Dar um tempo

Todos nós, homens, já ouvimos nalguma altura da nossa vida a expressão “dar um tempo”, seja proferida pela nossa namorada, pela nossa esposa ou até pela nossa mão direita. Esta expressão é utilizada quando a relação precisa de uma pausa, um interregno para ponderar e repensar aspectos fulcrais do estado do relacionamento. Ou seja, é uma expressão típica de mulher.

Creio estar correcto ao afirmar que, em toda a história da Humanidade, nunca nenhum homem que estivesse a cumprir a chamada “pena de relação” tenha proferido alguma vez essa frase. A única forma disso poder acontecer, seria se conhecêssemos trigémeas norueguesas de proeminentes curvas que, na noite anterior, nos tivessem segredado que eram ninfomaníacas e que iriam voltar para a Noruega dentro de dois dias.

Mas nós sabemos que quando as mulheres dizem isto é porque há qualquer coisa que não está bem. Sabemos que querem uma pausa para avaliar o nosso desempenho relacional com base na pontuação de 472 escalas diferentes e que, depois, logo nos darão o resultado através de um extenso relatório verbal. O que não sabemos é o período temporal a que se refere “um tempo”, pois isso nunca nos é dito, o que se torna bastante desagradável. É a mesma coisa que quando o nosso patrão nos diz “depois preciso de falar consigo” de manhã e só fala connosco no final do dia. O assunto até pode ser insignificante, mas é o que basta para nos deixar o dia inteiro a pensar em todos os erros que fizémos nos últimos meses.

Para os homens, a relação ou está on ou está off. Não há cá meio-termo. E nós precisamos de ter isto definido com exactidão o quanto antes, para saber se podemos começar a resolver os assuntos pendentes da nossa lista de “gajas óptimas que eu quero papar quando já não estiver nesta relação”. É que se trata de uma lista de tarefas que já tem algum tempo – mais ou menos desde o início da relação – e que, como tal, tem de ser despachada o quanto antes.

É que, no fundo, quando uma mulher diz que acha melhor “dar um tempo”, o que ela está a fazer é a pedir uma licença sem vencimento por tempo indeterminado. E nós homens, enquanto entidade empregadora, até podemos conceder essa licença, mas depois não se admirem se, na vossa ausência, andarmos a entrevistar potenciais candidatas para preencher a vossa vaga. Calma, não será para sempre, é apenas trabalho temporário. Depois nós logo dizemos quando termina.

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