudo isto despachado antes de almoço.

Foi no dia que conheci os Transformers que efectivamente me apaixonei pela robótica. Admirava aquelas máquinas cheias de estilo que se desmultiplicavam em carros, tanques e aviões, sempre prontos para andar à porrada. Megatron, o chefe dos maus, metia-me mais respeito que a Cuca do Sítio do Picapau Amarelo. Só nunca percebi muito bem o ritual do temido líder no acto do abastecimento: apontava para a mangueira da gasolina e dizia “Manda vir, marujo” enquanto piscava um olho e acendia os máximos na traseira. Parecia que gostava mesmo daquilo.

megat

Ainda hoje não me interessa saber de sondas a esgravatar em Marte ou de máquinas que jogam à bola: se é para ver jogadores desengonçados e de mobilidade reduzida prefiro ir a Alvalade. “Battlebots”, o Exterminador Implacável, o meu coração sempre palpitou por tudo o que metesse pancada de meia noite. E o Robocop, claro, que apesar de ser mestiço também se ajeitava para a castanha. Em relação ao Robocop devo dizer que sou a favor da incorporação de tecnologia no corpo humano, desde que seja para ajudar: por exemplo, enxertar um braço biónico com dispensador de toalhetes é coisa que daria muito jeito a qualquer adolescente. Um ou dois.

Não se pode dizer que eu cozinhe mal, porque para cozinhar mal primeiro é preciso passar pela fase em que se cozinha alguma coisa. Lá me vou desenrascando como recolector sobrevivendo de frutos, bagas e legumes crus colhidos na secção de frescos do Continente. Posto isto, quando há coisa de dois ou três anos ouvi falar numa máquina que cozinhava sozinha fiquei mais entusiasmado que Alexandra Lencastre às segundas, dia em que está disposta a pôr o fim de semana para trás e encontrar um novo amor. O robô de cozinha, apesar de não saber dar um soco de jeito, era aparentemente a resposta às minhas preces.

A ideia de “Robô de cozinha” é um bocado triste. No mundo das máquinas, o robô de cozinha é como aquela malta que tenta entrar em Medicina e só se safa com Farmácia. Mas enfim, tecnicamente era um “robô” e eu estava encantado com a perspectiva de o ver disparar uma dose de bacalhau à Braz, em vez de um raio laser cataclísmico. Estava inclusivamente disposto a perdoar a nomenclatura, pois “Bimby” não é nome de robô que se dê ao respeito. Perdido por cem, perdido por mil, já só queria ver a magia da máquina de fazer souflées. Resolvi assistir à demonstração dessa malta que vende o produto, uma espécie de Testemunhas de Jeová, só que em vez da “Sentinela” ou do “Despertai” trazem na pasta um compêndio sobre sorveteria.

bimby

Como um rapazito na noite de Natal, sentei-me com nervoso miudinho à espera da versão culinária do Menino Jesus. Estava louco de entusiasmo, já pensava em férias a dois, fins de semana fechados em casa a fazer mais rebaldaria com comida que no “Nove semanas e meia”. Mas nada, foi um desastre. Aquela panela com rádio FM afinal pouco mais fazia que misturar e triturar coisas, mil euros por uma “um-dois-três” mais fanfarrona. A ilusão durou pouco tempo, menos ainda que um colunista social nos hotéis de Nova Iorque. Nunca entregues o coração a um robô de cozinha.


Importante: Marcação de Gajas

Anda a circular pela net um esquema publicado pelo “Correio da Manhã” com um conjunto de símbolos utilizado pelas quadrilhas do Leste Europeu para marcação de casas para assalto.  As habitações são assinaladas junto às campainhas, portas, caixas de correio  ou muros. Ora, isso não interessa nada. A única informação que o leitor obviamente valoriza é sobre o recheio, isto é, gajas. Posto isto, peço que colabore na divulgação do esquema em baixo junto dos seus amigos. Obrigado!

 

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Os velhos são de Marte, as velhas são de Vénus

André Silva - Pioneer plaque com Goucha

O espaço, a última fronteira. Com a  missão “Inspiring Mars”, conhecida nos corredores da NASA como “Andarilho 13”, o  milionário Dennis Tito  quer recrutar um casal de meia idade para uma viagem a Marte. Qual é o número de vezes que um homem aguenta ouvir as frases “Já te enganaste outra vez no caminho!” ou “A minha mãe bem me avisou!” sem cometer homicídio? A estas e outras questões primordiais para a Ciência, o excêntrico aventureiro espacial pretende dar resposta.

dennis tito

Em relação ao recrutamento não era preciso grande publicidade para atrair candidatos em Portugal,  bastava um panfleto a anunciar uma “Excursão a Marte com oferta de um litro de azeite e bailarico” e tinham uma fila que dava a volta a três quarteirões. A par dos jantares-convívio do “grupo do Euromilhões”, as excursões com direito a brinde são das actividades mais populares entre a meia/terceira idade. Quanto ao destino não são muito exigentes, é malta que tanto vai a Óbidos como ao Planeta Vermelho, haja degustação de queijos e enchidos. Estes eventos são tão populares porque são à borla ou pelo menos bastante em conta, e a única condição é a assistência a uma demonstração de panelas ou colchões. Por norma a coisa nem corre mal  e o excursionista chega a casa com parte da reforma e um kit que permite cozinhar a vapor para 600 pessoas, que é coisa que faz sempre falta. Eu já tive uma demonstração do género lá em casa, quiseram vender aos meus pais um desses aspiradores que custa o mesmo que um carro. Não tiveram grande sorte. Não tiveram porque os acorrentámos a um  móvel da sala, já iam mais esganados que os marinheiros de Ulisses a caminho do convívio com as Sereias.

