A viagem… parte II – Embarque Furioso

 Olá, a semana passada ficámos às portas de embarque, falámos sobre a compra dos bilhetes, os horários que era preciso cumprir, os que não são cumpridos e a tensão que se vive na sala de espera.

Hoje, continuamos a saga.

Estamos então numa fila, prontos para o embarque, e por embarque quero dizer apresentar a nossa identificação e o papel amarfalhado que imprimimos, que é na realidade o nosso bilhete. Nota importante, se parecem marroquinos e na foto do vosso cartão de cidadão não têm barba, não vão para o aeroporto de barba.

Fica a sugestão.

Finalmente passamos as portas e podemos ir até ao avião… afinal não.

Depois da sala de espera, temos de esperar na rua, formar nova fila, estar ao frio e ver toda a situação com la famiglia italiana outra vez. Se não sabem do que estou a falar, leiam o texto da semana passada, aqui: >link<

Aproveito esta pausa para voltar atrás. Enquanto estamos lá dentro, à espera e a tentar arranjar um lugar onde nos possamos sentar, estamos também a analisar as pessoas, é natural, é o que fazemos, e não é “analisar” no sentido tradicional em que os rapazes olham para o corpo das raparigas e as raparigas olham para a roupa das outras raparigas. Estou a falar em fazer juízos de valor, perceber o nervosismo/entusiasmo de quem vai andar de avião pela 1ª vez, o medo de quem já andou e não gostou, a atitude arrogante de alguns adolescentes que já andaram de avião pelo menos uma vez (isso faz deles people bué cool) e a saturação de quem anda de avião muitas vezes… mas quando é dada a indicação de que podemos, finalmente, ir para o avião, nada disto interessa.

Imagino sempre aquela situação, vista de frente, em câmara lenta e parece-me a largada de uma corrida de cães.

Velhos e novos a empurrarem-se e a atropelarem-se para chegarem 1º ao avião, era capaz de jurar que vi um avô a morder o próprio neto… Ok, estou a exagerar mas vi mesmo um velho a fazer uma carga de ombro a um miúdo só para passar à frente.  E vendo isto penso: “Tanta merda só para ter um lugar à janela?”

Depois de ter feito 2 uppercuts e 3 takedowns a um grupo de septuagenárias chego ao avião e para minha surpresa há muitos lugares à janela vagos mas quase todos os outros estão ocupados, mas vi dois adultos a empurrarem as malas para ocuparem um compartimento vago e então percebi, a pressa toda não é para ir à janela, é para poder arrumar a mala.

Sentado à janela, o avião dirige-se para a pista, os hospedeiros de bordo, com vergonha estampada na cara, fazem a clássica demonstração de como pôr o cinto e o que fazer para sobreviver à queda de um avião em chamas, enquanto toda a gente está concentradíssima… a mexer nas luzes e no ar condicionado

Sinto alguém a tocar-me no braço.

É uma senhora que me pergunta:

“É a 1ª vez que anda de avião?”

“Não mas a descolagem e a aterragem deixam-me sempre nervoso” – respondo

“Eu não tenho medo nenhum, já estou habituada. Sabe, eu já estive em Paris antes, quando tinha 22, já lá vai muito tempo. Já lá vão uns 20 anos. 20 anos, precisamente… Pois, tenho 45. Oh, disparate! Se já lá vão 20 anos, já tenho é 54!”

“Não quererá dizer 42?” – pergunto eu

“Não seja tão galanteiro, sei que pareço mais nova mas de contas percebo eu! Ai, eu estou doidinha para voltar a ver o Torre Eiffel”

Não sei já tinha dito mas o avião ia para Itália… Foi aí que percebi que a viagem ia ser interessante.

  • A viagem continua para a semana…
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