Author Archives: Amílcar Monteiro

Entrevista ao Guru Meggha Boorlau

O Guru Meggha Boorlau é um dos principais guias espirituais da nova geração. Como todos os gurus, tem um nome esquisito e milhares de seguidores que escutam atentamente os seus ensinamentos. Fomos ao seu encontro no rancho Haldrabiize, na Birmânia, do qual é proprietário. Entre a sua agenda preenchida, constituída por falar em público, dormir e estar parado sem fazer nada (algo a que chama “meditar”), tivémos a sorte de conseguir falar com ele.

Guru Meggha Boorlau, poderia dizer-nos quais as ideias fundamentais dos seus ensinamentos?

Como qualquer guru da nova geração, os meus ensinamentos centram-se em três ideias fundamentais: que a realidade não é, de facto, a realidade, mas sim uma espécie de sonho;  que fazemos todos parte da mesma coisa, estamos interligados,  somos todos um único organismo; e que só iluminados como eu conseguem aceder às duas ideias anteriores.

E todas as pessoas têm o potencial para atingir essa iluminação que refere?

Sim. Todas as pessoas podem atingir o estado de iluminação, desde que sigam alguns dos passos que eu defini.

Que passos são esses?

Antes de mais, abdicarem de toda a lógica, racionalidade e pensamento próprio. O passo seguinte é comprarem todos os meus livros, cd’s e dvd’s.

Desculpe, Guru, mas isso não é estar a fomentar o materialismo e consumismo em vez da espiritualidade?

Não, antes pelo contrário. Ao comprarem o meu merchandising, as pessoas não só estão a obter ensinamentos profundos sobre a vida, como também estão a despojar-se do seu dinheiro.  Ou seja, estão a abdicar dos seus bens materiais em prol da espiritualidade.

Magnífico, Guru. E existem mais passos?

Sim. Se for homem, deve doar-me terrenos para eu poder expandir o meu rancho e, dessa forma, conseguir albergar mais seguidores interessados em atingir a iluminação. Se for mulher, deve vir viver para o rancho comigo e satisfazer todas as minhas necessidades.

Então mas como é que satisfazer as suas necessidades contribui para atingir o tal estado de iluminação?

É muito simples, na verdade. Se eu tiver várias mulheres que tomem conta do meu rancho, limpem, cozinhem e satisfaçam todos os meus caprichos sexuais, isso vai-me deixar sem preocupações e desejos. Ou seja, contribui para que eu esteja num estado de absoluto pacifismo e satisfação, algo a que chamo Póz Coytus. Ora se eu estiver nesse estado, terei a mente límpida e, desse modo, mais tempo para pensar em respostas ocas e ambíguas para perguntas incómodas colocadas pelos meus seguidores, respostas essas que as pessoas têm vergonha de admitir que não entendem, pelo que as engolem e acreditam que é algo dito por um ser iluminado.

Muito interessante. E foi seguindo estes passos que o próprio Guru atingiu a iluminação?

Não. Eu atingi esse estado de outra forma. Através de uma epifania.

E como ocorreu essa epifania?

Sabe, antes de ter atingido este estado, eu era uma pessoa como qualquer outra, presa a um mundo de ilusão. Essa ilusão fazia com que eu fosse trabalhar todos os dias para ganhar dinheiro. Então, um belo dia, estava a ver um documentário na televisão sobre os milhões que as seitas religiosas, os astrólogos e os videntes ganhavam e tive a tal epifania. Percebi nesse momento que nada existe, que tudo é nada, que nós estamos ligados nesse nada e que para o percebermos temos de eliminar o nosso ego. E, a partir desse dia, decidi tornar-me num guru e ensinar isso às pessoas.

Muito interessante. Só uma última pergunta: o Guru diz que todos estamos interligados, ideia a que só conseguiremos aceder se aniquilarmos o nosso ego, a nossa individualidade. Assim sendo, não lhe parece então um contrasenso que seja apenas uma única pessoa, um único indivíduo – neste caso o Guru – que detém todas as respostas para atingir esse estado de iluminação?

Excelente questão. Posso responder-lhe a isso da seguinte forma: a magnitude da existência não é transmutável e, por isso, temos de esvaziar o pensamento para aceitar a imobilidade interior do amor que flui na consciência una da totalidade do agora.■

 


Como Escrever uma Carta Aberta ao Primeiro-Ministro

Reparei esta semana que, estranhamente, ainda existem pelo menos dois ou três portugueses que nunca escreveram uma carta aberta ao primeiro-ministro. Depois de muito pensar sobre a razão desta falha inadmissível, conclui que a única explicação possível para tal se prende com o facto destas pessoas não saberem como escrever uma carta deste tipo. Assim sendo, na tentativa de ajudar estes cidadãos, passo a descrever os doze passos necessários para o fazer:

Passo 1

Iniciar a carta com “Exmo.” ou “Caro Sr. Primeiro-Ministro”. Esta terminologia é essencial pois mostra logo à partida que o autor sabe escrever cartas e que, como tal, não é uma pessoa qualquer, mas sim um cidadão diferenciado.

