It’s the end of the world as we know it

Gosto de estar sempre a par das últimas tendências no que toca às cenas místicas, porque nunca se sabe quando é necessário puxar da cartilha para engatar uma miúda que acredita em fadas e espirais energéticas e que, por qualquer razão, acha boa ideia andar na rua com uma túnica de sisal e macarrão.   Tenho um prontuáriozinho de bolso muito jeitoso, com noções básicas de coisas tão diversas como a cura pelos cristais ou a Idade de Aquário, tudo muito arrumadinho por temas. A componente logística está portanto razoavelmente acautelada, só me falta trabalhar a parte em que me pareço minimamente interessado, o que não é fácil. Comporto-me como uma verdadeira prostituta ao dizer coisas como “Pfff, estou mesmo a precisar de fazer uma limpeza dos chakras, acreditas…?” ou “A-do-ra-va conhecer uma xamã da Amazónia!!”. Sujo. Sinto-me sujo.   No entanto devo dizer que, especificamente em relação à celebração de solstícios ou outros rituais do género, não tenho nada contra: muito pelo contrário,  encorajo qualquer prática que envolva mulheres consideravelmente nuas e sob o efeito de psicotrópicos, pois daí só podem vir coisas boas.   Quando ouvi por cá tanto alarido em torno de um tal “calendário Maia” pensei naturalmente que a taróloga tivesse mandado acrescentar mais um “T1” com boas áreas e arrecadação ao busto, por forma a poder brilhar numa dessas sofisticadas publicações de oficina.

Mas não, afinal tratava-se de uma pizza familiar cheia de bonecada supostamente retratando o fim do mundo em 21 de Dezembro de 2012, por volta das seis e picos. A princípio não fiquei muito impressionado com a notícia, pois todas as semanas aparece uma nova interpretação das Sagradas Escrituras garantindo que é (mesmo) desta que está para chegar o Apocalipse, geralmente pela mão de um rapazola barbudo que descobriu a face de Nosso Senhor Jesus Cristo num rissol de camarão.

Só percebi que desta vez era mesmo a sério o iminente fim dos tempos, quando, num momento particularmente inoportuno, tive uma revelação cósmica na casa de banho do Atrium Saldanha através de um códex misterioso.

Eu não sei o que vai acontecer, mas faço já aqui a minha declaração de interesses: não me dava jeito nenhum ser raptado por extraterrestres, porque parece que essa gentinha tem a ideia parva que a colonoscopia é a única forma de produzir ciência. O que não lhes fica nada bem.

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