Memórias de Barcelona

Tenho saudades do tempo em que ir para fora cá dentro era uma espécie de opção e não apenas uma contingência orçamental. Sobram as memórias dos anos felizes em que durante o mês de Agosto conseguia pôr um pezinho no estrangeiro.

Numa dessas idas para fora lá fora – que, deixem-se de tretas, são as verdadeiras idas para fora – fui a Barcelona. Em Barcelona é tudo muito giro, mas o mais giro de tudo é poder ter a oportunidade de subir às torres da Sagrada Família nas condições em que eu o fiz.

A minha experiência na Sagrada Família não foi em família, e não se pode considerar que tenha sido propriamente sagrada. Mas lá que teve algo de celeste teve (para ser preciso: azul-celeste), e, de determinado ponto de vista (o do “gajo básico”), de sorte.

Quis Deus que na sua casa catalã, a subir a escadaria da torre, e para meu “Gaudí(o)” (não resisti ao trocadilho), tivesse à minha frente uma italiana boazona e incauta trajando curtíssima mini-saia ondulante que, simpaticamente, insistia em ofertar ao turista que seguia atrás (eu próprio), avistamentos repetidos das suas cuecas extremamente anatómicas de cor azul-celeste.

Era tanta a graciosidade e celestialidade, e ainda para mais estando numa catedral, que ao início ainda pensei poder tratar-se de um anjo, mas degrau a degrau (foram cerca de 80),  tive oportunidade de confirmar e reconfirmar que tinha sexo – afortunadamente aquele que não possuo – e logo concluí que era apenas uma gaja boa cuja intimidade estava a palmos dos meus olhos. Palmos de anão, diga-se. Italiana, repito. E será escusado relembrar aqui a qualidade do design italiano, quer ao nível da moda íntima, quer ao nível da genética humana.

Não me interpretem mal: não sou praticante de voyerismo, e juro que não me ocorreu tirar uma fotografia com o telemóvel (nessa altura os telemóveis não tiravam fotografias); nem sou nenhum tarado, porque se fosse escreveria um texto estúpido sobre este acontecimento, mas por favor, quando subo a uma torre, gosto de olhar para cima muitas e muitas vezes para ver se ainda falta muito para chegar. E se quando o faço tenho à frente o jardim da azul-celeste, giroflé, giroflá, isso não faz de mim uma pessoa pior, mas apenas um voyer involuntário e um homem mais feliz.

Sei que para algumas pessoas poderemos estar perante um acontecimento pecaminoso, pois estamos a falar de erotismo numa catedral, mas quem já esteve na Sagrada Família sabe que aquilo é mais um estaleiro de obras do que uma casa do senhor. E nesse sentido, eu não só fiz bem em aproveitar a vista, como era admissível ter mandado umas piropadas de andaime bem badalhocas.

Conselho para quem possa fugir às férias cá dentro: vão a Barcelona e subam às torres da Sagrada Família. A vista é inesquecível – giroflé, giroflá.

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