 André Ulisses Sereias

Para esclarecer os potenciais interessados, há um site com FAQ em várias linguas. Na versão portuguesa é possível encontrar respostas a questões como “Pára em Alcântara?”, “É preciso levar um agasalho?” ou “Lá dá  para ver o Goucha?”.  Esperam os candidatos provas duras como “Nomes de doenças começadas por G” ou calçar e descalçar pantufas de olhos vendados em menos de 30 segundos.

A vida na cápsula não estaria muito longe da rotina. Para uma população mais envelhecida, passar horas a fio a olhar para um monitor com informação enfadonha não é grande novidade,  pois já o fazem com os programas da tarde.  Em relação ao “take off”, claramente um dos momentos mais dramáticos da jornada, fosse um foguete ou a sala a levantar voo também não iam notar grande diferença, eventualmente suscitaria um comentário do tipo “O senhor doutor já te disse para não abusares das leguminosas.”  


Grazie, Silvio

silvio vs naranjito

Apesar das nuvens negras que pairam sobre a Europa, ainda há figuras carismáticas que me fazem acreditar num amanhã melhor. Refiro-me, obviamente, a Silvio Berlusconi. Toda a gente devia prestar homenagem a esse homem que se referiu em tempos a Merkel como “gorda mal f…”  Eu gosto muito dos italianos, apesar de que em relação à política são um povo pouco esclarecido, logo para começar não elegeram Mussolini vencedor dos “Grandes Italianos”. Nesta área pelo menos temos muitas lições para lhes dar.

GRANDE SPORTUGUESES

Ainda assim,  mais bizarro que isto é o facto de haver gente em Itália que não gosta de Berlusconi. Nas eleições de domingo passado apareceram na secção de voto de Berlusconi três manifestantes a mostrar as mamas para, supostamente, o arreliar. Ora, isto prova que não o conhecem lá muito bem. Tendo em conta a roupagem minimalista,  o mais certo é terem-se tresmalhado de uma manifestação contra o aquecimento global.

Femen protest Italy

Berlusconi é aquele avô que todos gostaríamos de ter, para poder ouvir à lareira bonitas histórias sobre dragões lendários, princesas encantadas e orgias com 30 pessoas. Sim, trinta no “Bunga bunga”. Acho bem, a orgia é daquelas coisas que, se é para fazer, que seja à grande. Não faz sentido combinar eventos destes com “dois ou três amigos, uma coisita mais caseira porque isto a vida não está para brincadeiras”. Nada disso. Pelo contrário, aqui se percebe o lado visionário de Berlusconi, antevendo o impacto positivo das suas orgias na economia: só em catering, se cada pessoa comer cinco salgadinhos são para lá de dez caixas, para já não falar no disparo nas vendas de coleiras, mel e uniformes de polícia. Silvio é fonte de inspiração e saudosismo para uma geração que cresceu sob a influência das criações cinematográficas de Tomás Taveira, reconhecido pelo particular esmero nos argumentos. Aquilo que vulgarmente é conhecido por “cinema de autor”.

O mítico programa “Colpo Grosso” com as suas bailarinas “Cin Cin” são uma dádiva do império de televisão de Berlusconi, pérola que chegou até nós nos tempos em que a SIC achava boa ideia ter o João Baião vestido de imperador romano aos saltos com um gorila.

André Silva Colpo Grosso

Nas estações de Berlusconi passavam até há bem pouco tempo programas de domingo à tarde com jovens em calções justos a tomar duche em estúdio, dói-me a alma quando penso  que em vez disso temos hoje directos do Goucha nas festas da Senhora da Agonia.

Uma semana antes da abertura do processo “Rubygate” (a jovem de 17 anos que contratou para puxar o lustro ao Silvio Jr.)  Berlusconi viajou para a ilha de  Lampedusa, onde dezenas de milhares de refugiados do norte de África  haviam desembarcado resultando numa emergência humanitária. Silvio vira-se para a multidão e sai-se com um “Vocês ouviram as últimas sondagens? Perguntaram a mulheres entre os 20 e 30 anos de idade, se elas queriam fazer amor com Berlusconi. Trinta e três por cento disse que sim! Sessenta e sete por cento disseram “Outra vez?”. O homem engatou a dentista que lhe alinhou a cremalheira depois de lhe  ter entrado pela garganta uma miniatura da catedral de Milão. Enquanto lhe punham a broca na broca na boca já planeava como retribuir o favor. É impossível não admirar um homem que, mesmo nos momentos de maior pressão, nunca se desfoca do essencial.

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Trocou a mulher por uma jovem com menos 50 anos e ainda há quem o critique. Só se for pelo negócio, pois o valor de retoma das senhoras acima dos 50 é baixíssimo. No fundo ele fez o mesmo que todos nos quando precisamos de trocar de carro, entregamos alegremente o antigo para retoma, por muito pouco que nos ofereçam pelo chaço. Não gosta de mulheres feias, transformou a política italiana num catálogo da Victoria´s Secret. E só o sabem criticar, o que é de uma injustiça atroz. Despeço-me com a minha homenagem pessoal a Il Cavalieiri, esse vulto da política italiana. Aqui fica o hino “Graças a Deus pelo Silvio”, ele bem merece.


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