Passo 2

Expôr um pouco da vida pessoal. Nesta parte, deve-se incluir o nome, a idade e uma breve sinopse do percurso profissional. Isto serve para passar a ideia de que o autor sempre foi um cidadão exemplar, que trabalha arduamente e com qualidade e que paga os seus impostos. Aqui pode optar entre afirmar que está desempregado ou empregado mas em terríveis condições. É indiferente, desde que fique bem vincada a ideia de que está “a representar uma geração”.

Passo 3

Insultar, de forma gratuita, o primeiro-ministro. Neste ponto, pode adoptar uma abordagem subtil ou então recorrer a palavrões. Pessoalmente, eu recomendaria a segunda opção, pois todos sabemos que nada demonstra verdadeira revolta como um palavrão.

Passo 4

Começar por referir que o primeiro-ministro não se preocupa com os cidadãos e que está a destruir o país, passando de seguida para uma descrição pejorativa de todos os governantes (de modo geral). Entre outros termos a utilizar, recomendam-se “corruptos”, “incompetentes”, “ignorantes”, “mentirosos” e/ou “ladrões”. Lembre-se também de sublinhar algumas ideias, tais como de que isto está tudo na mão dos grandes empresários e gestores ou  que existem “tachos”, “cunhas” e “boys”, entre outras constatações do óbvio repetidas até à exaustão.

Passo 5

Demonstrar indignação pelas medidas apresentadas pelo governo em funções, referindo obrigatoriamente impostos e taxas. De salientar que esta indignação é óbvia e partilhada por todas as pessoas, pelo que deve tentar descrevê-la como se fosse a única pessoa a ver com clareza o que se passa no país.

Passo 6

Fazer questão de não apresentar qualquer alternativa às políticas vigentes. Neste passo, convém referir algumas percentagens (se possível com casas decimais), com o propósito de passar a ideia de que é uma pessoa bastante informada, que sabe do que fala. É igualmente importante apresentar uma ou duas ideias soltas, que tenha ouvido de um qualquer comentador político, para parecer que costuma pensar aprofundadamente sobre o estado do país e que até tem as soluções necessárias.

Passo 7

Insultar, de forma gratuita, todo e qualquer político. Como vê, já não interessa se é o primeiro-ministro – a quem é dirigida a carta – ou pessoas que pertencem ao governo, trata-se isso sim de insultar toda uma classe. Escusado será dizer que é essencial o uso de palavrões.

Passo 8

Insinuar que vai emigrar. Não é relevante se tenciona mesmo fazê-lo, o que se pretende é apenas ameaçar o primeiro-ministro com a ausência de Portugal. Fazê-lo sentir-se mal por um cidadão tão espectacular como o autor ir viver para outro país. Trata-se de atingir as suas emoções, desencadeando nele sentimentos de culpa e vergonha que certamente o levarão às lágrimas e o forçarão a repensar toda a sua atitude.

Passo 9

Despedir-se cordialmente, para mostrar que apesar dos insultos gratuitos, o autor da carta é uma pessoa bem-formada que, mesmo estando absolutamente revoltada, ainda assim é superior ao demonstrar boa educação. Colocar o seu nome no final, para se certificar que as pessoas se lembrarão de quem escreveu a carta.

Passo 10

Partilhar a sua carta em todas as redes sociais, durante um momento de maior agitação social, acompanhado de um comentário como “Já chega!”,  “A paciência tem limites!” ou “Desabafo de uma geração”.

Passo 11

Volte, normalmente, ao seu emprego, emprego esse que muitas vezes não tem qualquer relevância social ou que prejudica a sociedade porque, por exemplo, é desempenhado numa empresa que se centra exclusivamente no lucro, sem preocupações qualitativas ou éticas, contribuindo assim para perpetuar muitas dos vicíos do sistema. De seguida, saia do seu emprego e vá comprar gadgets, carros ou roupa de que não precisa e, nas próximas eleições, lembre-se de votar outra vez nos partidos que estão, rotativamente, no poder.

Passo 12

Sinta-se um revolucionário por ter escrito uma carta aberta ao primeiro-ministro.


Quem quer ver, vai deixar de poder

Numa entrevista recente, António Borges admitiu que o encerramento RTP2 «é quase inevitável porque é um serviço que custa extraordinariamente caro» e que é prestado «para uma audiência muito minoritária». Até que enfim! Finalmente, vão acabar com a RTP2. Já não suportava mais esse canal demoníaco que insistia em aparecer no écran da minha televisão e forçava-me a ver e ouvir temáticas que exigem pensar.

