Não há Pai pra ti…

Ora viva! Como estão? A sério? Que bom, ainda bem.

Então, diz que hoje é Dia do Pai? Categoria.

É um dia espetacular. Um dia em que podemos dar mimos ao nosso pai e dizer que o amamos… isto se ele estiver vivo e não achar que isso é coisa de maricas.

Mesmo que já não esteja vivo, merece mimo… vamos é tentar manter isso no sentido figurativo.

Então e o que é isto de ser pai?

Ser pai é… Não sei. Mas sei o que o meu pai passou e não me parece que seja fácil. Já viram o que é estar no auge, financeiramente independente, com uma mulher com quem gostam de namorar, passear, desfrutar a vida e trocar isso tudo por fraldas sujas, noites mal dormidas, partilhar a casa com uma mulher vagamente parecida com a rapariga a quem pediram namoro e arrumar os vossos sonhos numa gaveta? Eu não sei se era capaz.

Ainda por cima estou naquela fase em que os meus amigos começaram a ser pais e isso faz-me pensar: “Então eu ainda  me lembro de ti a comer Cerelac!” – Foi a semana passada. Por vezes eu e os meus amigos reunimo-nos para comer Cerelac. É bom.

Continuando.

Há quem diga que eu sou imaturo mas eu já não ligo ao que os miúdos da creche do meu sobrinho dizem. Andei à porrada com eles uma vez, já chegou, nunca mais. Os miúdos são rijos!  Mais uma razão para pensar duas vezes…

Há quem nos queira fazer acreditar que ser pai não tem só coisas más, que depois de acordar de madrugada, o choro no berço transforma-se em colinho com cheirinho bom, que os sonhos de uma vida são trocados por maravilhosas recordações e que todo o amor que sentimos durante a nossa existência até aquele momento  não se compara com o amor que sentimos quando vemos o nosso filho pela primeira vez. Chamamos a essas pessoas, mulheres…  e se calhar têm razão.

No entanto as fraldas malcheirosas não se transformam em nada, é aquilo e é aquilo mesmo. – pfffuuuuiiiii…

Se calhar estou a ficar menos imaturo. Começo a imaginar como será cuidar de alguém que é um pedaço de mim e não digo isto como um amputado que dá um nome ao próprio braço e o passeia por aí, não. Estou a falar de um bebé.
Vê-lo crescer, ensinar-lhe o que eu sei e aquilo que finjo saber,  incutir-lhe valores e tradições, abrir-lhe horizontes, vê-lo a cometer os mesmo erros que cometi apesar de o avisar, ralhar com ele e rir-me do que aconteceu quando contar à mãe dele. Ver esse bebé tornar-se em alguém diferente do que imaginei mas ainda assim e talvez por isso mais ainda, respeitá-lo e admirá-lo… mas e se não é assim? Não sei. Tenho tempo.

Tenho de perguntar ao meu pai, saber como é que eu vim mudar a vida dele e se valeu a pena. Eu sei que é suposto os pais dizerem que os filhos são o melhor que lhes aconteceu na vida mas eu quero saber se o meu pai tem orgulho em mim…  e já sei que ele me vai dizer: “Filho, não há Pai para ti”  – o que, convenhamos, torna isto tudo ainda mais confuso.

Os pais são os maiores e por isso, por tudo o que fizeram ou deixaram de fazer, estejam presentes ou não, pelo menos hoje, digam ao vosso pai o que sentem.  Como eu:

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