Natal, para mim, é quando dá o Sozinho em Casa…

Músicas de Natal, árvores enfeitadas, ruas iluminadas, prendas, bacalhau, para mim, não me dizem nada. Pode ser Carnaval, podem ser marchas populares, pode ser uma terça-feira à tarde mas se dá o Sozinho em Casa, percebo que é Natal, é assim desde pequenino.

Home Alone

Nada define melhor o Natal do que ver um puto loiro, obrigado a crescer enfrentando os seus medos e aprendendo o valor da família ficando sozinho na época natalícia e dando uma malha a dois ladrões trapalhões.
Toda a gente se identifica com isto, certo?

Não? Que estranho!

Ah, já percebi. Vocês são da velha guarda e o vosso filme de Natal é o Regresso ao Futuro, certo?

Back to the Future

Também me lembro disso. Antes do Sozinho em Casa, o filme que passava sempre era este. A história de um adolescente que precisa do carro para ir a uma festa com a namorada e que vive desiludido pela postura dos pais em relação à vida porque não são o que poderiam ser e conformam-se com isso, deixando-se subjugar pelo bully desde os tempos do liceu, o Biff. Nada fazendo prever, o miúdo é amigo de um cientista maluco que lhe pede para ir filmar uma experiência a altas horas da madrugada e depois de ver o velho ser baleado, o miúdo foge no carro do cientista que é, afinal, uma máquina do tempo e leva-o ao tempo da adolescência dos pais, assistindo aos eventos que tornaram os pais nas pessoas que são e, sem o perceber, através de várias peripécias, transforma esses eventos, os pais atingem todo o seu potencial e o Biff teve o que merecia, algo que podemos ver quando no fim, o jovem volta ao futuro, o seu presente… o glorioso ano de 1985.

Ainda aí estão? Fixe!
O que é que isto tem a ver com o Natal? Não sei mas era este filme que passava na televisão.

Mas então onde é que eu quero chegar? Simples, todas as décadas têm o seu filme de Natal:

80’s – Regresso ao Futuro
90’s – Sozinho em Casa
2000 – Love Actually.

“Love Actually” ou o “O Amor Acontece” é um filme onde um conjunto de pessoas, estranhamente interligadas, mas sem que isso tenha qualquer peso na história, vive situações relacionadas com a sua vida amorosa que, por acaso, acontecem na época natalícia.

Love Actually

Temos o Primeiro Ministro britânico, jovem, bonito, moderno, solteiro, (tudo o que o Tony Blair não é) que se apaixona pela rapariga que entrega cafés apesar de ter ancas muito largas e devido a esse amor ganha coragem para enfrentar o Presidente dos Estados Unidos (tudo o que o Tony Blair não fez) e devolveu o orgulho ao povo britânico.

A irmã do Primeiro Ministro é uma senhora de meia-idade cujo casamento é ameaçado, não só pela rotina como pelas insistentes e incisivas tentativas de sedução de que o seu marido é alvo por parte da sua secretária.

Marido esse que é patrão de uma americana, cujo irmão, deficiente mental, que por algum motivo também vive em Inglaterra, não lhe permite desenvolver relações amorosas, neste caso com o Rodrigo Santoro (Yeah, um brasileiro, este conhecemos!) ou ter qualquer tipo de vida social pois está constantemente a ligar-lhe e a pedir-lhe para ir ter com ele ao manicómio. Para quê? Para lhe bater. Tá boa…

Ela, num casamento a que conseguiu ir,  falou com um rapaz, que hoje em dia é polícia e mata zombies, perguntando-lhe se ele era gay e se estava apaixonado pelo noivo, tal era a sua tristeza enquanto obsessivamente filmava o casamento.
Descobrimos mais tarde que afinal ele só filmava a noiva, a precoce Keira Knightley, agora esposa do seu melhor amigo e mulher por quem está perdidamente apaixonado, reprimindo esses sentimentos por respeito ao amigo. Ela descobre isso pedindo o vídeo do casamento, ele assume e num momento em que ele lhe toca à campainha munido com músicas de Natal e uns cartazes, ele declara-se mas afirma que não vai acontecer nada, ele vai-se embora, ela vai atrás dele, dá-lhe um beijo e percebemos que aquilo é o fim… até porque começa a música da Dido – “Here With Me” que é o “Someone Like You” (da Adele) do seu tempo.
Ainda bem que foi ela que atendeu… não sei como é que ele ia explicar aquilo se tivesse sido o marido!