Eu concordo em absoluto com o António Borges. Faz todo o sentido encerrar a RTP2, porque a verdade é que quase ninguém vê esse canal. Portanto, de que adianta gastar dinheiro com um serviço em que apenas alguns gatos pingados estão interessados? Aliás, na minha opinião, era acabar com tudo aquilo a que a maior parte das pessoas não ligam, pois se tal acontece é porque, obviamente, tratam-se de coisas sem qualquer valor. Devíamos fechar museus e teatros, dissolver os partidos políticos com menos representação, fuzilar os sem-abrigo, cessar a investigação de doenças raras e, de uma vez por todas, acabar com princípios e valores.

E já não consigo suportar a conversa daqueles que diziam que a RTP2 é o único canal que ainda faz algum serviço público. Isso é uma absoluta mentira. Senão vejam: os filmes que passam não têm acção nem sexo; a música que dá a conhecer não tem coreografias elaboradas nem mulheres semi-nuas; os programas de entrevistas têm pessoas que se põem a falar de coisas muita esquisitas, com palavras estranhas que ninguém entende; e chega ao cúmulo de ter um programa associado com uma universidade, em que os alunos – puros amadores – é que participam! Vejam bem o ridículo!

Ou seja, os conteúdos transmitidos por este canal não interessam a ninguém e, como todos sabemos, o serviço público é definido por aquilo que a maioria quer ver. Especialmente num país diferenciado como o nosso, onde todos têm uma boa educação de base, uma sensibilidade elevada e, acima de tudo, uma situação financeira estável que permite que cada pessoa tenha tempo para se cultivar sem preocupações. Assim sendo, apenas por negligência crassa ou por uma má vontade atroz, é que nunca se pôde assistir, na RTP2, a um reality show, a um programa da tarde onde se explora a desgraça alheia e se comenta a vida dos outros, ou mesmo a um programa onde uma burlona inglesa mantém conversas com espíritos.

Para além de tudo isto, fico ainda mais contente por saber que um serviço caro e inútil como este vai ser encerrado pois, certamente, isso vai fazer com que eu pague menos de taxa audiovisual. E com esse dinheiro, posso finalmente começar a concretizar o meu sonho: abrir uma empresa de incineração de livros.


Entrevista ao Professor Marques Castro

O Professor Marques Castro é psicólogo, antropólogo, sociólogo, biólogo, investigador e autor. É bastante célebre na comunidade científica, apesar de nenhum dos seus trabalhos ter relevância social. É presença habitual em programas de televisão enquanto perito de assuntos sobre os quais nada sabe mas, porque utiliza palavras caras, todos assumem como verdade o que diz. Falámos com ele sobre a sua mais recente descoberta, a resposta para uma das mais complexas questões da ciência: a origem da homossexualidade.

O Professor Marques Castro é médico, antropólogo, investigador, entre muitos outros títulos. Como conseguiu ser tudo isto e como consegue conciliar estas profissões?

Consegui exercer todas estas profissões devido a um factor: o trabalho. (risos) Não, estou a brincar. Se consegui tudo isto foi graças ao facto de ter dois apelidos, o que me confere automaticamente um estatuto de autoridade. Quanto a conciliar todas as profissões, na verdade não é muito difícil, basta não aprofundar nenhuma das profissões. Ou seja, como abordo tudo o que faço de forma leviana, não me custa nada.

Vamos falar da sua mais recente descoberta. O Professor afirma ter desvendado a origem da homossexualidade, não é verdade?

Não, isso não está inteiramente correcto. Eu descobri a origem da homossexualidade masculina.

Só da masculina? Então e da homossexualidade feminina?

Da feminina não, isso seria uma perda de tempo. Porque razão iria abordar a homossexualidade feminina quando ninguém tem problemas com isso? É sempre agradável observar duas lésbicas a interagirem sexualmente. Investigar isso é um perfeito disparate. O verdadeiro problema é a homossexualidade masculina, uma vez que ninguém aprova esse comportamento.

E quais foram as suas descobertas, Professor?

Como sabe, esta problemática da origem da homossexualidade masculina é investigada há anos. A questão é que todos os investigadores centravam os estudos de causalidade sempre nas mesmas três áreas: a biológica, a psicológica e a social. Todos eles, sistematicamente, sem resultados.

Mas se não é biológica, psicológica ou social, então qual a origem?

É mobiliária.

Mobiliária? Pode explicar?

Claro.  A minha premissa inicial foi: quando é que temos a certeza que um homem é, de facto, homossexual? Quando ele sai do armário. Portanto o homem é normal, entra no armário e depois quando sai já ficou homossexual. Logo, a origem só poderia estar relacionada com os armários. Existe um factor qualquer nos armários que desencadeia a homossexualidade.

E que factor é esse?

Essa foi a parte mais complicada da investigação. Formulei várias hipóteses, todas elas baseadas nos objectos existentes em armários com tamanho suficiente para albergar um homem. Pensei em roupa, toalhas, cabides e até traças. E nada. Foi então que percebi o factor desencadeador: bolas de naftalina.

Bolas de naftalina?

