O preconceito.

Quando temos de estar numa sala de espera, num centro de saúde, com outras pessoas que também estão doentes, é chato.
Pior é ter de estar numa sala de espera com pessoas doentes quando não estamos doentes e só lá estamos para fazer companhia à namorada.
Eu sei, sou uma besta.

 Mas vocês sabem como é, miúdos a gritar e a berrar, a mexer em tudo ou a correr de um lado para o outro, sempre a perguntar se ainda vai demorar. São os velhos a tossir para todo o lado só tapando a boca depois de terem acabado. São as pessoas que falam ao telemóvel como se estivessem a falar para a pessoa que está do outro lado do rio, sobretudo quando se estão a queixar do que se está a passar na sala ou a falar de coisas muito pessoais… tipo as hemorróidas que o marido recusa tratar!
São os empertigados que olham com nojo para toda a gente (e por incrível que pareça não estou incluído nesta categoria) e há as pessoas como eu que fazem os possíveis para aguentar sossegadinhos até serem atendidos para poderem ir para casa.

Tudo isto aconteceu e só faltava um cliché das salas de espera, um que não tardou em aparecer. Ciganos.

ciganos

Mal entrou a cigana, uma mulher de quarenta e poucos anos com aspecto de cinquenta e muitos, o meu preconceito fez-me pensar: “Pronto, só me faltava esta.”
Pensei que ia entrar à patrão, querer passar à frente de toda a gente sem qualquer respeito ou consideração pelas outras pessoas que já estavam ali há horas, a sofrer.
Não fez nada disso. Sentou-se a consolar o filho que tinha ao colo e esperou pela sua vez.

É para eu aprender a não ceder aos preconceitos que por vezes a sociedad…

Isto era o que eu estava  a pensar quando o marido entra a falar alto e a perguntar-lhe o que é que ela estava ali sentada a fazer e  porque é que ela não estava lá dentro a ser vista pelo médico.

Eu, contente por afinal ter uma percepção errada dos ciganos e aquela atitude deitou tudo a perder.

Eu até perceberia se ele estivesse a pedir para o filho ser atendido por ser pequeno e achar que as crianças deveriam ter prioridade mas não, só sabia queixar-se que tinha pressa e que tinham de ir embora.

Ciganos. São sempre a mesma coi… estava eu a pensar quando ele disse algo que deitou tudo abaixo outra vez!
Disse que tinham de ir porque o lar onde o pai está tem horário de visita e não queria que o velhote se sentisse abandonado.

Pumbas, outro golpe no ego. Não sei nada sobre esta gente.

Ele passa à frente mas apenas porque a médica pediu e toda a gente na sala concordou.

Eu fiquei à espera com a minha namorada, tentei prestar o apoio possível e mima-la. Ela estava com sede, a máquina de vendas não funcionava. Ao que parece não se dá bem com várias crianças a carregar nos botões todos a tarde toda. Fui ao café em frente comprar uma garrafa de água e enquanto regressava pensava que tinha de parar de pensar assim, não o fazia com mais ninguém porque raio é que o deveria fazer com os ciganos. Curiosamente é nesse momento que vejo a família de ciganos a sair do centro, passam por mim, o miúdo parece um pouco melhor, sorrio para eles e eles passam por mim a sorrir. Confirma-se tenho de parar de pensar  assim… e é nesse momento que o oiço dizer, entre gargalhadas: “Estes burros acreditaram que éramos ciganos e deixaram-nos passar.”

Há ser cigano e há ciganada…


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