A gasolina matou o meu filho…

Eram 22:43 quando a minha namorada perguntou: “A pastelaria já fechou? Precisamos de pão e apetecia-me um gelado.”


A pastelaria já estava fechada, informação que ela recebeu com triste resignação.

O que me motivou a sair de casa e ir ao hipermercado.

Por esta altura poderá estar a pensar: “Olha-me para este banana, a fazer tudo o que a namorada quer!” – E tem razão mas só um homem a sério se permite ser banana para satisfazer um desejo da mulher que vai fazer dele pai. Sim, fi-lo porque a minha namorada estava grávida.

Cheguei ao hipermercado, estava fechado.

E agora o que é que eu podia fazer? A namorada em casa, ansiosa, a aguardar impacientemente pelo gelado…

“Já sei!”

Atravessei o parque de estacionamento a correr, entrei no carro e acelerei.
Subi ruas, atravessei sinais vermelhos, galguei passeios, contornei rotundas… Finalmente cheguei à estação de serviço e o que é que eu encontrei?
Uma enorme fila de carros.
Eu não sabia mas o preço dos combustíveis ia aumentar e estava tudo aflito para encher o depósito antes da meia-noite.

Esperei na fila de carros para abastecer, esperei na fila para entrar na loja, finalmente entrei, encontrei o gelado e fiquei à espera na fila para pagar.
Enquanto esperava, folheei algumas revistas, uma de carros, outra de motas, uma de decoração, outra do social… tive muito tempo para folhear.

Eu estava a demorar tanto que só pensava no meu filho, na barriga da minha namorada, a pedir o gelado.

Enquanto a fila andava (devagar), folheei uma revista sobre maternidade.
Havia um artigo sobre desejos, onde se lia: “Todas nós sabemos a verdade sobre o mito dos desejos durante a gravidez mas aproveitem a boa vontade do papá, é uma mentirinha inocente e nós merecemos esses miminhos.”
A expressão “mentirinha inocente” ecoava na minha mente enquanto via os ponteiros do relógio a andar.

Mas percebi que estava a ser parvo, é mesmo uma mentira inocente, ela tem no ventre o meu rebento há 11 meses, merece todos os mimos que muito bem entender.

Continuo a ler a revista e ao que parece, segundo a representação visual da transformação da barriga da mulher, a gravidez dura apenas 9 meses e a barriga fica tipo um balão e não apenas uma badana…

A minha namorada não está grávida, está gorda.

O gelado que tenho na mão já não é gelado, é sopa. Curiosamente é o que ela vai passar a comer. É isso e andar de bicicleta, não só é mais barato como aproveita e aborta o “feto”.

Ah pois, comigo é assim.

Sou muito boa pessoa mas quando me põem a mimar uma badocha durante 11 meses a fazerem-me crer que vou ter um cachopo, fico possuído.
Odeio quando me fazem isso. Espero bem que seja a última vez.

* Para assegurar o seu bem estar físico e psicológico, o autor deste texto pretende esclarecer que a namorada não é gorda, nem tão-pouco tem badana.

** Acresce também a informação que, à excepção do pedido do gelado e da fila na estação de serviço, toda esta história foi inventada, eu sei que os bebés nascem após 9 semanas e meia, daí o título daquele filme com o Mickey Rourke e a Kim Basinger,  onde eles passam o tempo todo a fazer bebés.

*** Afinal são 9 meses… que mundo é este em que não se pode acreditar em Hollywood?!

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