Sim. Quando um homem está trancado num armário não há grande coisa para fazer. Existem apenas duas actividades a praticar: brincar com bolas de naftalina e masturbar-se. E rapidamente se estabelece uma associação inconsciente entre bolas e gratificação sexual. Portanto quando o indivíduo sai do armário já vem com esta associação estabelecida, o que faz com que comece a procurar bolas para manusear de forma a obter a tal gratificação sexual.

Realmente brilhante, Professor. E que implicações poderá ter esta descoberta?

Bom, a implicação mais imediata é a prevenção da homossexualidade masculina. Prevenção primária e secundária.

Pode aprofundar?

A prevenção primária consiste, basicamente, em não deixar nenhum homem ou criança entrar em armários. Para tal, o que aconselho a todos é que não tenham armários em casa. Usem aqueles cabides corridos para pôr a roupa. Este é o método de prevenção ideal. A prevenção secundária prende-se com o cenário de terem armários em casa e, suponhamos, por algum motivo o vosso filho entrar no armário. Aí o que há a fazer é não o deixar sair, embora esta intervenção tenha quase sempre efeitos colaterais.

Que efeitos colaterais são esses?

Ficar com esqueletos no armário.■


Conselhos que mudaram a minha vida

No decorrer da minha existência recebi alguns conselhos que mudaram drasticamente a minha vida. Refiro-me a pequenas frases que me disseram ou que li em algum lado, que me ajudaram a transformar positivamente a minha pessoa. Assim, e uma vez que funcionaram tão bem comigo, partilho de seguida cinco dessas pérolas de sabedoria, descrevendo a forma como cada uma alterou a minha visão do mundo e me tornou na pessoa que sou hoje.

“Sê quem tu és”

Este foi, sem qualquer sombra de dúvidas, um dos melhores conselhos que recebi na minha vida, porque até ao dia em que me disseram “sê quem tu és” eu insistia em ser uma modista de 73 anos chamada Carminda. Passava os dias a bordar e costurar roupas de senhora. Era uma senhora bastante prendada e fazia vestidos de casamento lindíssimos, apesar de já ter algumas dificuldades devido às artroses nas mãos. Só quando ouvi este conselho é que me apercebi que podia ser, livremente, um homem de 28 anos. Foi um momento muito feliz para mim mas triste para as minhas aprendizes de modista, que tiveram de ir procurar outra mestre.

“Segue os teus sonhos”

Um daqueles conselhos que abana o nosso mundo. Eu sempre tive um sonho mas achei que não valia a pena segui-lo pois parecia-me bastante arriscado, trabalhoso e com reduzidas probabilidade de sucesso. Enfim, aquilo que todos pensamos quando auto-censuramos os nossos sonhos. Felizmente, quando li na internet este conselho, tudo mudou. Pensei para comigo: “Epá, tu consegues violar uma gaja. E se não conseguires, pelo menos tentaste”. Foi assim que comecei a minha carreira como violador e já levo na conta pessoal trinta e cinco mulheres violadas. Apesar de não ser uma actividade economicamente rentável, consigo retirar outro tipo de benefícios.

“Vive um dia de cada vez”

Enquanto pessoa com a capacidade para manipular o tempo, era frequente eu viver dois e três dias de cada vez. Quando algo não me agradava, bastava-me acelerar o tempo e lá estava eu uns dias à frente. Por vezes, mais bêbado, chegava mesmo a viver semanas de uma vez só. Felizmente, quando ouvi esse conselho sábio, houve um click no meu cérebro e eu percebi que andava a perder muita coisa por viver vários dias em simultâneo. Assim, entrei num grupo de entreajuda para Manipuladores do Tempo e hoje em dia já sou capaz de viver um dia de cada vez, embora tenha ainda alguma dificuldade em não viver vários minutos ao mesmo tempo.

“Acredita em ti próprio”

Até um amigo meu me ter dito isto eu não acreditava em mim. Considerava-me um burlão que estava sempre a tentar aproveitar-se de mim mesmo e, como tal, eu não acreditava em nada do que dizia. Acreditava, isso sim, no Ricardo Carriço. Eu ouvia tudo o que o ele dizia e seguia-o à risca. Amor, saúde, trabalho e até culinária, eu acreditava em todas as opiniões que o Ricardo tinha sobre esses assuntos. Para mim, Ricardo Carriço era o detentor absoluto da verdade. Claro que quando me disseram para acreditar em mim – perdão, em mim próprio – percebi que se calhar o Ricardo Carriço afinal não tinha as respostas que eu procurava. Hoje já acredito mais em mim, embora tenha sido difícil inicialmente, pois eu sofro de personalidade múltipla e, como tal, nunca sabia muito bem em qual dos “eus” acreditar. Felizmente, o meu eu burlão foi preso por causa de um esquema Ponzi e eu agora já posso acreditar em mim com mais tranquilidade.

“Vive cada dia como se fosse o último”

Estupidamente, desde pequeno que sempre achei que viriam mais dias a seguir aquele em que estava. Como tal, sempre vivi de acordo com essa visão distorcida, o que me levou a fazer coisas ridículas como preparar o meu futuro e cuidar da minha saúde. Quanto tive a sorte de ouvir esta frase percebi que poderia morrer já amanhã, pelo que decidi aproveitar ao máximo cada dia da minha vida fazendo apenas actividades de que gostasse. Assim, no espaço de uma semana, despedi-me do trabalho e gastei todo o meu dinheiro naquilo que realmente me preenche: prostitutas, drogas e álcool. Actualmente sou sem-abrigo, alcoólico, toxicodependente e uma autêntica enciclopédia viva de doenças venéreas mas, passados cinco anos, continuo sem me arrepender de ter vivido cada dia como se fosse o último pois, muito provavelmente, vou mesmo morrer já amanhã.


Desaforo Ortográfico

Acordo: “Harmonia entre pessoas ou coisas. Concórdia, entendimento. Combinação ajustada entre duas ou mais pessoas. Pacto. Autorização, consentimento. (…)”.

Fica sempre bem começar um texto com uma citação ou com uma definição do dicionário, não é leitor? Claro que, muitas vezes, a definição pouco tem a ver com o texto e serve apenas para o autor aparentar ser um intelectual. Mas neste caso faz algum sentido, como o leitor perceberá de seguida.

Se tivermos em conta que um acordo pressupõe uma combinação que foi ajustada por duas ou mais partes, então eu não entendo muito bem isto do Acordo Ortográfico. É que, aparentemente, foi realizado um acordo no qual eu estou incluído mas ninguém me consultou. E isso não se faz. O que é que custava ligarem-me e dizerem: “Olá Amílcar, tudo bem? ‘Tás melhor do fungo no pénis? Olha, não sei se sabes mas o Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde telefonaram. Querem estabelecer um acordo ortográfico, com o objectivo de defender a unidade essencial da língua portuguesa para potenciar o seu prestígio internacional, e nós queríamos saber a tua opinião.”

Era extremamente simples e, se o tivessem feito isso, talvez eu não recusasse  imediatamente este acordo e pensasse: “Espera lá… se calhar prejudicar as pessoas que sempre fizeram o esforço de escrever de forma correcta a língua do seu país de origem em prol daqueles que só dão erros e se estão a marimbar para isso é, de facto, a melhor forma de prestigiar a língua portuguesa a nível internacional. Isso permitirá que os asnos que escrevem pseudo-palavras que tornam complicadíssimo entender o sentido de qualquer frase, passem a ser conhecidos internacionalmente.” Pensava isto e depois opunha-me na mesma. Mas ao menos respeitava o facto de terem procurado saber o meu ponto de vista. Era um gesto bonito.

E agora eu pergunto: é mesmo isto que nós queremos? Agravar ainda mais a nossa imagem no estrangeiro ao dar a conhecer opiniões de pessoas cuja única coisa que lêem é o Correio da Manhã e a Caras, e que agora se acharão com competências para escrever um livro que circulará por meio mundo? É que para pessoas que não sabem escrever e são conhecidas, já basta a Margarida Rebelo Pinto.

Mas não quero ser injusto. Este “acordo” traz também vantagens, nomeadamente a uniformização da linguagem, o que permitirá finalmente que os vários povos se compreendam. Por exemplo, a partir de agora, os brasileiros vão perceber que quando um português escreve “actor”, se quer referir a um “ator”. Isto vai possibilitar que a literatura criada por escritores portugueses possa, finalmente, ser lida noutros países, algo que nunca aconteceu antes.

Como ninguém se preocupou em saber a minha opinião, eu só irei aderir ao acordo ortográfico quando for feito um referendo a esta questão ou quando me apontarem uma arma e me obrigarem a escrever “Egito”. Até lá, e tendo em conta que foi feito um acordo em meu nome mas sem o meu consentimento, vou processar o Estado por burla.

 

Artigo 217.º – Burla

       1 – Quem, com intenção de obter para si ou para terceiro enriquecimento ilegítimo, por meio de erro ou engano sobre factos que astuciosamente provocou, determinar outrem à prática de actos que lhe causem, ou causem a outra pessoa, prejuízo patrimonial, é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa.


Conselhos para o meu filho

Olá, filho. Se estás a ler isto é porque eu já parti deste mundo e não tive a oportunidade para te ensinar como sobreviveres nele. Pode também ser porque engravidei a tua mãe e não assumi a paternidade pois não estava para apanhar com mais chatices, mas o que interessa é que te quero deixar uma lista de conselhos para seres bem-sucedido na sociedade onde estás inserido. Aqui vão eles:

  • Frequenta a escola e a faculdade e tira boas notas. Mas atenção: não as tires através do estudo. O que interessa é conseguires boas notas através de vários esquemas, pois isso é que te vai preparar para o futuro. Estudar é para quem não é esperto.
     
