Quando O Tema É Livre, O Texto É Sobre Tudo E Sobre Nada…

 Para me iniciar, decidi partilhar o texto que enviei na candidatura para o curso das PF, onde tive a possibilidade de conhecer e me juntar a tão nobre Aristocracia. Eles pediam um texto de tema livre. Aqui fica.

Bem, não sei se é pelo passar dos anos, se apenas por ter tempo a mais, o que é certo é que dou comigo a pensar em coisas que normalmente não teriam grande conteúdo. O último tema que me tem levado mais tempo, ao muito tempo que tenho, é o facto de o tempo que tenho se misturar com o tempo que vai passando, sem nada de proveitoso advir daí.

Mas esta questão do tempo é secundária, além de me consumir grande parte do tempo que já não tenho…

Ultimamente tenho-me deparado com questões mais sérias, questões de foro familiar. Mais concretamente com o meu pai. Olho para o meu pai e percebo que não o conheço realmente. Mas voltando ao que interessa, ou pelo menos ao que deveria interessar. Tenho-me perguntado muita vez quem é, na realidade, aquele indivíduo que há vinte e sete anos atrás se decidiu a gerar uma nova vida? E porquê? Será que o meu irmão mais velho não era suficiente para ele? Não me entendam mal, não me estou a queixar, só não percebo bem o porquê. Além disso, desde que me lembro que ele sai todos os dias de manhã e volta ao fim da tarde, vai trabalhar? Quer dizer, ele diz que vai para o trabalho, mas quem é que me diz a mim que isso é verdade? Quem é que já tirou o dia para andar atrás dele a confirmar o seu itinerário?

O meu pai podia ser um agente secreto. Podia até ser um super-herói. Podia, quem sabe, ser um actor contratado para servir de chefe de família a um jovem que não percebe bem o porquê de estar cá. Isso explicava, pelo menos, o anúncio a uma marca de refrigerante dos anos 80 em que ele aparecia.

Quanto ao humor, nunca vi humor tão peculiar como o deste homem de 58 anos. Não ri com quase nada, não sorri para nada, mas dêem-lhe a cena da sala dos equipamentos do filme Porky’s e poderão ouvi-lo a chorar a rir, agarrado à barriga, com graves e acentuadas faltas de ar.

O que importa realmente é que lá no fundo, ninguém conhece bem o pai que tem, não é defeito só meu. “O meu pai é o meu melhor amigo”, costuma-se ouvir dizer. Já o meu é um gajo bem porreiro, simpático, mas será que se fôssemos da mesma idade seríamos amigos?

Eu já só agradeço o facto de a minha mãe lhe ter achado piada, e de o meu irmão (ao que parece) não o ter deixado completamente satisfeito em termos de paternidade. Lá no fundo, acho que o meu pai só queria era alguém com quem pudesse ver a bola ao domingo.

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