Temos o Liam Neeson, viúvo da mulher da sua vida, padrasto de um miúdo que está apaixonado e que traça o plano de aprender a tocar bateria para conquistar a miúda mais popular da escola, que, azar dos azares, volta para os Estados Unidos, logo a seguir à festa, mas é que nem espera para comer uma fatia de bolo!
Ah! Três meses depois de enviuvar, o Liam apaixona-se pela Claudia Shiffer. Quando ele disse “mulher da vida dele” na verdade ele queria dizer… bem, é assim que aprendemos que tudo é relativo.

E finalmente temos o panhonhas mas querido Colin Firth, homem correcto que descobre ser encornado pela… peço desculpa, deveria dizer: enganado pela mulher com o seu irmão. De bruto, mas um bruto clássico british, decide ir passar uns tempos a França onde poderá concentrar-se no seu livro. Para o servir, é-lhe arranjado uma portuguesita… O QUÊ? TEMOS UMA PORTUGUESA NUMA PRODUÇÃO INTERNACIONAL DE ENORME SUCESSO? TUDO VALE A PENA, SOMOS OS MAIORES, SOMOS GRANDES, CARALH… Qual é o nome dela? Porra. Ela é filha daquele que apresentava a Arca de Noé. Ai… como é que é o nome dela? Ela foi a melhor classificada portuguesa na Eurovisão e tudo… Bom, não interessa, é portuguesa, que se lixe o brasileiro.

Bom, então a portuguesita, é apresentada ao Colin, ele fala do Eusébo mas claro, como boa portuguesita que é, não sabe falar francês e é explicado ao Sr. Colin que ela é demasiado nova para se lembrar de um jogador como o Eusébio…

Ai JAAAAASSSSSUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU! Sujeitos a começar uma guerra à conta disto…

Continuando. A portuguesita não sabe falar francês, nem inglês e pelo pouco que fala é de crer que se calhar pouco sabe de português, mas um “Foda-se, a água tá fria” ninguém lhe tira.
Isto cria várias situações caricatas em que o dialogo é através de gest… LÚCIA MONIZ! Lembrei-me agora.

Bom, ela é ignorantezita, como uma boa portuguesita imigrante dos anos 60 deve ser… apesar de ser 2003, ter uma tatuagem e não sei se já tinha dito, ISTO PASSA-SE EM DOIS MIL E TRÊS!
A família dela e todos os outros portugueses são os típicos bardajões de bigode… e não são só as mulheres, os homens também! Mecânicos e intriguistas gordas de buço bem crescido. Categoria!

Acaba tudo em bem, excepto a americana que não chegou a dormir com o Rodrigo Santoro… nem com ninguém. De resto sim, acaba tudo em bem. Ah, excepto o patrão e a mulher, aquilo nota-se que estão juntos mas num clima muito frio… Mas bom, o resto é um final feli…. ah, o Colin e a portuguesita são recebidos no aeroporto… onde estranhamente também estão todos os outros! Bom, são recebidos no aeroporto pelos noivos… e pelo amigo deles que gosta da mulher do melhor amigo. Estão lá os três… isto já começa a ficar muito esquisito.
Mas tudo acaba bem, estão quase todos felizes, entre abraços e beijiinhos e uma música animada. O fim.

O porquê de descrever o filme? Simples, assim não precisam de o rever.
Por isso, por favor, este ano não mais Love Actually, sim? Por favor?

A sério, eu só quero ver o Sozinho em Casa.

Macaulay

Pronto, agora já não…

Feliz Natal a todos.

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