  • Não poderás, a custo algum, ser introvertido. Os introvertidos são vistos como estranhos, fracos ou arrogantes. Tens é que ser extrovertido. Faz por falar com todas as pessoas que encontrares, mesmo que não tenhas nada para lhes dizer. Se puderes, elogia o que elas fazem – mesmo que não gostes ou aproves – pois isso irá dar-lhes a impressão que te identificas com elas. E essa identificação é meio caminho andado para estabeleceres contactos. Poderás ouvir que, desde que trabalhes com afinco, conseguirás vingar, mas isso é mentira. Para seres bem-sucedido em qualquer profissão tens é de ter contactos.
     
  • Nunca te esqueças de falar constantemente daquilo que fazes como se isso fosse a coisa mais importante do mundo e tu fosses o melhor a fazê-la. É absolutamente essencial que as pessoas saibam que tu fazes coisas – a qualidade é irrelevante – porque assim passa a ideia de que és trabalhador.
     
  • Vê se fazes por arranjar uma profissão com bastante reconhecimento social – gestor, economista, advogado ou engenheiro, de preferência – para que as pessoas te respeitem. Lembra-te, o respeito não tem nada a ver com a tua capacidade para executares bem o teu trabalho.
     
  • Tenta filiar-te num partido político. Se possível, logo na juventude desses partidos. Mas não num qualquer: tem de ser num daqueles que, rotativamente, estão no poder. Isso será o maior avanço que poderás ter na tua profissão.
     
  • Infelizmente, existirá uma ou outra altura em que é mesmo preciso trabalhares. Sim, eu sei, é chato, mas lembra-te que isso é uma oportunidade para pareceres útil. Mas está descansado que, nessas alturas, podes sempre passar o trabalho aos outros. E depois, se o trabalho for reconhecido, gaba-te como tendo sido teu. Se, pelo contrário, o trabalho for criticado, então responsabiliza quem o fez.
     
  • Tenta sempre associar-te a obras de caridade. Nota que não tens de estar mesmo envolvido, basta enviares para lá dinheiro. Isso não só te vai trazer benefícios a nível dos impostos, como passa aquela imagem de que és alguém com responsabilidade social e que gosta muito de ajudar os outros. Essa imagem vai-te dar muito mais espaço de manobra para realizares os teus esquemas sem grandes chatices.
     
  • Quanto ao amor, esquece as mulheres. As mulheres servem apenas para o sexo, não para o amor. Podes arranjar uma esposa, apenas para passar uma imagem social de estabilidade, mas livra-te de seres fiel. A fidelidade é para os bananas que não conseguem arranjar outras mulheres. O que é importante amares são apenas três coisas: tu próprio, o poder e o dinheiro.
     
  • Provavelmente, alguém te virá com uma conversa sobre valores. Coisas como honestidade, lealdade e integridade moral. Não ligues a isso. Os valores são conceitos abstractos inventados por pessoas fracas que não têm o que é preciso para vingarem na vida.
     
  • Não te esqueças nunca que tu és o mais importante. Os outros existem para satisfazerem as tuas necessidades. Como tal, se eles não o quiserem fazer voluntariamente tens uma de duas coisas a fazer: ou chantageá-los ou destruí-los. Usa todos os meios necessários para fazeres isso. Ah, e não te preocupes com a lei e a justiça, se tiveres seguido todos os meus conselhos, provavelmente tens amigos juízes que te devem favores.

Apercebi-me agora que te estou a dar estes conselhos a pensar que és um rapaz, o que não faz sentido, porque eu nunca te conheci. Assim, caso sejas uma rapariga, gostava também de te deixar conselhos para seres bem-sucedida. Basta apenas um:

  • Investe no teu corpo. Faz com que tenhas um corpo que a maior parte dos homens deseje e conseguirás ter sucesso. E se desenvolveres a capacidade de fazer felácios, então terás tudo com que sempre sonhaste.

 


BookCrossing

Há um par de anos atrás chegou uma nova tendência a Portugal de seu nome BookCrossing. Para aqueles menos atentos – ou com uma vida sexual activa – este conceito criado nos Estados Unidos consiste no “acto de deixar um livro num local público, de forma a que outros lhe peguem e o leiam, e assim consecutivamente”. Deste modo, basta inscrevermo-nos num dos sites criados para o efeito, seleccionar um livro de que já tenhamos usufruído, catalogá-lo com um código específico (para terceiros saberem que se trata de um livro de BookCrossing) e, de seguida, libertá-lo num local público. Depois é só esperar que alguém deixe uma mensagem no site a dizer que o encontrou e a sua opinião sobre o respectivo livro.

Conceito adorável, é verdade, mas não é para mim. Não me interpretem mal: não tenho nada contra uma troca gratuita e aleatória de livros. Nada disso. Tenho é medo de me sentar num banco de jardim e de, ao meu lado, estar um livro do Paulo Coelho. Só de pensar nisso apetece-me pegar num picador de gelo e vazar ambas as vistas.

