Doce da casa

À primeira vista, o mundo da restauração em Portugal parece idílico. Pronto, se calhar “idílico” não é a melhor palavra para o caracterizar. Parece agradável, vá. Mas a verdade é que existe uma pergunta que continua sem resposta e que reflecte a obscuridade em que vivem as casas de pasto: porque é que o “doce da casa” é igual em todos os restaurantes?

Se um doce é denominado como “da casa” deveria ser algo produzido especificamente por aquele estabelecimento. Deveria ser um doce que apenas pode ser encontrado naquele restaurante. Mas não é isso que acontece. De norte a sul do país, em todos os restaurantes, o doce da casa é sempre o mesmo: uma mistela de bolacha, natas, chantilly e leite condensado, servida numa taça de vidro. E isto não se compreende. Porque se é “da casa”, então não deveria esta sobremesa ser diferente de restaurante para restaurante?

A única explicação lógica que eu encontro para tudo isto, é que talvez a “casa” não se refira ao estabelecimento em si, mas sim a algum tipo de organização. Desta forma, a “Casa” poderá ser uma organização que produz apenas este doce e o distribui para todos os restaurantes. Mas se assim for, levantam-se imediatamente novas questões. Que tipo de empresa é que aposta na confecção de apenas uma sobremesa? Porque é que não se sabe nada sobre ela? E qual a razão para todos os restaurantes incluirem este doce na sua ementa?

Como se percebe, toda esta questão está envolta numa densa névoa de mistério. Mas eu pensei no assunto e, com a astúcia que me caracteriza, consegui resolvê-lo. Passo então a relatar a verdade. A “Casa” é uma organização do submundo, constituída por todos os proprietários de restaurantes de Portugal e cujo modus operandi consiste no rapto de crianças com a finalidade de as tornar crianças-doceira. As crianças são brutalmente retiradas das suas famílias, levadas para uma doçaria escondida e forçadas a confeccionar este doce em doses massivas e a custo zero, num regime de escravatura. Depois, o doce é vendido nos restaurantes, conseguindo assim os seus proprietários uma margem de lucro elevadíssima. Pensem que, neste preciso momento, algures no nosso país, a Maddie poderá estar a desfazer bolacha e o Rui Pedro a bater natas.

Deste modo, peço a todos que lêem este texto que, quando estiverem num restaurante, não consumam nunca mais nenhum doce da casa. É a única forma de cessar o flagelo das crianças-doceira. E se mesmo depois desta explicação sobre o doce da casa continuam sem compreender a obscuridade que rodeia o mundo da restauração, então fiquem a saber que existe uma outra sobremesa cuja origem ainda é mais sombria: o doce da avó.

 

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