Diário de um coxo – semana 1

DIA 0

Estalo. Sensação de pedrada no calcanhar. Queda.  Sensação de injustiça. Porra, devia ser proibido um adepto do Benfica lesionar-se esta época! O futebol já me provocou dor suficiente em Maio.

 

Na triagem: “Hm, vamos fazer só um Raio-X para despistar.” Sinto um tom de desprezo na abordagem. A Ana está com aquele típico olhar complacente e abanar de cabeça que diz “Homens… que bando de mariconços.”

A bem da minha masculinidade, não saio daqui sem ter uma lesão terrível.

 

“Tem uma rotura total do tendão de Aquiles” TOOOOOOOMA! Quem é que é menino da mamã agora, quem é?!

“Vai precisar de cirurgia amanhã” TOOOOM.. merda. Dá para ligarem à minha mãe?

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DIA 1

A ecografia confirma: o meu tendão está tão roto que podia apresentar um programa da manhã. Acho que o médico o vai coser com fio de missangas.

 

AGULHAS! Depois do enfermeiro falhar a espetar a do cateter e a injetar soro (Dói!!!), ainda ma mostrou: “Está a ver o tamanho da agulha que metemos aí?”

Sinto-me como se tivesse sido violado e no fim o violador me mostrasse o pénis. “Estás a ver o que eu pus aí dentro?”

 

Nunca mais vou ouvir a boca do “Eu já passei por um parto”, porque agora também já sei o que é estar num bloco operatório e levar epidural. TOMA!

Só faltou a parte do meu corpo dilatar para sairem 4 quilos de ser humano e uma placenta viscosa lá de dentro. Mas, convenhamos, essa é a parte mais fácil do parto.

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Pessoas feias com anestesia não deviam ter um telemóvel com câmara à mão.

 

DIA 2

Nunca pensei vir a ter inveja do meu tio bi-amputado. Que dores.

 

DIA 3

Sinto-me bem. Já tomo menos analgésicos que o meu recibo de ordenado.

 

DIA 4

É irritante passar o dia todo na cama com um membro levantado. Dou muito mais valor à vida de um ator porno.

 

DIA 5

Maio/Junho, tempinho de caca. Um gajo lesiona-se e fica fechado em casa… para cima de 30 graus.
Pô, São Pedrô, vai tomar no cu.

 

DIA 6

Dou por mim a achar que o Flávio Furtado é um gajo 5 estrelas, o Francisco fez muito bem em sair e a Fanny é tão falsa que uma hora de Fanny na TV devia ser considerado burla.

O médico bem disse para o meu pé não bater em lado nenhum, mas ele insiste em bater no fundo.

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DIA 7

“Mexe, mexe, que é bom! Mexe, mexe que é bom!”
Não bastava um entrevado ouvir música de bailarico na rua, a própria letra faz questão de me lembrar, por exclusão de partes, que estar parado é uma merda.


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