Eu cá tenho outra visão: O ChickCrossing. E quando eu emprego o termo Chick não me refiro a galinhas – embora existam por aí galinhas que se mexam bem, acreditem que eu sei – refiro-me, isso sim, a mulheres. O que eu proponho é uma troca gratuita e aleatória de mulheres. Usufruímos de uma tipa e depois, num acto repleto de altruísmo, libertamo-la. E não estou a falar só de usufruir sexualmente, falo também de uma lavagem de roupa, da confecção de duas a três refeições e da lavagem da respectiva loiça. Muitos de nós, homens, já fazem isso. O problema é que como alguns não catalogam as mulheres devidamente, os outros nunca sabem quais são as que estão no circuito ChickCrossing. Esta é a causa de por vezes nós, sem aviso prévio, apalparmos algumas senhoras.

Eu proponho que a identificação de uma mulher que pertence ao circuito do ChickCrossing seja uma tribal no fundo das costas (ou imediatamente acima do pandeiro, como preferirem), o que torna o processo mais simples uma vez que a maior parte das javardon… “mulheres mais disponíveis” já a têm. E que alegria era, numa tarde fria de inverno, encontrarmos por aí uma Soraia Chaves.

Claro que este processo implica algumas regras. Primeiro, os crossers têm de se comprometer a não danificar a obra, caso o Benfica perca, nem a adicionar-lhe alterações como, por exemplo, gonorreia. Outra questão de imperial relevância é o crosser comprometer-se a libertar a miúda num período máximo de uma semana, nem mais um dia. É que, para outro crosser, ela poderá também ser um belo momento de cultura. Finalmente, é importante o feedback de todos os crossers, devendo estes deixar a sua opinião no site, sobre aspectos importantes como profundidade de conteúdo, tamanho das narrativas e capacidades de confecção de um bom cozido.

Eu cá vou fazer a minha parte: vou pegar na minha avó (identificação: dragão tribal) e libertá-la num jardim.

No caso do leitor ser uma mulher:

Este texto não reflecte minimamente as opiniões e convicções do autor. Ele só escreveu este texto porque lhe puseram qualquer coisa na garrafa de whisky. Na verdade, o autor deste texto é um romântico incurável. Quando esse homem sensível não está no Mali em missão com os Médicos Sem Fronteiras nem a arriscar a sua vida no combate a incêndios com os restantes Bombeiros Voluntários da Ajuda, divide o seu tempo entre a pintura, a leitura de poesia para crianças visualmente e manualmente incapacitadas e o convívio diário com mulheres que sofrem de obesidade mórbida (porque para ele o que conta verdadeiramente é o interior).


Discurso da Melga-Raínha

Fiéis súbditas,

Penso que sabem o motivo pelo qual solicitei que nos reuníssemos todas aqui hoje: chegou oficialmente o Verão. Sim, sim, eu sei que este ano já vos disse isto quatro vezes e depois afinal não era Verão e os dias seguintes foram frios e chuvosos. Mas desta vez tenho quase a certeza. Eu esperei uma semana para me certificar de que não eram só uns dias solarengos passageiros, pois também eu não quero que se repitam as baixas avultadas que sofremos nessas quatro ocasiões. Peço um minuto de silêncio por todas as nossas companheiras que foram assassinadas pela chuva inesperada.

Bem, e agora que chegou o Verão, posso finalmente fazer a declaração que todas aguardávamos há cerca de nove meses: está oficialmente aberta a época de caça ao humano!!! Pronto, pronto, acalmem-se. É bonito ver o vosso entusiasmo, mas eu ainda tenho de discutir alguns assuntos com vocês.

Antes de mais, estive a analisar e comparar os números do ano passado, referentes à quantidade de sangue humano ingerida pelos vários grupos de animais hematófagos, e deixem-me que vos diga que fiquei desiludida. Já é habitual ficarmos atrás dos mosquitos – todas sabemos que eles são mais, não têm problema em voar de dia e trabalham o ano inteiro – agora o que não é normal é as pulgas e carraças terem ficado à nossa frente. Mais grave ainda: não só perdemos o segundo lugar como ficámos quase ao nível das sanguessugas. Das sanguessugas!!! Um animal hermafrodita que mal se mexe para caçar!

Esta humilhação não se pode voltar a repetir. E se o ano passado foi um fracasso e tínhamos um elevado número de operacionais activas, este ano vai ser ainda mais complicado com todas as baixas que sofremos por causa da chuva. Assim sendo, para evitar mais baixas desnecessárias e tentar melhorar a nossa competitividade, resolvi rever alguns dos princípios fundamentais da nossa actividade. Ouçam com atenção, por favor.

Em primeiro lugar, evitem poisar em paredes brancas. Não sei se todas têm consciência disto, mas nós temos uma cor escura que contrasta com o branco da parede, o que nos torna facilmente visíveis para os humanos. É um erro básico que não pode acontecer.

