Carta a um filho homossexual

carta

Como? Como é que isto pôde acontecer? Oh meu filho, meu rico filho… Tu és tão lindo, tão forte, tão homem! Como é que nos podes dizer uma coisa dessas! Oh filho, diz-me, por favor, diz a esta tua mãe que já não aguenta mais este sofrimento, diz-me que é mentira. Toda a gente sempre te gabou ”Ai o seu filho é tão lindo, está um homem bonito, bem feito.”
Toda a gente diz que és um homenzarrão, um senhor, um galã como o Diogo Infante! Andavas sempre rodeado de amigas, eu não percebo. 
Diz-me que é mentira, filho.
Não. Eu não posso aceitar.
Se isto for verdade não voltas a entrar nesta casa, ouviste? Se vieres para cá, comes noutro prato. Não te nego comida que não é o que Deus nosso Senhor quer mas comes com outro talher que eu e o teu pai não vamos apanhar as tuas doenças.  Ai o teu pai… Eu nem quero imaginar o que o teu pai tem para te dizer. 
Vamos todos os dias à missa. Ai vamos. Mal chegues vamos logo falar com o padre Vítor. Isto é obra do demónio. Só pode! Isto foi o Diabo que te entrou no corpo… Meu Deus! Eu nem quero imaginar no que te entra no corpo.
Que desgosto. Que desgosto, meu filho. Que tristeza tão grande deste à tua mãe. Não me faças isto.
Eu sabia que não te devia ter deixado ir morar para aí sozinho. Sempre foste tão bom menino, muito arrumadinho, com muito juízo, és doutor, tinha tanto orgulho em ti…
O que é que toda a gente vai dizer? Não te preocupas com isso? Olha o que vão dizer de mim! Que a culpa é minha, que fui eu que te estraguei, que eu não te soube criar. Ai meu Deus do céu…

Ainda bem que os teus avós já cá não estão para ver isto.
Nunca pensei que me fizesses uma coisa destas. Nunca pensei que isto pudesse acontecer,  e sabe Deus o que me custa dizer isto mas é o que sinto: tenho vergonha de ti. És egoísta se não mudares. O melhor é nunca mais voltares para aqui.

Eu despeço-me agora, não aguento mais. O teu pai quer dizer-te algumas coisas. Agora é que vão ser elas! Eu nem vou ler. Nem vou ler que já não consigo de tanto chorar. Mas vá, o teu pai quer dizer-te umas quantas, vai dizer o que pensa disto e sei que não vai ser tão brando como eu. 

 Adeus

 

 

Olá filho.

Amo-te na mesma, és e serás sempre bem vindo.
Se tiveres namorado, trá-lo, eu quero conhecê-lo.  

Até breve.
Beijos

Pai

P.S.  Eu nunca gostei da tua mãe.


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