Conselhos que mudaram a minha vida

No decorrer da minha existência recebi alguns conselhos que mudaram drasticamente a minha vida. Refiro-me a pequenas frases que me disseram ou que li em algum lado, que me ajudaram a transformar positivamente a minha pessoa. Assim, e uma vez que funcionaram tão bem comigo, partilho de seguida cinco dessas pérolas de sabedoria, descrevendo a forma como cada uma alterou a minha visão do mundo e me tornou na pessoa que sou hoje.

“Sê quem tu és”

Este foi, sem qualquer sombra de dúvidas, um dos melhores conselhos que recebi na minha vida, porque até ao dia em que me disseram “sê quem tu és” eu insistia em ser uma modista de 73 anos chamada Carminda. Passava os dias a bordar e costurar roupas de senhora. Era uma senhora bastante prendada e fazia vestidos de casamento lindíssimos, apesar de já ter algumas dificuldades devido às artroses nas mãos. Só quando ouvi este conselho é que me apercebi que podia ser, livremente, um homem de 28 anos. Foi um momento muito feliz para mim mas triste para as minhas aprendizes de modista, que tiveram de ir procurar outra mestre.

“Segue os teus sonhos”

Um daqueles conselhos que abana o nosso mundo. Eu sempre tive um sonho mas achei que não valia a pena segui-lo pois parecia-me bastante arriscado, trabalhoso e com reduzidas probabilidade de sucesso. Enfim, aquilo que todos pensamos quando auto-censuramos os nossos sonhos. Felizmente, quando li na internet este conselho, tudo mudou. Pensei para comigo: “Epá, tu consegues violar uma gaja. E se não conseguires, pelo menos tentaste”. Foi assim que comecei a minha carreira como violador e já levo na conta pessoal trinta e cinco mulheres violadas. Apesar de não ser uma actividade economicamente rentável, consigo retirar outro tipo de benefícios.

“Vive um dia de cada vez”

Enquanto pessoa com a capacidade para manipular o tempo, era frequente eu viver dois e três dias de cada vez. Quando algo não me agradava, bastava-me acelerar o tempo e lá estava eu uns dias à frente. Por vezes, mais bêbado, chegava mesmo a viver semanas de uma vez só. Felizmente, quando ouvi esse conselho sábio, houve um click no meu cérebro e eu percebi que andava a perder muita coisa por viver vários dias em simultâneo. Assim, entrei num grupo de entreajuda para Manipuladores do Tempo e hoje em dia já sou capaz de viver um dia de cada vez, embora tenha ainda alguma dificuldade em não viver vários minutos ao mesmo tempo.

“Acredita em ti próprio”

Até um amigo meu me ter dito isto eu não acreditava em mim. Considerava-me um burlão que estava sempre a tentar aproveitar-se de mim mesmo e, como tal, eu não acreditava em nada do que dizia. Acreditava, isso sim, no Ricardo Carriço. Eu ouvia tudo o que o ele dizia e seguia-o à risca. Amor, saúde, trabalho e até culinária, eu acreditava em todas as opiniões que o Ricardo tinha sobre esses assuntos. Para mim, Ricardo Carriço era o detentor absoluto da verdade. Claro que quando me disseram para acreditar em mim – perdão, em mim próprio – percebi que se calhar o Ricardo Carriço afinal não tinha as respostas que eu procurava. Hoje já acredito mais em mim, embora tenha sido difícil inicialmente, pois eu sofro de personalidade múltipla e, como tal, nunca sabia muito bem em qual dos “eus” acreditar. Felizmente, o meu eu burlão foi preso por causa de um esquema Ponzi e eu agora já posso acreditar em mim com mais tranquilidade.

“Vive cada dia como se fosse o último”

Estupidamente, desde pequeno que sempre achei que viriam mais dias a seguir aquele em que estava. Como tal, sempre vivi de acordo com essa visão distorcida, o que me levou a fazer coisas ridículas como preparar o meu futuro e cuidar da minha saúde. Quanto tive a sorte de ouvir esta frase percebi que poderia morrer já amanhã, pelo que decidi aproveitar ao máximo cada dia da minha vida fazendo apenas actividades de que gostasse. Assim, no espaço de uma semana, despedi-me do trabalho e gastei todo o meu dinheiro naquilo que realmente me preenche: prostitutas, drogas e álcool. Actualmente sou sem-abrigo, alcoólico, toxicodependente e uma autêntica enciclopédia viva de doenças venéreas mas, passados cinco anos, continuo sem me arrepender de ter vivido cada dia como se fosse o último pois, muito provavelmente, vou mesmo morrer já amanhã.

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