O Banquinho do Acompanhante – parte I

AndreSilva_Banquinho

 

Herdámos dos nossos antepassados um medo terrível de cobras e aranhas. Ao ver essa bicharada dispara um mecanismo escondido lá para a arrecadação do cérebro: suores frios, tensão muscular, batimento cardíaco desenfreado. Além da cena das cobras, há outras duas situações em que tenho a mesma reacção: ao ver José Castelo Branco saltitar para a piscina e quando ouço a minha namorada dizer “Amanhã temos uma festa e não tenho nada para vestir!”.

Sem entrar em grandes reflexões existenciais, devo dizer que este conceito de “nada” é muito relativo, a frase vem de alguém que tem um armário de roupa onde viveria desafogada uma família de romenos.

Fenómeno comum mas difícil de compreender, a questão da roupa desenvolve nas senhoras uma inexplicável pulsão de urgência. Por exemplo “Temos um casamento em Setembro e ainda não sei o que vou levar”. Ora, qualquer indivíduo do sexo masculino pensa com naturalidade que isso é coisa para tratar, vá, no fim de semana anterior, e isto para os mais betinhos. Um homem a sério trata disso no próprio dia de manhã e compra a primeira coisa que aparecer. Porquê a preocupação com a indumentária num evento que vai acontecer daí a 6 meses? É para mim um mistério tão grande como os buracos negros ou o poder de sedução de Zezé Camarinha.

Mas que elas se ralem com isso e adorem passear em lojas de roupa, até aqui tudo bem. O pior é quando isso resulta, recorrendo a linguagem militar, em “danos colaterais”. Isto é, “Também tens de vir comigo. Pá.” Nenhum homem aceita este facto de ânimo leve, a mulher tem frequentemente que sacar das letrinhas miúdas do contrato de casamento: para o melhor e pior, na saúde e doença, na alegria e na secção de bijuterias da H&M.

Usando o ardil “Vamos beber café à Baixa” lançam um engodo que até um girino punha na borda do prato. Percebendo demasiado tarde que está à porta do estabelecimento e que a resistência é inútil, o corpo masculino desenvolve uma extraordinária reacção química defensiva: faz cara de frete, fecha a torneira da adrenalina e a pulsação desce progressivamente até um estado de torpor que resulta num sonoro bocejo. O homem está agora preparado para ir às compras.
Não perca o desfecho na próxima semana. E já agora siga-nos em https://www.facebook.com/aristocratas


2 responses to “O Banquinho do Acompanhante – parte I

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: