Leis da Concorrência

Deambulo por diversas, ditas, profissões sem achar uma que me sirva na perfeição. Posso ser um eterno insatisfeito, ter poucas qualificações para conduzir um 747, ou apenas ser incompetente, o que é certo é que a culpa não é minha, a culpa é toda da psicóloga da escola que frequentei, se não vejamos:

– Houve uma altura que quis ser pedreiro, para poder construir casas para todos os elementos da minha família, além de ter uma profissão, tinha um lado altruísta. A psicóloga disse que pelos resultados dos testes a que me tinha sujeitado, a única pedra que eu poderia ter no meu futuro, seria pedra nos rins (só bebo água e muita);

– Mais tarde quis ser médico para ajudar quem precisasse. Foi-me dito que eu nunca na vida conseguiria entrar em Medicina e que devia desistir da ideia (eu que até tinha estatuto de alta competição);

– Quis ser professor e moldar as gerações futuras. Ao que parece não poderia ensinar, justificação? O meu sotaque nortenho era muito cerrado (sou nascido e criado em Coimbra);

– Pensei no prazer que uma profissão me poderia dar, decidi ser gigolo. Respondeu-me que era necessário tirar um curso profissional na área (eu já tinha o 12º).

Comecei então a desconfiar que algo não estava bem, mas nunca consegui ter certezas, pelo menos até à semana passada. Tive um problema em casa e chamei um pedreiro, o nome era-me familiar, durante as obras fui atingido por um fragmento de tijolo na cabeça e tive de ir ao médico, novamente aquele apelido; o tal tijolo afectou-me a memória e a fala, pelo que tive aulas particulares com um professor especialista, e eis que volta o nome; para celebrar o facto de estar vivo decidi recorrer aos serviços de uma profissional das artes do amor, uma jovem deveras talentosa, com o tal apelido que me perseguia.

A explicação? O apelido?

Muito simples, o nome era o mesmo da minha psicóloga escolar, que tão bem me orientou. Ao que parece ela não estava interessada em me indicar o melhor caminho profissional para o meu futuro, mas sim em afastar a concorrência dos ramos da construção, medicina, ensino e mesmo do ramo da putari*, que ao que parece foram as escolhas dos filhos dela.

Mesmo assim não lhe levo a mal, até porque quando disse que poderia tentar ser humorista, ela foi das que se riu logo.

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