Filhos

João Pinto Costa

Os filhos são para mim uma inesgotável fonte de problemas.
Eu até gosto de crianças, mas no que diz respeito aos meus rebentos decididamente não tenho tido muita sorte.E o pior é que eles ainda nem sequer nasceram…E pior do que o pior é que nem concebidos eles ainda foram.A minha aversão é tal que para mim o melhor do mundo não são as crianças.O melhor do mundo são as crianças dos outros.Essas pelo menos nunca me trouxeram dissabores.
Porque tem sempre de vir á baila, quando estou numa relação, a questão de “quantos filhos queres ter?”
Em primeiro lugar eu não vou ter filhos, apetece-me dizer.A única questão que me pode ser colocada é a de quantos filhos quero fazer, ao que me dá vontade de responder: “ Quero passar a vida a faze-los, acho que é essa a minha vocação, prometo faze-los perfeitinhos e estudei durante anos as melhores técnicas para que saiam inteligentes como o Einstein e perfeitinhos Brad Pitts e trés Jolies Angelinas”.
Mas não foi essa a resposta que dei quando a Mariana me fez a maldita pergunta:
“Quantos filhos…gostava de ter…dois. Um por volta dos 30 anos contigo e outro por volta dos 40 com uma mulher que na altura seja mais nova”.
Mariana era lindíssima, se calhar até foi a minha namorada mais bonita, mas a paciência de certeza que não era uma das grandes qualidades dela. Por ter sido tão sincero terminamos o namoro.
Mesmo com a consciência de que tinha aprendido a lição os meus ouvidos não acreditaram quando a Paola, mais tarde, reformulou a interrogação que tantos dissabores me trouxera uns meses antes:
“Bem Paola…filhos quero ter 3, mas a maioria quero que sejam teus. De dois serás tu a mãe. O outro quero ter mais tarde quando for um quarentão e como já estarás um bocado gasta quero que sejam de uma mulher de 20 e muitos anos.”.
Em vez dos dois filhos, ganhei dois estalos mas tive a certeza que encontrara a resposta perfeita para quando essa pergunta me voltasse a ser colocada.
Afinal o que elas queriam ouvir não era que a maioria dos filhos será delas. O problema das minhas respostas só podia ser o timing utilizado. A resposta perfeita estava consciencializada para quando voltasse a ser necessária a minha réplica.
Não demorou um ano a tal acontecer: “Andreia, quero apenas dois filhos, um contigo por volta dos 40 para que até lá te divirtas sem grandes responsabilidades e outro em breve com uma mulher qualquer com que me apeteça ir para a cama”.
Acho que de facto nunca vou perceber as mulheres…Mas tudo bem, mentirei com todas as minhas forças quando a Conceição, minha actual companheira me fizer essa pergunta e desta vez se se falar de filhos salto para cima dela e digo que é com ela que os vou ter, todinhos.
Posso ter demorado a perceber, mas não sou propriamente burro…
Tenho é de ter cuidado com o reumatismo dela porque quando as mulheres têm 78 anos há certos esforços que não devem fazer.

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