A viagem… parte III – A Descolagem Infernal

Olá, a semana passada, ficámos no meio da pista, sentados no avião, mas só depois de uma largada de galgos e confrontos dignos da WrestleMania.

Hoje vamos continuar a saga.

Os motores fazem um ruído parecido com os da barriga do Fernando Mendes quando não está a trincar uma perna de borrego.

O avião começa a andar, começa a levantar voo, o chão está cada vez mais distante e nós só pensamos “Se isto cai ainda nos safamos.” até chegar ao ponto do “Pronto, agora já nos lixamos.”

Um dos problemas de ir à janela é assistir a todo este processo, outro problema é sentir o esforço que os motores estão a fazer e o tempo que aquilo demora a estabilizar. São cerca de 10 minutos de pânico controlado enquanto a velha ao meu lado, aquela que não tinha medo, me agarra o braço com força e diz:

“Fodaaaaa-se! Isto dantes era diferente. Ai desculpe, disse uma asneira. Isto antes era diferente. Assim é que é.”

A subida custa mas depois vemos isto:

 

Perante tanta beleza queremos pensar na humanidade, no potencial do ser humano, no quão ridículo são as nossas guerras, as nossas disputas, queremos acreditar que somos mais do que seres insignificantes que implicam por tudo e por nada, cegos às maravilhas que nos rodeiam… Era isto que estava a pensar até a velha voltar a falar: “Ai não seja maricas. Pronto, já passou.”

Giro era ela largar-me o braço mas isso ainda ia demorar uma boa meia-hora.

Olho em redor, eu sei o que está para vir, a qualquer momento… não deve faltar muito.  Cá está.

Ladies and gentlemen this is your captain speaking…” seguido de uma sequência de palavras pronunciadas de forma incompreensível. A forma como os pilotos falam está para a comunicação como a letra dos médicos está para a escrita… Não se percebe nada.

*Ding, dong

Ouvimos um sinal sonoro,  seguido do som dos cintos a serem desapertados. A partir de agora é o Texas, cada passageiro faz o que quer, andar pelo corredor, abrir as malas, os putos a gritar e a saltar de umas cadeiras para as outras.

Outra coisa que começa são as  constantes comunicações dos hospedeiros via intercomunicador…

Fazem o esforço de falar várias línguas. Não percebemos nenhuma.

Dão uma revista com tudo o que podemos comprar no avião, há de tudo. Paraquedas que pode dar jeito, nada.

De todas as coisas parvas que vendem, o prémio vai para o tabaco, não é possível fumar lá dentro. Ri ao imaginar um tipo a fumar na asa, sendo chamado à atenção por estar onde está escrito “Não pisar”

“Você não consegue deixar de olhar lá para fora, pois não? Ulha tudo tão piquinininho! Ai mas tem razão em olhar, olha que coisa mais linda, as nuvens parecem algodão doce. Uma vez comi algodão doce numa feira popular…”

Passado algum tempo, finalmente larga-me o braço, dá duas pancadinhas onde estão as marcas das unhas e diz com um sorriso:

“Cá em cima estamos mais perto de Deus.”

Isto está bonito…

  • A viagem continua para a semana…
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