Segundo: ataquem apenas durante o sono. Não se armem em heroínas e se ponham a espicaçar os humanos enquanto eles andam lá nas actividades deles. Eu sei que é muito divertido gozar com eles, mas não os subestimem. Lembrem-se que os humanos têm incorporadas duas armas que servem para nos esmagar, aquilo a que eles chamam “mãos”. Por isso, esperem sempre até que eles se deitem e adormeçam. E se por acaso eles demorarem a adormecer, utilizem o nosso zumbido natural para os desgastar até ao ponto em que eles já não aguentam mais. Nessa altura, é seguro atacar.

Terceiro: não sejam demasiado gulosas. Bebam apenas uma quantidade de sangue que vos permita fugir se for necessário. Lembrem-se do velho ditado: “Melga que fica obesa, passa de predador a presa”.

E agora, atenção, que isto é importante: muito cuidado com a escolha das vossas vítimas. Antes de decidirem sugar o sangue, observem como a vítima se está a comportar. Isto é especialmente relevante para todas vocês que foram destacadas para os festivais de verão. Acho que todas aqui nos lembramos o que aconteceu à Helga em 2009. Para os novatos, deixem-me contar: a Helga tinha sido destacada para o Boom Festival e decidiu ignorar este princípio, atacando um humano que se estava a abanar freneticamente e a imitar um pássaro. Pouco tempo depois, a Helga começou a voar de forma desordenada, disse que tinha sido um golfinho na vida anterior e atirou-se em direcção a um rio. Não se sabe ao certo o que provocou isto, mas o que aprendemos é que não devemos atacar humanos que se estejam a mexer de forma estranha ou que usem óculos escuros à noite.

Finalmente, e como nunca se sabe, acho melhor deixar-vos também este conselho: cuidado com a chuva.

Agora vão, fiéis súbditas, e nos próximos três meses suguem tanto sangue quando puderem e enlouqueçam o máximo de humanos que conseguirem! Mantenham sempre em mente que não fazemos isto apenas pela nossa sobrevivência, mas também por algo mágico e místico, algo muito maior do que nós: as lâmpadas!!!


Perturbação de Personalidade Comum

 
Após analisar, de forma cuidada, os relatos de muitas das pessoas que tenho conhecido ultimamente, penso ter descoberto uma nova patologia psiquiátrica: Perturbação de Personalidade Comum. Detectei a existência deste distúrbio ao perceber que, a grande maioria das pessoas que tenho vindo a conhecer, apresentam exactamente as mesmas características. Ou seja, apesar de fisicamente distintas, todas elas partilham a mesma personalidade. De seguida, descrevo o perfil da pessoa que sofre de Personalidade Comum:
 
  • É uma pessoa humilde, tolerante e um bocado tímida. Tem sentido de humor e não faz julgamentos. É solidária, gosta de ajudar os outros e faz voluntariado. Detesta injustiças, gente falsa e hipocrisia. É genuína, não fala nas costas, é frontal e não tem problema nenhum em dizer tudo na cara.
  • Acha que o dinheiro não é o mais importante e que o que realmente interessa é o coração. Mas não é uma pessoa fácil de aturar, porque é muito independente, tem uma personalidade forte e é um bocado teimosa. Ou se gosta dela ou se detesta, não há meio-termo.
  • Os seus lemas de vida são “segue os teus sonhos”, “vive um dia de cada vez”, “e “sê quem tu és”. Os seus ídolos são Gandhi, Martin Luther King e Madre Teresa de Calcutá. Gosta de sushi, teatro, fotografia e música, embora não ouça as bandas mais comerciais. Só compra marcas portuguesas, não vê televisão e adora ler, sendo o seu autor preferido Fernando Pessoa.
  • É empreendedora, pró-activa , dinâmica e criativa. Trabalha desde nova, conseguindo todos os seus empregos por mérito próprio e nunca por cunhas. É assertiva, trabalha bem em equipa e sabe reconhecer quando erra. Trabalha demais e recebe de menos. É esforçada e competente, das melhores no seu emprego, mas os colegas e o patrão estão sempre a tentar prejudicá-la. Mas ela não tem medo e responde-lhes sempre à letra.
  • Entende bastante de política, economia e futebol. Percebe todos os esquemas que acontecem porque conhece pessoas influentes em cada um desses meios. Identifica os problemas do mundo – dinheiro, corrupção e crise de valores – e tem as soluções, embora não as possa pôr em prática porque o sistema não o permite.
  • Vota em consciência e faz questão de fazer intervenção social através das redes sociais e de manifestações de rua. É anti-catolicista, anti-capitalista e anti-materialista. Insurge-se contra o racismo, a xenofobia e a discriminação. É activista dos direitos dos animais, faz a reciclagem e defende o ambiente, a sustentabilidade e o espírito comunitário.
Se o leitor conhecer alguma pessoa com este perfil, por favor informe-a que ela sofre de uma perturbação psiquiátrica. Ah, quase me esquecia do principal traço que caracteriza as pessoas que sofrem de Personalidade Comum: falta de individualidade e de pensamento próprio.
 
 

%d bloggers like this: