Crise dos 7 anos?!

Vamos directos ao assunto que a hora é de efeméride: faz hoje precisamente 8 anos que eu e a minha namorada decidimos trocar uma relação estável, cordial e madura por um casamento. E porquê, pergunta o leitor?

Por loucura? Talvez.

Paixão? Quem sabe.

Gravidez não planeada? Podes crer.

Ora tendo em conta que o leitor saberá fazer as contas – coisa que, evidentemente, eu não soube – e perceberá que o meu filho mais velho (sim, mais velho, o meliante gosta sempre de voltar à cena do crime) já sabe ler, convém repôr alguma verdade nisto.

Filho, o pai amava e ama muito a mamã. E digo isto à boca cheia, porque estou a comer a 2ª fatia de Vienetta que nem um alarve, mas sobretudo porque, ao fim de 8 anos de casamento, acreditem, já sei algumas coisinhas sobre amor.

“Amar num casamento é acordar todos os dias como se fosse o primeiro.”

Ora isto tem tanto de bonito como de estúpido. Senão pensem: o primeiro dia é o que vem a seguir à noite de núpcias. E, meus amigos, só um milionário a Viagra é que acorda todos os dias às 11.30h com pequeno almoço num quarto com banheira de hidromassagem e a sensação de que fez amor que nem 40 coelhos a Red Bull.

Amor não se condensa numa frase: é mais do que ver o outro, ou os cegos não poderiam amar. É mais do que ouvir palavras doces, ou os surdos não poderiam amar. É mais do que saber aceder uma chama, ou a Sónia Brazão não poderia amar.

Amor num casamento vive muito de confiança e lealdade. Ter uma pessoa com quem partilhar as emoções, com quem ralhar quando sabemos que a culpa é nossa, a quem ajudar especialmente quando essa pessoa não quer que a ajudemos. Eu prezo muito a fidelidade e tenho a sorte de ter uma mulher assim.

Já a minha amante só quer sexo à bruta e algemas. Enfim, não se pode ter tudo.

(Espero sinceramente que lhe tenha arrancado um sorriso com esta piada. Porque é esse sorriso que me vai reconfortar nas minhas noites de solidão no sofá da sala.)

Um bom casamento não é aquele em que acordamos hoje como acordámos no primeiro dia. É aquele em que acordamos hoje MELHORES do que acordámos no primeiro dia.

MELHORES ao ponto de a nossa mulher nos deixar de chamar “menino da mamã” (Abra-se o devido parêntesis para dizer que no meu caso, era uma expressão injusta e muito redutora. “Menino da mamã” implica que somos uns meninos ao pé da nossa mãe. Eu era um mimado em todo o lado. O mínimo que me podiam chamar era “Menino do planeta Terra”).

MELHORES ao ponto de deixarmos de achar que “Ervas de Provence” é uma droga que os emigrantes trazem lá da França. E que justificava aquele dialecto próprio deles.

MELHORES ao ponto de respeitarmos o espaço de cada um e saber que um bom casamento é como uma boaequipa de futebol em que a mulher é a treinadora e o homem o ponta-de-lança: ela leva o barco a bom porto, ele está lá para “facturar”.

(Eu disse “15 dias a dormir no sofá”? Peço desculpa, quis dizer “3 semanas”.)

Melhores. É assim que chegamos aos 8 anos. Melhores do que no início e sem saber o que é isso da “crise dos 7 anos”. Se bem que, modéstia à parte, quando uma mulher casa com um homem como eu nem se pode falar de “Crise dos 7 anos”.

O termo certo é “7 anos de crise”.

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