Sismo na cabeça

Quando estava a decidir se me mudava para Lisboa, fiz uma lista de prós e contras. A lista de prós começava com “Pastéis de Belém” e era longa. A lista de contras começava com “Terramotos” e parava por aí. Com um item destes, era desnecessário acrescentar qualquer outro ponto negativo à argumentação. Seria como chamar um bando de miúdos para ajudarem o Mike Tyson a bater em alguém. Terminada assim a lista, ponderei a questão da forma como nós, seres dotados de intelecto e racionalidade, costumamos fazer:

“Não vou pensar sobre isto!!!”

E mudei-me para Lisboa.

Mas como não pensar sobre terramotos se, no dia da mudança, ao abrir pela primeira vez a caixa do correio de meu novo lar alfacinha, a primeira correspondência que me cai nas mãos é um folheto da Câmara de Lisboa entitulado: Conhecer para prevenir – o risco sísmico na cidade de Lisboa?

Depois de passar longos minutos acometida de intensa tremedeira (o que não deixa de ser um belo exercício de simulação de um evento sísmico), respirei fundo, enchi-me de coragem e li o folheto. Aprendi algumas coisas interessantes.

Em primeiro lugar, pela ilustração da capa concluí que um terramoto pode ser uma experiência agradável.

Vejam o ar de satisfação com que o pai consulta o folheto. Reparem na serenidade da mãe ao apontar a frase que consta no texto, Quando irá se verificar um sismo com características destruidoras? A ciência ainda não é capaz de responder. Notem como o filho mais velho olha embevecido para os pais como quem pensa: “Já sou crescido como eles, já não tenho mais medo do escuro, nem do Papão, nem dos sismos.”

Já a filhinha caçula, que pouco conhece da vida, está com a mão na cabeça como que a dizer: “Se acontece um terramoto, estamos lixados!” As crianças imaginam cada coisa…

O folheto traz vários outros desenhos. Eu particularmente identifico-me muito com este aqui, que acompanha a parte do texto que nos aconselha a sair dos edifícios com calma. Caso aconteça um terramoto, vou agir exatamente como na ilustração. Por mais que o texto diga o contrário.

Mas, definitivamente, a parte do folheto mais elucidativa para mim é o trecho que diz:

Um sismo é uma libertação súbita de energia acumulada na crosta terrestre, que se manifesta pela propagação de ondas sísmicas, provocando movimentos vibratórios no solo.

Ah, então é isso. Um sismo é a Terra a ter um orgasmo, enquanto a humanidade se fode.

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