Cavaco, o Lavrador

CavacoNo meio deste mundo louco e em constante mudança, há poucas coisas com que podemos contar. Na realidade, a morte é a única coisa certa que temos, a morte e as gargalhadas que se seguem após uma intervenção publica do Cavaco.

Pois é, o Cavaco voltou a falar no dia em que foi plantar uma árvore ao jardim botânico em Lisboa e foi maravilhoso! E foi maravilhoso porquê? Primeiro porque não é todos os dias que vemos uma árvore a ser plantada por um vegetal, depois porque o Cavaco voltou a falar e demonstrou que afinal os tempos que passou desaparecido no meio dos corredores de Belém não eram assim tão maus.

Mais uma vez, o nosso Presidente falou do seu apego à terra e do quanto admira os nossos agricultores. É bonito. Bonito para qualquer psiquiatra ou psicólogo, pois raramente devem conseguir observar com tanta clareza a progressão da doença de Alzheimer numa pessoa. Cavaco admira hoje os agricultores, os mesmos agricultores a quem ele pagou para deixarem de o ser. Vendo bem as coisas, este é um traço comum da personalidade do Sr. Silva, pois também admira a democracia, mas anda há anos a ver se consegue que ela acabe. No entanto, eu acho bem que o Cavaco admire os agricultores, até porque sobreviver da terra depois das políticas agrícolas do antigo governo do Aníbal é quase tão difícil como sobreviver em Auschwitz sendo um judeu homossexual, negro e comunista.

Mas as declarações do nosso Presidente não acabam aqui. Parece que para o Cavaco, o que faz falta a Portugal é trabalho, criatividade e bom senso. Em certa medida, concordo. É realmente preciso muita criatividade para se conseguir viver só do trabalho no nosso país, por isso é que os menos criativos, como o Sr. Silva, por vezes têm de recorrer a coisas mais cinzentas e pouco imaginativas, como fraudes bancárias, burlas e viagens para Cabo Verde. Curiosamente, Cavaco não disse que o fim da corrupção, do compadrio, da impunidade e dos erros nos orçamentos e previsões também faziam falta ao país. Mas pronto, se calhar também estou a ser picuinhas. Às vezes tenho esta coisa de pensar que temos direito à justiça e à dignidade.

Mas se as declarações do Cavaco foram fantásticas, a cerimónia não lhe ficou atrás, a começar logo pelo erro na placa colocada a celebrar o facto de o Aníbal ter plantado uma árvore. Pois é, Jorge Braga de Macedo, antigo Ministro das Finanças do Sr. Silva, mandou gravar uma placa, mas atrapalhou-se e meteu o Cavaco como 19º, em vez de 18º Presidente da República. Pelos vistos é tradição os Ministros das Finanças do PSD enganaram-se nos números.

Agora, a coisa que mais me espantou em tudo isto foi ver finalmente um político a dizer a verdade à frente das câmaras. Mesmo antes de plantar a árvore, Cavaco confessou que já abriu dezenas de buracos. Basta ver o estado em que Portugal está para percebermos que, pelo menos aí, ele foi sincero.


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