É o meu bébé

Muitos dos meus amigos têm revelado, ultimamente, uma certa tendência para me apresentarem aos seus bébés. Não consigo imaginar o que os levou a pensar que eu me iria relacionar bem com eles, mas queria pedir que parassem. Por favor, cessem as vossas tentativas de me forçar a travar amizade com este tipo de pessoas. Tal nunca acontecerá porque os bébés têm traços de personalidade, atitudes e comportamentos que eu considero detestáveis em qualquer ser humano.

Primeiro, nunca me agradaram pessoas que querem ser sempre o centro das atenções. Ainda para mais a todo o custo. Os bébés são aquele tipo de pessoa que se não está a sala toda a olhar para eles se põem a guinchar e a gritar ou, em último caso, chegam mesmo a defecar apenas e só para chamarem a atenção para si mesmos.

Em segundo lugar, não consigo suportar a atitude de ter de ser tudo à maneira deles. Se lhes apetece comer não podem esperar pela hora da refeição, tem de ser naquele preciso momento. É toda essa atitude do “não me interessa se estás a dormir ou se estás no aeroporto, eu quero extrair leite de uma glândula mamária imediatamente” que considero insuportável, pois é reveladora de uma falta de educação atroz. Claramente, trata-se de gente que não nasceu em berço de ouro.

Depois, convinhamos, os bébés tendem a vestir-se mal: ou usam aqueles fatos-macaco que já vêm incorporados com pézinhos ou então envergam calças arregaçadas, à pescador, enquanto deambulam descalços por todo o lado. Isto já para não falar de mais uma prova cabal da sua falta de educação que é o facto de, muitas vezes, tendo visitas em casa, andarem a passear-se trajando apenas uma tanga branca ou, em caso extremos, pavonearem-se todos nús em frente dos convidados.

Outra característica que considero intolerável é o facto dos bébés não se mexerem para nada. Passam a vida refastelados à espera que algum dos servis lhes satisfaça as suas necessidades. Os bébés são talvez o grupo de pessoas mais sedentário que existe, o que aliás se nota pelos seus braços, mãos, pernas e pés balofos. Trata-se de uma gentalha tão preguiçosa que nem para falar se esforçam, preferindo apenas balbuciar sons sem nexo. Nesse campo, os bébés são como os espanhóis quando estão em Portugal: não estão interessados em falar a nossa língua, nós é que temos de fazer o esforço para os entender.

Finalmente, existe mais um motivo pelo qual não estou interessado em me relacionar com bébés: é que, claramente, todos eles sofrem de uma acentuada instabilidade emocional. Num momento estão a rir-se às gargalhadas e, no segundo a seguir, já estão a chorar como uma carpideira bem remunerada. Ora apesar de considerar os bébés pessoas mal-educadas e preguiçosas, que querem ser o centro das atenções e que tudo seja à sua maneira, consigo ter o bom senso de reconhecer que a instabilidade emocional é um problema psiquiátrico e já tentei ajudar muitos deles. Foi precisamente essa a gota de água no meu relacionamento com esta gente, porque até essa tentativa de ajuda me trouxe chatices, uma vez que segundo a sentença do tribunal, é “cruel e desumano dar fármacos estabilizadores do humor a um bébé”.

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