TAXI DRIVER – Pim pam pum cuidado Sr. Político, o taxista mata um.

taxi_driver_wallpaper retocado

Há dias, às 5 da manhã, um taxista que me levava à estação Santa Apolónia, em Lisboa, decidiu falar sobre política e entre asneiras e adjectivos lá foi dizendo o que pensava da situação de Portugal. Depois virou-se para mim e disse que os políticos só iam ganhar respeito quando ganharem medo. “O que é que acha?” – perguntou ele.

Eu não tinha muito a acrescentar mas decidi partilhar a minha opinião que, por acaso, estava muito ligada a esta história que acabei por lhe contar.

– Numa rua como tantas outras, ocorriam acidentes com uma frequência pouco normal. Todos os dias alguns carros batiam. Todos os dias, apesar dos esforços de uma moradora, já idosa, preocupada em advertir os condutores.

Um dia a velha morreu e os acidentes deixaram de acontecer. Foi então que toda a gente percebeu. A velha, ao querer evitar os acidentes, era a responsável por estes acontecerem.
E é isso, parece-me, que o Governo está a fazer. Passos Coelho e Vítor Gaspar, querendo salvar o país, estão a afogá-lo.

Eu acredito que os políticos tentam ajudar Portugal, tal como a velhinha tentava evitar os acidentes que acabava por causar. –

Parado num semáforo, o taxista ficou a olhar para mim, mexeu um bocado o bigode. Parecia um tique nervoso. Perguntei: “Não concorda comigo?” – mexeu o bigode outra vez, voltou o olhar para a estrada e não disse uma palavra.
Foi então que eu disse: “Talvez concorde agora. É que a velha era casada com um bate chapas e cada vez que um carro batia, ela ia a correr telefonar ao filho para trazer o reboque. Vê como os políticos são como a velhinha? Eles só querem ‘ajudar’.” – O taxista soltou uma  estrondosa gargalhada e com um sorriso disse: “AAAAH bom, assim tá bem. Assim tá bem…” – depois voltou a olhar seriamente para a estrada iluminada pelos faróis do seu táxi e com uma voz grave afirmou: “Isto só lá vai quando eles ganharem medo e isso só vai acontecer quando um desgraçado que já não tem nada a perder enfiar um tiro nos cornos de um deles.”
Foi então que se apercebeu que não tinha activado o taxímetro. Paguei os 3,50€ e saí do carro enquanto ele gritava qualquer coisa sobre ter dado a volta maior, ter gasto mais gasóleo do que o dinheiro que eu lhe tinha dado e que aquilo era o karma ou o caralh… Vocês percebem a ideia. Depois, mesmo antes de arrancar a toda a velocidade disse-me: “Olhe, sabe que mais? Acabou-se. Acabou-se.” Pouco depois bateu num carro estacionado, saiu do táxi, resmungou, rasgou a camisa e saltou várias vezes enquanto brandia os braços ao céu. Deixou o carro com a porta aberta e foi a pé, andou até deixar de o ver.

Não sei onde é que ele foi a seguir mas parecia ter pouco a perder…

Desde então tenho estado atento aos jornais.

taxi driver

Até qualquer dia Sr. Taxista. Até qualquer dia…


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: